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Especialistas apontam sinais da síndrome do intestino irritável

Especialistas apontam sinais da síndrome do intestino irritável

A condição pode provocar desconforto abdominal, alterações no ritmo das evacuações e impacto na qualidade de vida, interferindo no bem-estar físico e emocional.

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Guilherme Sillva

Editor do Se Cuida / [email protected]

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 09:00

Dor abdominal
Entre as principais manifestações da síndrome estão a dor abdominal baixa e alteração do padrão evacuatório Crédito: Shutterstock/ beauty-box

A síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição funcional do trato gastrointestinal que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e representa uma das queixas mais frequentes nos consultórios de gastroenterologistas. Embora não provoque lesões visíveis no intestino nem esteja associada a inflamações, infecções ou câncer, a doença pode causar sintomas intensos, recorrentes e persistentes, com impacto direto na qualidade de vida, no bem-estar emocional e na rotina diária dos pacientes.

Segundo a gastroenterologista Mayara Fiorot Lodi a SII é caracterizada por uma alteração no eixo intestino-cérebro, o que faz com que o órgão responda de maneira exagerada a estímulos considerados normais, como a digestão dos alimentos e os movimentos intestinais. “Esse desequilíbrio funcional explica por que o paciente sente dor, desconforto e mudanças no hábito intestinal, mesmo sem alterações estruturais detectáveis em exames”, afirma.

Entre as principais manifestações da síndrome estão a dor abdominal baixa e alteração do padrão evacuatório. “O paciente pode apresentar diarreia, constipação ou alternar entre os dois quadros. Sensação de evacuação incompleta e urgência para ir ao banheiro também são queixas frequentes. Um dos aspectos mais característicos da SII é a relação entre a dor abdominal e as evacuações”, explica a professora do Unesc. 

Mayara Fiorot Lodi, gastroenterologista
Mayara Fiorot Lodi diz quais são os sinais da doença Crédito: Divulgação Mayara Fiorot

A dor geralmente melhora após a evacuação e vem acompanhada de mudanças na frequência ou na consistência das fezes

Mayara Fiorot Lodi

Gastroenterologista

Apesar de ser uma condição benigna, alguns sinais não fazem parte do quadro típico da síndrome do intestino irritável e funcionam como sinais de alerta. De acordo com Mayara Fiorot, perda de peso sem explicação, sangramento nas fezes, anemia, febre, dor abdominal que desperta o paciente durante a noite ou início dos sintomas após os 45 anos exigem avaliação médica cuidadosa. “Nesses casos, é fundamental procurar um gastroenterologista para investigar outras doenças e afastar diagnósticos mais graves”, pontua.

A especialista diz que a SII é mais comum em adultos jovens e acomete com maior frequência as mulheres. Pessoas com histórico familiar da condição, transtornos de ansiedade ou depressão, além daquelas que já tiveram infecções intestinais, apresentam maior risco de desenvolver a síndrome. “O estresse emocional desempenha papel central tanto no surgimento quanto na piora dos sintomas, reforçando a importância de uma abordagem que vá além do intestino.”

Desconforto abdominal

A coloproctologista Mônica Vieira Pacheco, da Unimed Vitória, diz que a condição pode provocar desconforto abdominal, alterações no ritmo das evacuações e impacto na qualidade de vida, interferindo no bem-estar físico e emocional. "Os sintomas mais comuns são dor ou cólica abdominal, inchaço, gases, diarreia, constipação ou a alternância entre diarreia e constipação".

A médica diz que é comum que a dor se relacione às evacuações e que as fezes mudem de consistência. "Muitas pessoas sentem melhora ou piora da dor após evacuar. Também podem perceber mudanças na forma, na frequência ou na consistência das fezes, a depender do que comem".

Mônica diz que é fundamental buscar avaliação médica se surgirem sintomas persistentes. "Sinais como sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, anemia, dor que acorda a pessoa à noite e histórico familiar de câncer intestinal podem indicar algo mais grave".

De acordo com gastroenterologista Rafaela Richa, do Hospital Santa Rita, as crises podem ser desencadeadas ou intensificadas por fatores como estresse, ansiedade, noites mal dormidas e determinados alimentos. “Dietas ricas em gordura, cafeína, bebidas alcoólicas, adoçantes artificiais e alguns carboidratos fermentáveis estão entre os gatilhos mais comuns, embora a sensibilidade varie de pessoa para pessoa.”

Atualmente, a síndrome do intestino irritável não tem cura definitiva, mas tem tratamento e controle. “O manejo é individualizado e pode incluir mudanças alimentares, ajustes no estilo de vida, estratégias para controle do estresse e uso de medicamentos voltados ao alívio dos sintomas predominantes. Com acompanhamento especializado e orientação adequada, a maioria dos pacientes consegue reduzir significativamente as crises e manter uma vida ativa e produtiva”, ressalta.

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