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Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 20:03
A cantora Maiara, 38, revelou recentemente que convive com a doença de alopecia androgenética. Devido à condição, ela chegou a perder quase todos os fios de cabelo e passou por um tratamento para se recuperar. >
Segundo a artista, o problema se agravou ao longo dos anos e chegou a um ponto extremo. Ela relatou que o uso de métodos químicos e extensões capilares agravou a queda dos fios. "O meu cabelo foi caindo, foi quebrando com alguns métodos e algumas formas que usei. Cheguei num ponto onde eu já não tinha mais cabelo. O bulbo não tinha mais em alguns lugares".>
A artista disse que passa pelo processo de recuperação dos fios naturais. "Eu não conseguia ligar a luz, não queria olhar no espelho. Não queria ver ninguém", desabafou. O uso de lace (peruca) ajudou Maiara a reconquistar a confiança durante a transição capilar. >
A alopecia androgenética é uma das causas mais comuns de queda de cabelo. É popularmente conhecida como calvície e, nas mulheres, também é chamada de alopecia de padrão feminino. "Trata-se de uma doença crônica, de origem genética e hormonal, caracterizada pelo afinamento progressivo dos fios", explica a dermatologista Emilly Neves. >
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A médica conta que este tipo de alopecia surge por influência genética, hormonal e dos hábitos de vida do indivíduo. "Quem tem calvos na família, tem risco de cinco a seis vezes maior de desenvolver a calvície. Na alopecia, os folículos são sensíveis aos hormônios androgênicos, especialmente à testosterona e à di-hidrotestosterona (DHT). Estes hormônios são os principais responsáveis pelo afinamento e enfraquecimento dos fios", diz. Além disso, sobrepeso, obesidade, resistência à insulina, sedentarismo, má alimentação, picos de estresse, tabagismo e deficiência de vitaminas são outros fatores que influenciam diretamente na saúde do cabelo.>
Os principais sinais da condição são a queda aumentada, o afinamento, a redução da densidade capilar, a perda de volume e falhas novas. "Não é tão frequente, mas algumas pessoas sentem mais coceira, ardência e sensibilidade no couro cabeludo", diz Emilly. Nos homens, é comum o recuo da linha frontal (as entradas) e falhas no topo da cabeça.>
Emilly Neves
DermatologistaDe acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a alopecia androgenética é um distúrbio que atinge 5% das mulheres e, para muitas delas, essa é uma condição difícil de lidar. Além de normalmente estar relacionada a outras doenças, como diabetes e hipotireoidismo, também é uma questão que impacta a autoestima. >
O dermatologista Lourenço Azevedo diz que para a alopecia androgenética existem opções manipuladas com finasterida e dutasterida tópicas, que reduzem a ação dos andrógenos com menor exposição sistêmica. "Shampoos com cetoconazol geralmente ajudam a controlar a inflamação do couro cabeludo. Também se destacam os tratamentos com moduladores hormonais e estimuladores de crescimento, como espironolactona usado em mulheres e minoxidil em baixa dose por via oral”, explica. >
O médico complementa que os estimuladores ajudam a estabilizar a queda e ampliar a densidade ao longo de meses, porém exigem acompanhamento médico para avaliar eficácia e possíveis efeitos como alterações de pressão, libido ou eletrólitos.>
Emilly Neves explica que, como a calvície não tem cura, o cuidado deve ser contínuo e, por isso, adaptado às preferências do paciente. "Os melhores tratamentos são realizados com medicações, que podem ser de uso tópico ou oral. Atualmente o minoxidil tem sido usado para reduzir a queda e fortalecer os fios, e deve ser associado a um medicamento de efeito antiandrogênico para reduzir o impacto hormonal no cabelo".>
No consultório, é possível potencializar a recuperação dos fios com tratamentos injetáveis ou microagulhamento com medicação para estimular ainda mais o crescimento saudável dos folículos. "Quanto mais cedo iniciar o tratamento, melhores são os resultados", ressalta. >
A médica conta que cada pessoa tem um comprimento máximo de cabelo, que é determinado geneticamente pela fase anágena - a fase de crescimento do folículo. "Na calvície, esta fase é reduzida, por isso os fios ficam mais curtos e caem mais rápido. Com as medicações, é possível recuperar a saúde capilar, aumentar a espessura e deixar o cabelo mais longo de novo (dentro dos limites da genética de cada um)".>
A alopecia androgenética é uma doença que evolui ao longo do tempo. Nas mulheres, há dois picos da calvície: em jovens adultas e na menopausa. "Sem tratamento, a tendência é a piora gradual ao longo dos anos. Isso traz grande impacto negativo na qualidade de vida e na autoestima das pacientes, pela grande perda de volume e densidade do cabelo". >
A melhor forma de evitar ficar careca é tratar com as medicações, que têm boas evidências científicas, desaceleram a progressão da doença e fortalecem os fios. "Tratar a calvície também faz parte da prevenção do câncer de pele: os fios têm melanina e protegem a pele do couro cabeludo do sol, que pode ser mais danificada quando as falhas ficam aparentes", finaliza Emilly Neves.
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