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Perimenopausa: conheça os sintomas que podem surgir ainda antes dos 40

Perimenopausa: conheça os sintomas que podem surgir ainda antes dos 40

Além dos efeitos sobre o cérebro, a perimenopausa também está associada a mudanças metabólicas importantes, como aumento da resistência à insulina, maior acúmulo de gordura abdominal e elevação do risco cardiovascular.

Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 09:00

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Embora seja mais comum a partir dos 40 anos, a perimenopausa pode começar ainda no final dos 30 Crédito: Shutterstock/ newafrica

Durante muito tempo, a menopausa foi tratada como um evento pontual, associado ao fim da menstruação e às ondas de calor. A ciência mais recente, porém, vem mostrando que os impactos mais relevantes na saúde feminina começam antes, em uma fase de transição chamada perimenopausa, que pode durar de dois a até dez anos e ainda é pouco reconhecida pelas mulheres.

“A perimenopausa é marcada por grandes oscilações nos níveis de estrogênio e progesterona, provocadas pela diminuição gradual da função ovariana. Diferentemente do que se imagina, não se trata de uma queda linear dos hormônios, mas de flutuações intensas e imprevisíveis, capazes de afetar diversos sistemas do corpo, especialmente o cérebro”, explica a médica Fabiane Berta, especialista em menopausa.

Segundo ela, estudos conduzidos por universidades e centros de pesquisa internacionais apontam que essa fase representa um verdadeiro estado de transição neurológica, semelhante, em intensidade biológica, à puberdade, mas no sentido inverso. “Muitos dos sintomas mais comuns da perimenopausa têm origem cerebral. Regiões como o hipotálamo e o hipocampo, responsáveis pela regulação da temperatura corporal, do sono, da memória e das emoções, são altamente sensíveis às variações do estrogênio. Essas alterações hormonais interferem diretamente em neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, o que ajuda a explicar sintomas frequentes como irritabilidade, ansiedade, lapsos de memória, dificuldade de concentração e alterações de humor”, afirma.

Dados epidemiológicos internacionais indicam que o risco de depressão pode aumentar de duas a cinco vezes durante a perimenopausa, quando comparado aos períodos antes e depois dessa transição. Pesquisas também mostram que índices de ansiedade, crises de pânico e até ideação suicida atingem picos entre mulheres de meia-idade, coincidindo com esse período de instabilidade hormonal. “Apesar disso, esses sintomas ainda são frequentemente atribuídos apenas ao estresse, à sobrecarga de trabalho ou a questões emocionais, o que contribui para atrasos no diagnóstico e no tratamento”, alerta Berta.

Os sinais da condição

As ondas de calor, conhecidas como fogachos, continuam sendo um dos sinais mais reconhecidos da perimenopausa, afetando cerca de 80% das mulheres. O que muitas desconhecem é que esses episódios são fenômenos essencialmente cerebrais. “A queda do estrogênio compromete o centro de controle térmico do cérebro, provocando sensações súbitas de calor e sudorese, muitas vezes acompanhadas de taquicardia e mal-estar. Quando ocorrem à noite, os fogachos fragmentam o sono e desencadeiam um ciclo de cansaço persistente, piora cognitiva e maior vulnerabilidade emocional. Estudos associam a frequência desses episódios a maior risco cardiovascular, pior desempenho de memória e maior incidência de sintomas depressivos”, ressalta a pesquisadora.

Embora seja mais comum a partir dos 40 anos, a perimenopausa pode começar ainda no final dos 30. Alterações no padrão do sono, fadiga constante, diminuição da libido, dificuldade de manter o foco e a sensação de que o corpo já não responde da mesma forma costumam ser os primeiros sinais.

“No Brasil, milhões de mulheres convivem com esses sintomas sem um diagnóstico claro, em parte porque não existe um exame específico capaz de confirmar a perimenopausa. O diagnóstico é clínico e depende da escuta atenta, da análise do histórico menstrual e da exclusão de outras condições, como disfunções da tireoide ou deficiências nutricionais”, alerta a especialista.

Além dos efeitos sobre o cérebro, a perimenopausa também está associada a mudanças metabólicas importantes, como aumento da resistência à insulina, maior acúmulo de gordura abdominal e elevação do risco cardiovascular. A saúde óssea começa a ser impactada ainda nessa fase, com redução progressiva da densidade mineral, especialmente em mulheres que não tiveram acompanhamento preventivo ao longo da vida. Alterações na saúde íntima, como ressecamento vaginal e maior predisposição a infecções urinárias, também podem surgir antes mesmo da menopausa propriamente dita.

“O tratamento da perimenopausa é individualizado e deve considerar sintomas, histórico de saúde e fatores de risco. A terapia hormonal segue sendo a opção mais eficaz para muitas mulheres, especialmente quando iniciada precocemente e com acompanhamento médico adequado. Evidências científicas mais recentes indicam benefícios no alívio dos sintomas e na proteção cardiovascular, óssea e cognitiva, quando bem indicada. Ainda assim, nem todas as mulheres podem ou desejam utilizar hormônios, o que torna fundamental a ampliação de opções terapêuticas não hormonais e estratégias integrativas baseadas em evidência científica”, explica Fabiane.

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