Publicado em 20 de janeiro de 2021 às 14:07
- Atualizado há 5 anos
Depois de tomar posse como presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira (20), o democrata Joe Biden deve assinar ao menos 17 decretos para desfazer diretamente políticas instituídas por Donald Trump e corrigir o que ele considera falhas do legado do republicano, ou, nos limites do Poder Executivo, instruir órgãos e agências do governo a implantarem mudanças de rota.>
Segundo a equipe de assessores do novo presidente, a série de ordens executivas estão divididas em quatro principais áreas classificadas como "crises convergentes": pandemia de coronavírus, crise econômica, meio ambiente, e questões de imigração e diversidade.>
Entre as principais medidas, estão a revogação da declaração de emergência que ajudou a financiar a construção de um muro na fronteira dos EUA, a suspensão do processo de saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o restabelecimento de um conselho na Casa Branca para coordenar a resposta ao coronavírus --nesta terça-feira (19), os EUA ultrapassaram a marca de 400 mil mortos pela Covid-19.>
Os planos para o primeiro dia na Presidência são apenas o começo. "Nos próximos dias e semanas, anunciaremos ações executivas adicionais para enfrentar esses desafios e cumprir as promessas do presidente eleito ao povo americano", disse Jen Psaki, a porta-voz do governo Biden.>
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Fim do muro na fronteira>
Biden deve revogar a declaração de emergência nacional que Trump utilizou como manobra para financiar a construção de um muro na fronteiras dos EUA depois que o Congresso não autorizou a operação.>
Planejado para manter os imigrantes fora do país, o muro foi uma das principais promessas da campanha vitoriosa de Trump em 2016. Com o decreto de Biden, a construção será interrompida enquanto o governo examina a legalidade do financiamento e de seus contratos de construção.>
De acordo com a equipe de Biden, essa e outras medidas da administração Trump contra a imigração eram "profundamente desumanas e não refletiam os valores" dos EUA.>
Retorno dos EUA à OMS>
Cumprindo uma promessa de campanha, Biden deve reverter a decisão de Trump de retirar os EUA da lista de membros da OMS. O conselheiro da Casa Branca e principal epidemiologista dos EUA, Anthony Fauci, será o enviado americano a uma reunião do conselho executivo da OMS marcada para esta quinta-feira (21).>
Os EUA são os maiores doadores da OMS --em 2019, o país desembolsou US$ 400 milhões (R$ 2,12 bilhões, na cotação atual), equivalentes a cerca de 15% do orçamento da organização sediada em Genebra.>
Trump culpava a OMS por um aumento do número de casos de coronavírus no mundo e criticava a relação da entidade com a China, acusando-a de fazer vista grossa para as ações de Pequim no início da pandemia. Caso não fosse interrompido, o processo de saída dos EUA da lista de membros seria formalmente concluído em 6 de julho.>
Uso obrigatório de máscaras>
Depois de ter sido alvo de zombaria de Trump por ter usado, segundo o republicano, máscaras "grandes demais", Biden vai determinar a obrigatoriedade do uso da proteção facial e o distanciamento físico em todas as viagens interestaduais e nas instalações federais, assim como para todos os funcionários do governo.>
O novo presidente fará ainda uma recomendação para que todos os americanos usem máscaras durante cem dias, enquanto os EUA avançam em seu plano de vacinação.>
Embora em algumas ocasiões, sob pressão de conselheiros, Trump tenha recomendado o uso de máscaras, ele próprio não foi um grande entusiasta da prática, reconhecida pela comunidade científica como uma forma eficaz de diminuir a propagação do coronavírus.>
Nova resposta coordenada à pandemia>
Biden deve restabelecer uma divisão do Conselho de Segurança Nacional dos EUA que tinha a função de se antecipar a emergências na área da saúde pública --como uma pandemia.>
A diretoria para segurança de saúde global e biodefesa foi criada em 2016, no governo de Barack Obama, e existiu até 2018, quando a administração Trump a dissolveu em um processo de reestruturação e deixou o país sem um "sistema de alerta" para ameaças à saúde pública.>
Em seu primeiro dia como presidente, Biden deve ainda nomear Jeff Zientes, o gestor da força-tarefa contra o coronavírus montada ainda no período de transição, como o coordenador oficial da resposta do governo americano à Covid-19, reportando-se diretamente ao presidente.>
Retorno ao Acordo de Paris>
Os EUA sob o governo Trump deixaram oficialmente o Acordo de Paris em 4 de novembro, um dia depois de os americanos irem às urnas para escolher seu novo presidente. Agora, Biden deve reverter a decisão e reassumir o compromisso dos EUA com o tratado que busca formas de frear as mudanças climáticas no mundo todo.>
Segundo a equipe do novo governo, também estão na lista uma série de decretos "sem precedentes" para garantir que os EUA alcancem uma economia de energia 100% limpa e zerem as emissões de carbono até 2050.>
Alívio econômico na pandemia>
Biden pedirá aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças e a diversas agências federais que prorroguem as moratórias sobre despejos e as execuções hipotecárias que têm o governo como garantidores até pelo menos 31 de março.>
Ao Departamento de Educação, o novo presidente pedirá que considere estender o congelamento dos juros e dos pagamentos de empréstimos estudantis federais até pelo menos 30 de setembro.>
Política de imigração>
Outra medida do governo Trump que será revogada por Biden é o plano de excluir dos censos do país aqueles que não são considerados cidadãos americanos.>
O democrata também pedirá o acesso à cidadania para cerca de 11 milhões de imigrantes sem documentos que já vivem nos EUA, incluindo aqueles em situação temporária e os chamados "dreamers", que vivem no país desde que eram crianças.>
Dois decretos de Trump que proibiam a entrada de viajantes vindos de uma série de países africanos e de maioria muçulmana também serão revertidos.>
A equipe do novo governo disse que o presidente instruirá o Departamento de Estado a criar formas de lidar com os danos causados àqueles que foram atingidos pelas medidas do governo republicano.>
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