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Publicado em 21 de julho de 2025 às 15:37
Equipamentos de ponta, tecnologia de última geração, cooperação entre diferentes órgãos e, principalmente, empatia. Essas são algumas das ferramentas para a proteção de baleias-jubarte no mar do Espírito Santo, que é um refúgio para a espécie em épocas de reprodução entre os meses de junho e novembro. >
Para a proteção das gigantes do mar — que migram todos os anos da gelada Antártica para as águas mais quentes da costa capixaba —, uma parceria entre três órgãos busca diminuir os riscos de colisão entre os animais e navios que entram e saem do Estado. Especialistas apontam que essas colisões são um dos principais fatores para a mortandade de milhares de baleias anualmente.>
A força-tarefa, que partiu do Instituto Baleia Jubarte e da Great Whale (instituição internacional especializada na redução de riscos de vida das baleias), incorporou, junto à Vports (empresa responsável pela administração do Porto de Vitória), normas internacionais de segurança para maior controle e monitoramento do tráfego de embarcações que antes cruzavam a rota das baleias, colocando-as em risco de atropelamento.>
A ação, segundo Paulo Rodrigues, coordenador do Instituto Baleia Jubarte, faz valer o ditado popular: “É melhor prevenir do que remediar”. Diferentemente de regiões do Atlântico Norte — onde outras espécies de baleias transitam e estão ameaçadas pelas colisões —, por exemplo, o Espírito Santo não tem registros recentes de incidentes de atropelamento de baleias, mas o risco existe em função da alta atividade portuária. >
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“O histórico da população das baleias nos mostra que quase foram extintas por diversas ações humanas. Aqui, na nossa região, como elas usam o Espírito Santo como área reprodutiva, entendemos o impacto das navegações e identificamos os riscos para ações de mitigação. A ideia da parceria é usar equipamentos de monitoramento para se antecipar a qualquer problema, definindo rotas, velocidade e fluxo de navios, por exemplo”, explica Paulo.>
Segundo o coordenador, as ações já estão dando resultado em alto-mar com embarcações de diferentes países e tamanhos.>
“Recentemente, até notamos que os navios estão reduzindo a velocidade. O que mostra efetividade. Em uma situação em alto-mar, nossa equipe até achou estranho. São tantas ações ao mesmo tempo que, por um momento, nos perguntamos porque determinado navio estava tão lento em uma rota. Aí, com bom humor, lembramos que era por conta da nossa ideia”, lembra. >
De acordo com Agostinho Sampaio, coordenador dos Serviços de Tráfego de Embarcações da Vports, a parceria entre os órgãos conta com um sistema chamado VTMIS (Sistema de Informação e Gerenciamento do Tráfego de Embarcações, do inglês Vessel Traffic Management Information System), uma espécie de torre de controle com radares, câmeras de longo alcance e sistemas para controle da área de atuação das embarcações. >
“A Vports é a única empresa no Estado com esse sistema voltado para a proteção das baleias. Utilizamos aqui, no Espírito Santo, um padrão internacional, a exemplo do que é feito nos Estados Unidos, em países da Ásia e também da Europa”, destaca.>
Segundo Agostinho, com a parceria, foi montada uma série de recomendações para os navegadores com informações detalhadas sobre a temporada de baleias no mar capixaba. >
“Nos nossos procedimentos, temos indicações de horários ideais para navegação e ações para diminuição da velocidade, o que facilita no caso de necessidade de uma manobra rápida de desvio das baleias, por exemplo. O melhor é que isso não se converteu em gastos financeiros, apenas na proteção dos animais”, diz Agostinho.>
“A atividade portuária tem uma relação muito forte com os animais que vivem no mar. É interessante a aproximação dessa parceria entre o Instituto Baleia Jubarte, a Greath Whale e a Vports para entender o que pode ser feito para maior proteção desses animais”, completa Alan Ribeiro, coordenador de Meio Ambiente da administradora do Porto de Vitória.>
A parceria firmada no Espírito Santo para a proteção das baleias é apenas uma das ações para proteção da vida marinha no Brasil e, consequentemente, no mar capixaba. O Instituto Baleia Jubarte também tem ações voltadas para o desenvolvimento de projetos e programas de pesquisa, conservação marinha e promoção do desenvolvimento sustentável com outros animais.>
Nos últimos anos, além do trabalho de monitoramento de áreas portuárias, o Instituto tem desenvolvido ações de pesquisa e proteção de cetáceos como o boto-cinza e a toninha (um dos menores cetáceos dos mares).>
No caso dos botos, por exemplo, são realizadas campanhas de monitoramento no Nordeste brasileiro, a fim de evitar impactos do Terminal Marítimo de Belmonte, da Bahia, nas atividades dos animais. >
Já os projetos de conservação das toninhas são voltados para evitar a captura acidental dos animais no mar durante atividades de pesca no Rio de Janeiro e na costa capixaba, a partir de Itaúnas, distrito de Conceição da Barra, no Norte do Estado.>
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