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Kit ressaca: entenda os perigos de misturar álcool e medicamentos

O uso indiscriminado de remédios no Carnaval pode potencializar a toxicidade das substâncias e causar danos severos ao organismo
Portal Edicase

Publicado em 

11 fev 2026 às 15:29

Publicado em 11 de Fevereiro de 2026 às 15:29

Misturar medicamentos e bebida alcoólica é perigoso para a saúde (Imagem: MaskaRad | Shutterstock)
Misturar medicamentos e bebida alcoólica é perigoso para a saúde Crédito: Imagem: MaskaRad | Shutterstock
Com a chegada do Carnaval, muitos foliões recorrem aos chamados “kits ressaca” — combinações de analgésicos, antiácidos e anti-inflamatórios — na tentativa de acelerar a recuperação após o consumo de álcool. No entanto, o que parece ser uma solução rápida esconde graves riscos à saúde.
Segundo Aline Aparecida Pereira Souza, farmacêutica e responsável técnica pela Farmácia Escola do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), essa prática é perigosa e sem fundamentação científica. “Essas substâncias não possuem indicação farmacológica para anular os efeitos do álcool. Pelo contrário, o consumo irracional pode sobrecarregar órgãos vitais, como fígado, rins e estômago”, alerta.

Riscos de misturar álcool com medicamentos

A especialista destaca que a associação entre bebidas alcoólicas e medicamentos pode potencializar a toxicidade das substâncias e causar danos severos ao organismo, tais como:
  • Sobrecarga do fígado: o álcool e medicamentos competem pela mesma via de metabolização, aumentando drasticamente o risco de hepatite medicamentosa;
  • Danos gástricos: a mistura com anti-inflamatórios eleva as chances de úlceras e hemorragias no estômago;
  • Comprometimento do sistema nervoso: quando associado a analgésicos ou antialérgicos, o álcool pode causar sedação excessiva, tontura, confusão mental e perda da coordenação motora, facilitando quedas e acidentes;
  • Mascarar os sintomas: medicamentos e bebidas energéticas podem esconder os sinais de embriaguez, levando o folião a consumir ainda mais álcool e aumentando o risco de intoxicação grave.

Por que evitar o “kit ressaca”?

Aline Aparecida Pereira Souza destaca que muitos desses kits contêm fármacos cujas bulas contraindicam expressamente o uso associado ao álcool. Ela lembra ainda que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a venda desses kits, pois a mistura de vários princípios ativos, sem orientação profissional, pode reduzir ou anular o efeito de um dos medicamentos, potencializar efeitos colaterais e causar alterações na pressão arterial e no ritmo cardíaco.
Alimentação com frutas repõe nutrientes sem sobrecarregar o fígado (Imagem: Olha Povozniuk | Shutterstock)
Alimentação com frutas repõe nutrientes sem sobrecarregar o fígado Crédito: Imagem: Olha Povozniuk | Shutterstock

Como prevenir e tratar a ressaca com segurança

A especialista reforça que a ressaca é uma resposta do corpo à desidratação e ao excesso de toxinas. Por isso, o único remédio indicado é o tempo e o cuidado.
Para prevenir, a recomendação é:
  • Hidratação constante: intercalar um copo de água para cada dose de bebida alcoólica;
  • Se alimentar bem: nunca beber de estômago vazio. Priorize alimentos ricos em amido e vegetais;
  • Moderação: evitar a mistura de diferentes tipos de bebidas alcoólicas.
E para quem está de ressaca, a sugestão é:
  • Medidas não farmacológicas: repouso absoluto e hidratação intensa com água ou soluções isotônicas para repor eletrólitos perdidos, que desempenham um papel importante em diversas funções do corpo, como regular a função dos músculos e manter o equilíbrio de água;
  • Alimentação leve: consumir frutas e caldos, evitando alimentos gordurosos que sobrecarregam o fígado;
  • Evite a automedicação: o uso indiscriminado de medicamentos não acelera o processo e pode piorar o quadro clínico.
“É importante ressaltar que não existe um medicamento capaz de anular os efeitos do álcool no organismo . Por isso, a melhor prevenção ainda é o consumo moderado. E se a ressaca incluir vômitos intensos, tonturas extremas ou dores muito fortes, procure um médico”, complementa a farmacêutica.
Por João Alécio Mem

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