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Histórias guardadas na garagem: Fusca, o carro que atravessa gerações

Histórias guardadas na garagem: Fusca, o carro que atravessa gerações

Quando ele aparece na rua há quem admire o fato de ver um veículo de época e também quem não resiste à brincadeira de dar um “tapinha” no colega quando passa um Fusca azul

Danilo Muniz

Estagiário / [email protected]

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 17:59

Dentro das garagens e nas memórias, o Volkswagen Fusca é uma verdadeira peça de museu sobre rodas. Um modelo clássico de carro que guarda as lembranças de quem já andou com ele. Quando o compacto aparece na rua há quem admire o fato de ver um veículo de época e há aqueles que não resistem àquela brincadeira de dar um “tapinha” no colega quando passa um Fusca na cor azul.

Quando ele aparece na rua há quem admire o fato de ver um veículo de época e também quem não resiste à brincadeira de dar um “tapinha” no colega quando passa um Fusca azul.

Como o Fusca conquistou o Brasil

O primeiro contato que os brasileiros tiveram com o Volkswagen Fusca foi no final da década de 1950. Mais precisamente em 1959, na fábrica Anchieta, em São Bernado do Campo (SP), produção que se estendeu até 1986. Ele era um carro diferente dos outros, mas que logo se popularizou no país. Houve uma perda de fôlego na busca pelo modelo na década de 1980 com a chegada do Volkswagen Gol, mas isso mudou em 1993.

Durante a presidência de Itamar Franco (1992-1995) o Fusca foi reintroduzido no setor automotivo devido a uma política do governo para incentivar a fabricação de carros econômicos e compactos. A produção do "besouro" foi mantida pela marca até 1996. Hoje, a Volkswagen estima que existam 1,7 milhão de Fuscas em circulação pelo Brasil.

 Segundo o site OLX, o Fusca foi o carro clássico mais vendido na plataforma em 2025. O veículo clássico é assunto central de clubes de "fusqueiros" e peça central na garagem de muitos colecionadores. 

Mas você já pensou o que leva alguém a escolher esse carro, nos dias de hoje, onde os modelos são muito mais avançados tecnologicamente, com telas multimídia, motor turbo e até mesmo versões eletrificadas? Pois fomos conversar com pessoas que orgulhosamente são donos de Fusca.  Veja no vídeo acima a história completa do carro na vida de Lívio e Mário.

Na imagem é apresentada os personagens dessa matéria. Do lado direito está Lívio e do lado esquerdo Mário.
Lívio e Mário contam as memórias com o fusca Crédito: Carlos Alberto Silva

Entre os apaixonados pelo modelo está o contador Lívio Meirelles, 49 anos. Desde a infância o Fusca está presente na vida dele. Ele lembra dos muitos passeios que fez com a família no “chiqueirinho” do carro, aquela área atrás da segunda fileira de bancos. O atual carro dele é um Fusca 1981 restaurado, mas antes deste ele teve outros dois: um 1968 e outro 1978.

Fusca modelo 1981 em processo de restauração por Lívio Meirelles/Arquivo pessoal

Por coincidência, o carro é azul. Lívio conta que não conhecia a brincadeira, mas ao passar nas ruas ele viu muitas pessoas com o costume de bater no braço de quem está ao lado. Com 18 anos ele aprendeu a dirigir o primeiro carro, um Fusca. E dá para perceber que são muitas memórias afetivas, mas que também projetam para o futuro a expectativa que as próximas gerações levem esse legado.

Fusca
Lívio Meirelles tem paixão por Fusca Crédito: Carlos Alberto Silva

Eu gostaria que o meu filho falasse com o mesmo entusiasmo que eu. E que ele pudesse dizer, no futuro: 'A minha paixão por Fusca foi meu pai quem passou para mim'

Lívio Meirelles

Contador
Lívio viaja com a família no fusca por Lívio Meirelles/Arquivo pessoal

Paixão por carros antigos

Essa paixão por carros antigos uniu o Club Vix Aircooled Culture, em Vila Velha. O coletivo foi formado depois de um encontro informal em um posto de gasolina, há 11 anos, e têm dividido muitos momentos divertidos. Um dos integrantes do grupo, o contador Mário Palmejani, 41 anos, conta que a ideia deles é manter vivo o hobby e também viajar com os veículos. Em 2014 ele adquiriu o primeiro Fusca, no modelo 1974, de cor azul, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Fusca
Mário Palmejani é um apaixonado por Fusca. Ele faz parte do Club Vix Aircooled Culture em Vila Velha Crédito: Carlos Alberto Silva

São muitas histórias vividas por quem tem um Fusca antigo, algumas delas de perrengue. Em uma viagem para Curitiba, o carro de Mário parou no meio da marginal Tiête. Apesar dos contratempos, o carro guarda lembranças de momentos felizes. Os passeios de família no Fusca continuam, mas agora com o filho de 10 anos, que herdou a paixão pelo modelo.

Mário leva as recordações dos passeio em família com o veículo por Mário Palmejani/Arquivo pessoal

Nos dias de hoje, as coisas estão muito voláteis. O Fusca é um carro que cria uma relação de verdade com o dono. A gente entende que nada precisa ser descartado. É isso o que eu pretendo passar para ele.

Mário Palmejani

Contador

Pode ser sonho, hobby ou terapia, mas ter um Fusca na garagem é guardar e preservar as memórias.

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