Editor do Se Cuida / [email protected]
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 18:01
A morte do influenciador Henrique Maderite reacendeu discussões sobre sinais corporais que podem indicar riscos à saúde cardiovascular. Em uma postagem no Instagram do Henrique, o texto diz que o empresário partiu de forma repentina, em decorrência de um infarto fulminante. "Fica uma dor difícil de explicar, mas também um legado imenso. Henrique viveu como falava: valorizando a família, os amigos, o riso fácil e os momentos simples que fazem a vida valer a pena. E muito importante: sempre grato a Deus por tantas bençãos. Ele nos lembrava, todos os dias, que o agora importa, pois não sabemos o dia de amanhã", diz parte do texto.>
Após o falecimento, seguidores e profissionais de saúde passaram a observar, em fotos antigas do influenciador, a presença de um detalhe físico pouco conhecido do grande público, o chamado Sinal de Frank, uma prega diagonal visível no lobo da orelha. >
De acordo com o cardiologista Jerônimo Vervloet, da Bluzz Saúde, o Sinal de Frank consiste em um vinco diagonal que pode aparecer em uma ou nas duas orelhas. “É uma prega diagonal no lobo da orelha, que pode ser unilateral ou bilateral. Não é um diagnóstico, mas um achado físico que merece atenção”, explica.>
Estudos científicos já demonstraram uma associação entre a presença desse vinco e uma maior incidência de doença aterosclerótica cardíaca, condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias. Segundo o médico, trata-se de um indicativo adicional dentro da avaliação clínica. “O Sinal de Frank não confirma uma doença cardiovascular, mas funciona como mais um elemento na estratificação de risco do paciente”, afirma Jerônimo.>
>
No caso de Henrique, a identificação do sinal em imagens públicas levantou a possibilidade de que ele já convivesse com algum grau de risco cardiovascular, ainda que isso não permita qualquer conclusão definitiva sobre a causa de sua morte. Especialistas reforçam que o sinal deve sempre ser analisado em conjunto com outros fatores.>
“O vinco ganha relevância quando associado a fatores como idade, histórico familiar, hipertensão, diabetes, sedentarismo e alterações do colesterol. Ao perceber esse sinal, a recomendação é buscar orientação médica para uma avaliação mais completa”, destaca o cardiologista.>
Jerônimo ressalta que a atenção deve ser redobrada quando o Sinal de Frank surge após os 40 anos. “Nessa faixa etária, a presença do vinco reforça a importância de iniciar processos de avaliação e prevenção das doenças cardiovasculares. Ainda assim, mesmo quem não apresenta o sinal deve realizar check-ups regulares”, pontua.>
O cardiologista Melchior Luiz Lima, da Rede Meridional, diz que após a análise do perfil do paciente, o médico vai recomendar exames como de sangue, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste de esforço e, em casos selecionados, exames de imagem como tomografia das artérias coronárias ou ultrassom das carótidas.>
O médico diz que a condição deve ser investigada principalmente quando surge de forma precoce, antes dos 60 anos, quando é profundo e bem definido, ou quando aparece em pessoas com histórico familiar de doença cardiovascular, mesmo que não apresentem sintomas. “A recomendação é procurar avaliação médica, preferencialmente com um cardiologista. O objetivo não é tratar o vinco da orelha, mas investigar fatores de risco e identificar precocemente possíveis doenças cardiovasculares silenciosas, especialmente, quando o vinco estiver associado à hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse crônico e histórico familiar de infarto ou AVC”, alerta Lima.>
Jerônimo Vervloet diz que a abordagem é ampla e não específica para esse achado isolado. "Os exames indicados variam conforme a idade e o nível de risco do paciente, seguindo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que divide os indivíduos em cinco faixas de risco. Pode ser só um teste de esforço convencional e até um exame de cateterismo, dependendo se ele tiver no risco extremo".>
Não é um sinal para gerar pânico, mas um alerta importante para manter o check-up anual em dia e adotar hábitos de vida mais saudáveis. "A prevenção ainda é a melhor estratégia para reduzir eventos cardiovasculares”, conclui.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta