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O que você precisa saber antes de pausar um financiamento imobiliário

Apesar de o serviço ser atraente, especialistas afirmam que é preciso avaliar prós e contras; se não houver planejamento, dívida pode aumentar

Tempo de leitura: 3min
Publicado em 07/02/2022 às 11h00
Pausa no financiamento imobiliário deve ser feita com cautela
Despesas com impostos e volta às aulas costumam aumentar no início do ano, deixando contas mais pesadas. Crédito: Freepik

O ano começa e, com ele, as despesas típicas desse período: compra de material escolar, matrículas ou rematrículas (para quem já tem filhos estudando), pagamento de impostos obrigatórios como IPTU e IPVA. Em meio a tantos gastos, ainda tem o financiamento imobiliário, no caso de quem financiou a casa própria.

Equilibrar as contas não é fácil, e uma alternativa interessante para quem está apertado no início de ano é a pausa no financiamento. Mas, é preciso ter cautela com essa opção, conforme alerta o CEO da CrediHome, Bruno Gama. 

“A pausa no financiamento passa pelo comportamento financeiro que as pessoas não têm. Por outro lado, no Brasil, o modelo de trabalho tem se modificado e essa pausa atende à sazonalidade de renda de uma parcela da população, que é composta por profissionais autônomos. O cliente não precisa justificar o motivo da pausa, mas é preciso usar o recurso de maneira responsável”, afirma.

O alívio de não ter que pagar parcelas durante um ou até seis meses, contudo, não elimina a dívida ou diminui o saldo. O cliente que decide pausar o financiamento ganha prestações futuras com um reajuste de valor das parcelas que não foram pagas. 

Por isso, é importante já estar preparado para arcar com esse "extra" nas parcelas subsequentes, destaca Gama. 

"É um valor pequeno, mas é um reajuste. É preciso se preparar financeiramente também para pedir essa pausa, já que só é possível realizar isso uma vez por ano. E outra preocupação é o tempo dessa pausa, que não pode ser muito longo, pois a tendência é substituir essa conta”, adverte.

O economista Sebastião Demuner, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), também acredita ser perigoso dar pausas muito longas. Para ele, o ideal seria se planejar para não fazer qualquer interrupção no pagamento da dívida imobiliária.

“Se conseguir pagar sem pedir esse socorro, como vender o carro para quitar algumas parcelas, é melhor. Por isso que, antes de fazer qualquer financiamento, é preciso verificar a sua estabilidade financeira. Uma coisa é pagar uma faculdade durante quatro anos, outra é um financiamento bancário de 25 anos. É uma dívida a longo prazo, que vai durar toda a vida produtiva da pessoa”, ressalta Demuner, que dá três dicas para quem está passando aperto com o financiamento. Confira:

  1. 01

    Converse com gerente

    Quem perdeu o emprego ou teve a renda reduzida, deve procurar o gerente do banco onde está realizando o financiamento e explicar a situação. A Caixa, por exemplo, oferece alternativas negociais aos clientes por meio do APP da Habitação, via WhatsApp ou ligação telefônica no 0800-104-0104 (4004-0104 nas capitais).

  2. 02

    Dê uma pausa menor

    A pausa deve ser a menor possível. Seis meses é muito tempo para ficar sem pagar uma dívida e ela virá corrigida nas próximas prestações. Sem contar que a tendência, com esse dinheiro “sobrando”, é usá-lo em outras dívidas.

  3. 03

    Tenha um plano B

    Antes de contrair uma dívida imobiliária ou na metade dela, tenha um plano B para o pagamento caso haja uma redução na renda da família.

PORTABILIDADE DA DÍVIDA

Uma das formas de fugir da pausa e até mesmo reduzir prestações pode ser a portabilidade da dívida, que é levar o seu financiamento para outra instituição bancária com menores juros e melhores condições de pagamento.

Segundo a Caixa Econômica Federal, os clientes que têm financiamento habitacional podem solicitar a portabilidade do crédito imobiliário. Eles devem obedecer ao rito estabelecido nas Resoluções CMN 4.292/13 e 4.762/2019 e nas políticas de cada instituição financeira.

O gerente de crédito e agronegócio do Sicoob, Eduardo Ton, avalia que, antes de fazer a portabilidade, é importante pesquisar várias instituições financeiras para saber qual é mais vantajosa para a compra do imóvel.

“Nos períodos de muitos gastos, em que é preciso reduzir passivos, a procura por portabilidade em uma instituição que oferta condições melhores pode ser uma solução viável e eficaz”, afirma.

Atualmente, o Sicoob tem três opções de taxas para financiamento imobiliário, com prazo de pagamento de até 360 meses. A instituição financeira cooperativa não disponibiliza a opção de pausa.

“A linha de financiamento imobiliário é voltada para aquisição de imóvel residencial novo ou usado. O percentual financiável é de até 80% do valor de avaliação do imóvel", explica. 

SAIBA MAIS

O que é a pausa no financiamento imobiliário?

É uma opção criada para pausar o pagamento das parcelas do financiamento imobiliário por até 6 meses. Essa modalidade consiste em suspender temporariamente o pagamento das prestações, que terão o valor diluído nas parcelas futuras.

Quem pode solicitar a pausa?

A pausa no financiamento imobiliário está disponível para pessoas físicas que fecharam contrato de financiamento imobiliário e que estão com o pagamento em dia ou em atraso de até 180 dias. Além disso, pessoas que usaram o valor correspondente ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também têm o direito de pedir a pausa. Os clientes classificados como pessoa jurídica, que apresentam o contrato em dia ou com atraso de até 60 dias, também têm o direito de requerer a pausa.

Quais são os riscos?

Os clientes que pediram a pausa no financiamento terão que arcar com parcelas mais caras, uma vez que o valor que ficou suspenso é considerado como saldo devedor e será incorporado às próximas prestações a serem pagas. Além disso, caso não haja amortização, o valor total aumentará, uma vez que há a incidência de juros sobre um montante maior.

Quais são os cuidados?

A pausa no financiamento não é uma renegociação das prestações ou uma anistia e sim uma prorrogação da dívida. Sendo assim, a partir do prazo escolhido pelo cliente, o valor das parcelas é recalculado, levando em consideração a taxa de juros definida originalmente no contrato.

Qual a diferença para a renegociação ou refinanciamento?

A renegociação ou o refinanciamento das dívidas possibilita o agrupamento de contratos em uma nova operação de crédito, tendo como base alterações no contrato original, no que se refere às condições específicas, como prazo, carência, número de parcelas e taxa de juros.

Fonte: CrediHome

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