Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 20:34
A apresentadora Rafa Brites, de 39 anos, compartilhou recentemente com seus seguidores que recebeu o diagnóstico de lipedema, uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente nos membros inferiores, acompanhado de dor, sensibilidade e facilidade para surgimento de hematomas. >
Nos stories do Instagram, Rafa contou que a descoberta aconteceu após uma consulta médica no fim do ano passado. Mesmo sem ela ter sobrepeso, uma característica comum de quem tem a patologia, foi diagnosticada com lipedema.>
“Eu vivo com roxos que eu não sei o que é. Estou com uma bermuda super solta, que só está encostando, mas a marca [na perna] fica. E sinto muita dor. Parece que a minha perna pesa 100 quilos. Não é que eu estou com o corpo inteiro com retenção de líquido, é a perna que dói", explicou.>
O lipedema é uma doença inflamatória crônica multifatorial que afeta majoritariamente mulheres. De acordo com a Associação Brasileira de Lipedema, estima-se que cerca de 12% das mulheres no Brasil convivam com a condição, muitas vezes sem diagnóstico. Isso acontece porque o lipedema ainda é frequentemente confundido com obesidade, sobrepeso ou retenção de líquidos.>
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Segundo a cirurgiã plástica Patricia Lyra esse é um dos maiores desafios. “O lipedema não é causado por excesso de comida nem por falta de exercício. Trata-se de uma alteração do tecido adiposo, com componente inflamatório e vascular, que gera acúmulo de gordura nas partes afetadas, dor e impacto importante na qualidade de vida”, explica. >
A médica explica que o volume de gordura apenas nas partes afetadas causa a desproporção corporal, um sinal comum da doença. “É como se a paciente convivesse com dois corpos. Peso normal da cintura para cima e excesso de gordura nos membros inferiores, como quadris, coxas e pernas”.>
Patricia Lyra
Cirurgiã plásticaO tratamento do lipedema pode ser clínico ou cirúrgico, e a indicação depende da resposta de cada paciente. “Todas as pacientes devem iniciar pelo tratamento clínico, que é a base do cuidado", afirma a cirurgiã. >
A abordagem clínica inclui mudanças no estilo de vida, como alimentação com foco anti-inflamatório, prática de atividade física adaptada, drenagem linfática, uso de meias de compressão e acompanhamento multidisciplinar.>
Nos casos em que o tratamento clínico não é suficiente para controlar a dor e melhorar a mobilidade, a cirurgia pode ser indicada. “A lipoaspiração específica para lipedema tem como objetivo remover o tecido adiposo doente, aliviar sintomas e devolver funcionalidade. A cirurgia é indicada quando, geralmente, o tratamento conservador não apresentou os resultados desejados, mas independente da intervenção cirúrgica, o tratamento clínico deve ser contínuo, uma vez que o lipedema ainda não tem cura”, reforça Patricia.>
Para a médica, dar visibilidade ao tema é fundamental. “Quando figuras públicas falam sobre o diagnóstico, ajudam outras mulheres a reconhecer sinais, buscar avaliação adequada e, principalmente, entender que sentir dor não é normal”.>
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