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Você sabe o que é alergia emocional? Veja quais são os sintomas e o que fazer

Especialistas explicam que a doença é desencadeada por fatores psicológicos que fazem o sistema imunológico reagir para proteger o corpo do estresse; entenda

Vitória
Publicado em 03/10/2021 às 08h00
Mulher jovem tem prurido de pele no pescoço, alergia
Mulher jovem tem prurido de pele no pescoço, alergia. Crédito: Shutterstock

Você sabia que doenças físicas podem ser provocadas pelas nossas emoções? Especialistas afirmam que o corpo e a mente estão totalmente conectados e, por isso, o estado emocional de uma pessoa se manifesta de diversas maneiras no corpo físico, especialmente por meio de problemas de saúde. Mas você tem ou conhece alguém que já relatou ter alergia emocional? À Revista.AG, médicos da área explicaram do que se trata a doença.

Alergia emocional é desencadeada por fatores psicológicos que fazem o sistema imunológico reagir para proteger o corpo do estresse. É o que afirma a nutricionista Fernanda Rigo, que explica que o caso acontece quando o indivíduo passa por algum tipo de estresse ou ansiedade. Caso a pessoa tenha algum outro tipo de doença como asma e rinite, pode apresentar piora desses sintomas ou feridas/lesões na pele.

Os sintomas podem variar entre coceira intensa, inchaço na epiderme (manchas vermelhas em alto-relevo), ardência, vermelhidão, insônia, falta de ar, etc. As coceiras e os inchaços na pele podem aparecer na região do tórax, pescoço, abdominal, que são os locais são as mais comuns.

A nutricionista Fernanda Rigo
A nutricionista Fernanda Rigo. Crédito: Acervo pessoal

EXISTE TRATAMENTO?

Conforme a nutricionista, o tratamento é bem próximo ao de alergias comuns (por alimento ou medicamento), tratados com antialérgicos, corticoide e pomadas dependendo do nível. E introduzindo, também, tratamento psicológico e atividades de lazer (para a liberação dos hormônios do prazer).

E, naturalmente, a alimentação também influencia muito no quadro. A primeira dica da profissional é em relação à prática de atividades físicas e uma boa alimentação. Viver com saúde física e mental. Por isso, o segundo passo seria procurar um psicólogo.

"Evitar alimentos industrializados, condimentados, de difícil digestão… Uma alimentação balanceada e rica em alimentos antioxidantes como açaí, morangos, uva, couve. A laranja, rica em vitamina C, também ajuda o sistema imune melhorar, e possui propriedades para a diminuição do cortisol (hormônio do estresse). O maracujá também é um bom aliado, pois possui propriedades calmantes", especificou.

ACUPUNTURA PODE AJUDAR

Anestesiologista e pós-graduada em acupuntura médica, Carla Chicarino revela que a acupuntura pode auxiliar no tratamento contra a alergia emocional. A prática, segundo ela, tem o objetivo de proporcionar ao paciente saúde e qualidade de vida através do equilíbrio de suas funções orgânicas.

"Toda vez que o nosso corpo apresenta algum desequilíbrio, este se manifesta como uma doença. Com nosso corpo funcionando em harmonia, nosso sistema imunológico apresenta-se forte e assim capaz de combater desafios como alérgenos e alterações climáticas extremas", contou.

Anestesiologista e pós graduada em acupuntura médica, Carla Chicarino
Anestesiologista e pós graduada em acupuntura médica, Carla Chicarino. Crédito: Arquivo pessoal

A profissional afirma que a acupuntura é muito eficaz nos casos de alergia tanto agudos quanto crônicos, principalmente nos casos onde já se esgotaram os tratamentos da medicina tradicional.

"Age aumentando substâncias anti-inflamatórias, analgésicas e hormônios que causam alívio dos sintomas a curto prazo e aumentam o intervalo entre as crises. O tratamento com a acupuntura pode ser utilizado em todos os casos alérgicos sendo os mais comuns: rinites e dermatites", finalizou.

REAÇÃO DO CORPO...

À Revista.AG, a psicóloga clínica Laís Salomão Amador complementa que alergia emocional é uma reação do corpo relacionada a doenças psicossomáticas, que configura um adoecimento psicológico. Ela reitera que certo nível de instabilidade emocional é natural na vida humana, mas alguns eventos experimentados podem gerar de forma significativo uma instabilidade emocional que se torna adoecedora.

"Eventos que elevem o nível de stress, ansiedade, medo, angústias. Nesse sentido, o corpo é reflexo do que sentimos, hora de sensações boas, a pessoa relata o corpo leve, disposição, energia, ou de sensações ruins, costuma relatar dores, falta de energia, insônia, necessidade de comer em excesso ou falta de apetite, o tempo todo as nossas reações físicas revelam nosso sentimentos", explicou.

Laís Salomão, psicóloga clínica
Laís Salomão, psicóloga clínica. Crédito: Arquivo pessoal

Com isso, a profissional faz uma reflexão. "Por exemplo, observe seu corpo agora, consegue notar alguma tensão? Agitação? Taquicardia... Ou se sente relaxado? Seu corpo fala de como você está neste momento. Compreendendo isso, nós momentos de grandes desconfortos emocionais pode acontecer uma reação de adoecimento físico além do emocional, como a alergia emocional", disse a especialista.

Laís ainda explica que é importante deixar claro que não é uma sensação inventada, mas sentida de forma real pelo paciente, e que existem pessoas que com mais facilidade em ter reações físicas as emoções, outras nem tanto, mas são situações que podem acontecer com todos, independente da idade, crianças e adultos podem apresentar alergia emocional.

PIORA NA PANDEMIA

De acordo com a profissional, a pandemia, por motivos diversos, acentuou os desconfortos e adoecimento emocionais e tem sido um período que se observa surgir com frequência doenças psicossomáticas como essa. A especialista diz que é sempre interessante que o adoecimento seja tratado na raiz do problema, e nesses casos o tratamento psicológico se torna essencial. Ela diz que, através do processo terapêutico, o paciente pode compreender e reorganizar as emoções e sua forma de enfrentamento das situações desafiadoras.

"O acompanhamento psicológico é importante quando a doença surge para auxiliar na evolução, é importante sempre que se identifica que possa estar vivendo um momento mais desafiador a fim de prevenir um agravamento e o desencadear de doenças emocionais e físicas e também será importante para que no futuro, diante de novos desafios o paciente se sinta mais seguro para fazer um enfrentamento do que gera desconforto", completa.

TERMO ALERGIA EMOCIONAL

À Revista.AG, a médica dermatologista Hannah Cade Guimaraes Gazzinelli revela que, tecnicamente, o termo "alergia emocional" não existe na medicina, mas que os quadros de coçaduras e reações na pele, formando eczemas e outras lesões de quadros alérgicos, são reais. "As causas podem ser variadas, como estresse aumentado no trabalho, perda de um ente querido, situações de estresse, ansiedade, depressão", detalha.

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A dermatologista Hannah Cade. Crédito: Arquivo pessoal

Por fim, ela também diz que a melhor maneira de lidar com a alergia emocional é evitando esses fatores, então é importante não deixar o estresse do dia a dia acumular e ir virando uma bola de neve. Atividade física recorrente, tempo de lazer com família e amigos, e praticar hobbies são maneiras de equilibrar o estresse do dia a dia. "E caso você já sinta a necessidade de um acompanhando psicólogo ou algum sintoma de ansiedade e depressão é imprescindível procurar ajuda profissional do psicólogo e psiquiatra", finalizou.

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