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Futuro dos escritórios é com mais espaços abertos e rigor na limpeza

Mudanças na rotina de trabalho e nos costumes da população fomentam adaptações para os novos imóveis corporativos

Publicado em 11/02/2021 às 15h48
Segundo especialistas, a tendência dos projetos de imóveis comerciais é aplicar materiais naturais como plantas, pedras e madeira nos espaços internos, o que é conhecido como arquitetura biofílica
Segundo especialistas, a tendência dos projetos de imóveis comerciais é aplicar materiais naturais como plantas, pedras e madeira nos espaços internos, o que é conhecido como arquitetura biofílica. Crédito: Freepik

Os ambientes de trabalho renovam sempre que surgem novas tecnologias e necessidades. Nos últimos 20 anos vimos a chegada de novos tipos de computadores, máquinas que ficaram obsoletas, uma nova geração exigindo outras demandas das empresas, entre outras transformações. A chegada da pandemia do coronavírus foi mais um fator para fomentar mudanças nas relações de trabalho e, consequentemente, nas estruturas dos escritórios. Isso preocupa o mercado imobiliário e acende a criatividade dos profissionais de arquitetura.

Felipe Loureiro, diretor financeiro da Galwan Construtora, afirma que com a chegada da pandemia e a ascensão do home office, a empresa ficou apreensiva sobre o futuro das salas comerciais. “Hoje sentimos que o home office não vai ser tão grande como imaginávamos. A gente acredita em algo mais voltado para o coworking.”

Heliomar Venâncio, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU-ES), explica que já é possível perceber certa fluidez do ambiente de trabalho e a vontade de compartilhar espaços. “Essa mudança que ocorreu nos fez ver que podemos trabalhar de qualquer lugar. As pessoas não demonstraram tanta dificuldade com as tecnologias para mesclar o local de trabalho com outros lugares do dia a dia.”

Com essas ferramentas, o setor de construção civil percebeu que trabalhar de casa seguirá como uma opção. Por isso, o presidente do CAU-ES aponta a diminuição dos postos de trabalho e o compartilhamento deles. “Não tem mais o dono da mesa. Tem o espaço e a pessoa chega com os seus equipamentos e usa.”

O especialista acrescenta ainda que poderão ter projetos de escritórios com menos postos do que funcionários, visto que pode ter um revezamento entre trabalho presencial e remoto.

ESPAÇO MAIS ABERTO

Cada vez mais, empresas têm adotado o conceito de open space - espaço aberto, em inglês. Os ambientes de trabalho com essa configuração são caracterizados por espaços amplos, mesas compartilhadas, lugares de descompressão e integração das equipes.

Um estudo da Escola de Negócios da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, destacou que as pessoas que trabalham em escritórios com espaços abertos tendem a evitar conversas paralelas, o que reflete em mais produtividade.

“Temos tentado salas de reunião com formato de U, sem mesa, e cadeiras mais espaçadas. Assim aumentamos a circulação e o distanciamento. Não precisa ficar todo mundo muito perto como antes”, afirma Heliomar Venâncio.

Felipe Loureiro revela que a Galwan entregou um empreendimento comercial recentemente e sentiu que as empresas estão buscando mais espaço e evitando aglomerações. Do ponto de vista econômico, empresas que utilizam esse layout organizacional também contam com vantagens orçamentárias, como redução dos custos com fiação, divisão de salas, infraestrutura e, até mesmo, iluminação.

Além de proporcionarem mais engajamento entre os funcionários, escritórios sem barreiras físicas de divisões internas estimulam a oxigenação de ideias, criatividade e agilidade na comunicação. Os benefícios também refletem diretamente nas pessoas, como apontam dados do BMJ Journal, publicação inglesa sobre assuntos médicos, em que se notou 40% de melhora na condição física de quem trabalha em open space.

HIGIENE EM ALTA

Lavar as mãos de forma recorrente, evitar tocar em superfícies e a noção que quase tudo que está ao redor é passível de contaminação por micro-organismos levou o mundo a um desejo de higienização constante. Com o compartilhamento de mesas, por exemplo, terá que intensificar a higienização delas. 

"Vamos evitar tocar em objetos, então vamos ter mais sensores. Aproveitar mais o ambiente com ventilação natural. O ar-condicionado vai ter mais controle de higienização”, pontua.

Heliomar Venâncio afirma ainda que essas tecnologias já existem, mas são mais caras que os equipamentos usuais. Mas a popularização pode fazer o preço cair.

Felipe Loureiro também aposta que a mudança nos hábitos de higiene vieram para ficar. “Talvez terão espaços agregados à decoração para um recipiente com álcool em gel. Nos imóveis residenciais terá espaço reservado para os sapatos fora de casa”, deduz.

 Outra característica da arquitetura biofílica é o aproveitamento da luz e ventilação natural, deixando o ambiente com mais vida
Outra característica da arquitetura biofílica é o aproveitamento da luz e ventilação natural, deixando o ambiente com mais vida. Crédito: Freepik

APROVEITANDO O NATURAL

Prédios de vidro do teto ao chão com janelas que não abrem e iluminação artificial também estão com os dias contados. Essa fluidez dos espaços de trabalho também traz o desejo do mundo externo habitando o interno.

Venâncio aposta na tendência da arquitetura biofílica, projetos que aplicam materiais naturais como plantas, pedras e madeira nos espaços internos. Outra característica desse modelo arquitetônico é o aproveitamento da luz e ventilação natural, deixando o ambiente com mais vida.

O presidente do CAU-ES acredita que a arquitetura biofílica apareça inclusive em projetos de escolas.

O FUTURO JÁ CHEGOU

Com objetivo de proporcionar mais bem-estar para os colaboradores e aplicar as tendências, a Argo Construtora adotará o conceito de open space em sua nova sede. “Estamos atentos às constantes mudanças que temos passado e notamos essa tendência do conceito de open space nos espaços físicos das empresas. Percebemos que esse modelo só irá trazer benefícios para nossos colaboradores e optamos por adotá-lo em nossa nova sede”, explica Valtair Torezani, diretor-presidente da Argo.

O projeto da nova sede da Argo Construtora, assinado pelo arquiteto Sandro Pretti, será um marco arquitetônico na Grande Vitória. A fachada do prédio é em pele de vidro refletivo, acabamento nobre e imponente, de alto desempenho lumínico. Serão utilizados acabamentos de alto padrão, tanto na parte interna, quanto externa.

“Vamos usar o conceito moderno de open space no prédio, onde todos trabalharão juntos, que contará com iluminação natural no espaço de trabalho, o que vai promover economia no consumo de energia e estreitará as relações entre os nossos colaboradores”, finaliza Torezani.

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