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Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 09:00
A síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição funcional do trato gastrointestinal que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e representa uma das queixas mais frequentes nos consultórios de gastroenterologistas. Embora não provoque lesões visíveis no intestino nem esteja associada a inflamações, infecções ou câncer, a doença pode causar sintomas intensos, recorrentes e persistentes, com impacto direto na qualidade de vida, no bem-estar emocional e na rotina diária dos pacientes. >
Segundo a gastroenterologista Mayara Fiorot Lodi a SII é caracterizada por uma alteração no eixo intestino-cérebro, o que faz com que o órgão responda de maneira exagerada a estímulos considerados normais, como a digestão dos alimentos e os movimentos intestinais. “Esse desequilíbrio funcional explica por que o paciente sente dor, desconforto e mudanças no hábito intestinal, mesmo sem alterações estruturais detectáveis em exames”, afirma.>
Entre as principais manifestações da síndrome estão a dor abdominal baixa e alteração do padrão evacuatório. “O paciente pode apresentar diarreia, constipação ou alternar entre os dois quadros. Sensação de evacuação incompleta e urgência para ir ao banheiro também são queixas frequentes. Um dos aspectos mais característicos da SII é a relação entre a dor abdominal e as evacuações”, explica a professora do Unesc. >
Mayara Fiorot Lodi
GastroenterologistaApesar de ser uma condição benigna, alguns sinais não fazem parte do quadro típico da síndrome do intestino irritável e funcionam como sinais de alerta. De acordo com Mayara Fiorot, perda de peso sem explicação, sangramento nas fezes, anemia, febre, dor abdominal que desperta o paciente durante a noite ou início dos sintomas após os 45 anos exigem avaliação médica cuidadosa. “Nesses casos, é fundamental procurar um gastroenterologista para investigar outras doenças e afastar diagnósticos mais graves”, pontua.>
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A especialista diz que a SII é mais comum em adultos jovens e acomete com maior frequência as mulheres. Pessoas com histórico familiar da condição, transtornos de ansiedade ou depressão, além daquelas que já tiveram infecções intestinais, apresentam maior risco de desenvolver a síndrome. “O estresse emocional desempenha papel central tanto no surgimento quanto na piora dos sintomas, reforçando a importância de uma abordagem que vá além do intestino.”>
A coloproctologista Mônica Vieira Pacheco, da Unimed Vitória, diz que a condição pode provocar desconforto abdominal, alterações no ritmo das evacuações e impacto na qualidade de vida, interferindo no bem-estar físico e emocional. "Os sintomas mais comuns são dor ou cólica abdominal, inchaço, gases, diarreia, constipação ou a alternância entre diarreia e constipação". >
A médica diz que é comum que a dor se relacione às evacuações e que as fezes mudem de consistência. "Muitas pessoas sentem melhora ou piora da dor após evacuar. Também podem perceber mudanças na forma, na frequência ou na consistência das fezes, a depender do que comem".>
Mônica diz que é fundamental buscar avaliação médica se surgirem sintomas persistentes. "Sinais como sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, anemia, dor que acorda a pessoa à noite e histórico familiar de câncer intestinal podem indicar algo mais grave". >
De acordo com gastroenterologista Rafaela Richa, do Hospital Santa Rita, as crises podem ser desencadeadas ou intensificadas por fatores como estresse, ansiedade, noites mal dormidas e determinados alimentos. “Dietas ricas em gordura, cafeína, bebidas alcoólicas, adoçantes artificiais e alguns carboidratos fermentáveis estão entre os gatilhos mais comuns, embora a sensibilidade varie de pessoa para pessoa.”>
Atualmente, a síndrome do intestino irritável não tem cura definitiva, mas tem tratamento e controle. “O manejo é individualizado e pode incluir mudanças alimentares, ajustes no estilo de vida, estratégias para controle do estresse e uso de medicamentos voltados ao alívio dos sintomas predominantes. Com acompanhamento especializado e orientação adequada, a maioria dos pacientes consegue reduzir significativamente as crises e manter uma vida ativa e produtiva”, ressalta.>
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