Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 18:26
Vitória encerrou 2025 entre as capitais com maior valorização dos aluguéis residenciais do Brasil. De acordo com o Índice FipeZap de Locação Residencial, os preços na Capital capixaba acumularam alta de 15,46% no ano, em média, desempenho bem acima da inflação oficial do país e que coloca a cidade entre os destaques nacionais do mercado de locação. A Capital ficou atrás apenas de Teresina (+21,81%); Belém (+17,62%) e Aracaju (+16,73%). >
No recorte mensal, o movimento também foi expressivo. Em dezembro, os aluguéis em Vitória avançaram 1,96%, quase o triplo da variação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período, ou seja: em apenas um mês, o aluguel em Vitória ficou mais caro do que o custo de vida em geral. >
O resultado reflete um mercado pressionado por forte procura e pela dificuldade de ampliar a oferta de imóveis disponíveis para locação, o que impacta diretamente o consumidor final, já que o aluguel está encarecendo mais rápido do que o salário e os demais gastos das famílias.>
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Segundo o corretor Renato Avelar, a escassez de imóveis, especialmente os mais novos, é um dos principais fatores por trás da alta dos preços. “Vitória tem um mercado imobiliário mais antigo, com poucos imóveis novos disponíveis para aluguel. A procura é muito grande e a oferta é limitada. A lei de oferta e demanda acaba puxando os valores para cima”, explica. >
Ele acrescenta que o aumento generalizado de custos na economia também influencia o comportamento dos proprietários. “Tudo ficou mais caro. Se os custos sobem e não há imóveis suficientes no mercado, o proprietário repassa isso no valor do aluguel”, afirma.>
Entretanto, para entender a questão de forma mais abrangente, o diretor da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Fabiano Martins, ressalta que é importante analisar os números com cautela. Ele destaca que o próprio método de cálculo do índice ajuda a explicar parte do desempenho de Vitória.>
“O Índice FipeZAP é baseado em anúncios veiculados em portais imobiliários, que, no caso de Vitória, estão majoritariamente concentrados em bairros com metro quadrado mais elevado, como Praia do Canto, Barro Vermelho e Jardim Camburi. Em outras capitais, esses anúncios estão mais espalhados, inclusive em regiões com valores mais baixos”, observa.>
Além disso, Fabiano ressalta que a valorização dos aluguéis acompanha a forte alta dos preços de venda dos imóveis na Capital. Em 2025, o valor de venda residencial em Vitória também avançou mais de 15%, pressionando indiretamente o mercado de locação.>
"Precisamos sempre analisar os dados de forma assertiva, para que não tenhamos a falsa sensação de que se pratica preços altos, tanto para aluguel quanto para venda", complementa. >
Apesar da valorização expressiva, Vitória aparece entre as capitais com menor rentabilidade média do aluguel, estimada em 4,32% ao ano, ainda de acordo com o Índice FipeZap. Para Avelar, esse dado indica que os imóveis estão caros, especialmente quando comparados ao retorno considerado ideal pelo mercado. >
“O yield mínimo, ou seja, à taxa mínima de distribuição de dividendos, deveria girar em torno de 6% ao ano. Quando ele fica abaixo disso, é um sinal de que o preço do imóvel está muito elevado”, avalia.>
Já Martins interpreta o indicador como uma oportunidade de médio prazo. “Esse dado mostra que ainda existe espaço para a rentabilidade crescer. Quem investe hoje tende a colher retornos maiores no futuro, à medida que os aluguéis continuem se ajustando”, afirma.>
Na avaliação dos especialistas, as tipologias menores seguem como as mais atrativas para quem busca renda com aluguel. Apartamentos compactos, studios e unidades de um quarto costumam apresentar maior liquidez e melhor equilíbrio entre preço, demanda e retorno.>
“Apartamentos compactos têm metro quadrado mais caro, mas um valor final menor. Quando são mobiliados ou voltados para locação de curta duração, o desempenho é muito superior”, explica Avelar. Ele alerta, no entanto, para a necessidade de atenção às regras dos condomínios quanto ao uso de plataformas de aluguel por temporada.>
Imóveis de dois e três quartos também são considerados bons investimentos para locação tradicional, enquanto unidades muito grandes, como as de quatro quartos, tendem a ter menor atratividade nesse mercado por conta dos fatores citados.>
Para 2026, a avaliação do setor é que os preços dos aluguéis devem continuar em trajetória de alta, embora alguns bairros já demonstrem sinais de acomodação. A perspectiva de queda da taxa Selic é apontada como um fator que pode estimular novas compras e pressionar novamente os preços. >
“A Selic mais baixa tende a aquecer o mercado imobiliário. Vitória é uma cidade com forte limitação geográfica e pouca possibilidade de expansão, o que mantém o cenário de escassez”, pontua o corretor Renato Avelar.>
Fabiano Martins também projeta continuidade da valorização, especialmente na Capital. “Todos os fatores indicam uma tendência de alta na região metropolitana, com destaque para Vitória, que segue com demanda elevada e oferta restrita”, conclui.>
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