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Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 07:00
O carnaval é uma das épocas mais esperadas do ano, marcada por intensa atividade física, exposição ao sol e mudanças na rotina alimentar. Para que a diversão não termine em problemas de saúde, é fundamental adotar medidas preventivas que garantam o bem-estar antes, durante e depois dos blocos.
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Calor intenso, noites mal dormidas, consumo de álcool, alimentação irregular e esforço físico prolongado criam um cenário propício para o surgimento ou agravamento de problemas físicos e emocionais. Por isso, prevenir doenças também faz parte da folia.>
O médico do esporte Felipe Cesar, do Espaço Hi, alerta para sinais que indicam que o corpo está no limite. “Tontura, fraqueza, cansaço extremo e câimbras são sinais claros de desidratação e exaustão. Intercalar bebidas alcoólicas com água e fazer pausas ao longo do dia é essencial”, orienta.>
O consumo excessivo de álcool também merece cuidado redobrado. Além de contribuir para a desidratação, ele pode mascarar sinais importantes de problemas de saúde. Sintomas como tontura persistente, confusão mental, desmaios, vômitos, dor no peito ou convulsões exigem atenção imediata.>
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A professora de Educação Física Roberta Rica, da Estácio, explica que o impacto no corpo depende muito do condicionamento físico de cada pessoa. “São horas caminhando, dançando e ficando em pé, muitas vezes em horários em que o corpo estaria acostumado a descansar. Isso gera desgaste físico, dores musculares e fadiga, principalmente para quem não tem preparo”, afirma.>
Ela lembra ainda que bebidas alcoólicas, apesar de refrescantes, não hidratam. “A cerveja não substitui a água. O ideal é intercalar: um drinque, um copo de água, uma cerveja, um copo de água. Hoje existem bolsas, mochilas e garrafas térmicas que facilitam andarmos com nossa água sempre gelada, porque sair do bloco para se hidratar muitas vezes não acontece”, orienta.>
Partículas de glitter, strass e resíduos de produtos cosméticos podem atingir a superfície ocular e provocar desde ardor intenso até quadros mais graves, segundo alerta do oftalmologista Lucas Emery, do Hospital de Olhos de Vitória. “O glitter comum não foi desenvolvido para uso na região dos olhos. Ele tem bordas irregulares e, ao entrar em contato com a córnea, pode causar microlesões, inflamações e infecções”.>
Segundo o especialista, partículas soltas podem se desprender com facilidade e atingir diretamente os olhos. “Quando o glitter entra no olho, a reação mais comum é coceira. O problema é que esfregar piora a situação, porque o atrito pode arranhar a córnea”, afirma. Ele alerta que, em alguns casos, o desconforto evolui para dor, vermelhidão intensa, lacrimejamento e sensibilidade à luz.
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Para quem não abre mão do brilho, a recomendação é optar apenas por produtos específicos para a área dos olhos, com indicação clara no rótulo. Outras orientações incluem evitar aplicar maquiagem muito próxima à linha d’água, remover completamente os produtos antes de dormir e lavar bem o rosto após os blocos. Em caso de contato acidental com glitter ou outro produto, a orientação é lavar os olhos com soro fisiológico ou água corrente em abundância e procurar atendimento se os sintomas persistirem.
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A camisinha é importante não só para evitar a transmissão do HIV, como de outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia e hepatites. “A data de validade do preservativo e as instruções de uso devem ser atentamente seguidas, a fim de evitar que ele se rompa ou que haja vazamentos. Seu uso deve ser fortemente estimulado, pois é um dos métodos mais efetivos na prevenção de todas as ISTs”, diz o infectologista Celso Granato, do Grupo Fleury. É importante ressaltar que existem camisinhas tanto para uso interno quanto externo. >
A prevenção das ISTs, incluindo a infecção pelo HIV, deve ser feita a partir de um conceito denominado prevenção combinada. Preconizada pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde brasileiro, essa estratégia vai muito além do uso de preservativo, ou seja, reúne medidas que incluem informação adequada, preservativos, testagem, tratamento dos infectados, vacinas e medicamentos para uso preventivo – para que cada indivíduo possa ter autonomia e orientação para escolher aqueles que mais se adequem à sua realidade e perfil de vulnerabilidade, facilitando a adesão e aumentando a eficiência da prevenção.
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A alimentação irregular e o excesso de álcool afetam diretamente o sistema digestivo. A nutricionista Mariana Rubio, da Doctor Puro, explica que o intestino costuma ser um dos mais prejudicados. “O excesso de bebidas alcoólicas e a falta de rotina alimentar comprometem o funcionamento intestinal e favorecem inflamações, além de impactar a imunidade”, destaca.>
Glitter, maquiagem artística, suor e exposição prolongada ao sol aumentam o risco de dermatites e queimaduras. A dermatologista Camila Sampaio alerta que o problema vai além do desconforto estético. “Produtos sem procedência podem causar reações alérgicas e infecções. Já o sol intenso, associado ao álcool e à desidratação, eleva o risco de queimaduras mais graves”, afirma.>
Bebidas alcoólicas, alimentos açucarados e desidratação favorecem boca seca, mau hálito e inflamações gengivais. A dentista Bianca Salvino explica que a redução da saliva altera o equilíbrio da boca. “A saliva protege os dentes e controla bactérias. Quando ela diminui, aumentam os riscos de cáries, mau hálito e problemas gengivais”, afirma. Hidratação, escovação adequada e uso de enxaguantes sem álcool ajudam a prevenir complicações.>
Com praias, piscinas e rios cheios, o perigo de acidentes aumenta. O neurocirurgião Jackson Daniel Sousa Silva alerta para os riscos dos mergulhos imprudentes. “Um único mergulho em água rasa pode causar lesões graves na coluna cervical, levando à tetraplegia ou até à morte”, afirma. Ele reforça que álcool reduz reflexos e aumenta significativamente o risco de acidentes.>
Dicas essenciais dos especialistas
Hidratação e energia: intercale o consumo de álcool com água para evitar desidratação, tonturas e exaustão física. Faça pausas estratégicas para descanso ao longo do dia.
Sexo seguro: o uso do preservativo é estratégia para prevenir ISTs. Caso ocorra exposição de risco, procure testagem após o período festivo.
Cuidado com a pele: Use sempre protetor solar. Glitter, maquiagem artística, suor e exposição prolongada ao sol aumentam o risco de dermatites e queimaduras.
Cuidado com olhos: partículas de glitter, strass e resíduos de produtos cosméticos podem atingir a superfície ocular e provocar desde ardor intenso até quadros mais graves
Segurança em mergulhos: Nunca mergulhe em águas rasas ou desconhecidas. Sob efeito de álcool, o risco de acidentes graves na coluna (que podem levar à tetraplegia) é muito maior.
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