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Publicado em 27 de outubro de 2023 às 19:18
Os setores empresariais precisam se unir e desenvolver um novo projeto de desenvolvimento para o Espírito Santo, que expresse o interesse da sociedade, e que contemple a formação de novas lideranças políticas. A análise foi feita pelo cientista político João Gualberto, em debate sobre o Panorama Político 2024, no Pedra Azul Summit 2023. O evento reúne os principais líderes empresariais e políticos do Estado nesta sexta-feira (27) e vai até sábado (28).>
Ele aponta que os novos tempos, em uma sociedade digitalizada e sob a forte influência das redes sociais, exigem transformações. >
“E esta transformação envolve não só o setor empresarial e a sua capacidade de formar lideranças, mas também outros setores da sociedade. É preciso formatar um projeto que não expresse o interesse de um segmento, mas da sociedade. Um projeto que traga respostas sobre o que é importante para o desenvolvimento do nosso Estado. Avalio que há capital político e capacidade de articulação para que isto aconteça”. >
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Outro ponto importante, segundo ele, é que há pressa para evitar que se repitam momentos já vividos no Estado que levaram à falência das contas públicas e seus reflexos em outras áreas.>
“O que nos amedronta hoje é a possibilidade do retorno da desorganização, de eleger populistas que, daqui há seis meses, voltem com as ameaças do passado: salários atrasados, escolas sem transporte escolar, unidades de saúde precárias e sem medicamentos, contas públicas falidas, como aconteceu na virada do século. Precisamos nos antecipar ao desastre”, pondera o cientista político.>
O momento, avalia, é favorável a criação de um amplo movimento estadual de construção de novas lideranças políticas “Lideranças que vão para a política a partir de um projeto construído. Vamos construir um lugar para discutir estas ideais para um Poder Legislativo municipal com capacidade de renovação. A porta de entrada no processo é a Câmara de Vereadores. Volto a dizer, é preciso que se faça algo enquanto temos tempo de formar e operar com calma”, assinala.>
Lideranças que no futuro poderiam ocupar vagas de deputados estaduais e federais. “É um esforço que precisa ser feito”, pondera.>
Ele lembra da importância da participação de alguns segmentos ao falar das igrejas neopentecostais. “Somos o Estado mais evangélico do Brasil. Um volume expressivo de pequenas igrejas que nasceram das assembleias, formadas em sua maioria fiéis pretos, pobres e periféricos, mas com princípios como anti-corrupção, prosperidade, empreendedorismo e que não gostam de assistencialismo”, explica>
É um segmento social, pondera, que precisa de acolhimento. “É preciso entender o que se passa com estas pessoas, se precisam de formação para melhorar a sua participação no mercado de trabalho, apoio aos pequenos empreendedores, dentre outros aspectos. Temos que criar uma forma de trazer estas pessoas para as conversas”.>
João Gualberto destacou que movimentos como este já aconteceram no Espírito Santo em pelo menos três momentos importantes. Nos anos de 1920, com a crise do café e a erradicação dos cafezais; nos anos de 1960, quando os empresários se uniram para desenvolver um projeto colocado em prática pelo governo de Christiano Dias Lopes, que entre os resultados teve a construção das BRs 101 e 262.>
Mais recente, nos anos 2000, após a grave crise enfrentada pelo Estado, houve a atuação do Fórum Reage ES, impulsionado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), e ainda a união dos empresários, que resultou na criação do ES em Ação.>
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