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Bastidores

Governo Casagrande e oposição travam guerra de nervos e de narrativas

De um lado, agentes do governo, Freitas e Enivaldo; do outro, Vandinho, Assumção e Pazolini. O embate é perpassado pelas pressões de policiais sobre o governo e pelos atos de violência da última sexta (14)

Publicado em 21 de Fevereiro de 2020 às 13:06

Públicado em 

21 fev 2020 às 13:06
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Governo Casagrande em cabo de guerra com parte do plenário da Assembleia Crédito: Amarildo
Como pano de fundo dos atos de violência praticados nas ruas de Vitória na última sexta-feira (14), trava-se uma verdadeira guerra de nervos entre o governo Casagrande e a oposição na Assembleia Legislativa – sobretudo deputados inseridos na bancada da segurança pública. Essa “guerra de bastidores” também é atravessada pelas crescentes pressões de associações representativas de policiais sobre o governo por aumento salarial.
Hoje, na Assembleia, a oposição responde por poucos deputados. Não têm força numérica, mas estão incomodando muito o governo, com destaque para três parlamentares de direita que, ultimamente, mostram forte integração entre si tanto nas falas como nas ações: Vandinho Leite (PSDB), Capitão Assumção (PSL) e Lorenzo Pazolini (sem partido). Os dois últimos, respectivamente, são oriundos da Polícia Militar e da Polícia Civil.
Na semana passada, tanto na reunião da Comissão de Segurança da Assembleia com a Frente Unificada de Valorização Salarial, na segunda-feira (10), como na sessão plenária do dia seguinte (11), Assumção e Pazolini fizeram pronunciamentos em plenário que podem ser interpretados como de incentivo a movimentos de insubordinação por parte de policiais insatisfeitos com as condições de trabalho e, acima de tudo, com a questão salarial. É assim que governistas estão interpretando as falas desses dois deputados.
Assumção chegou a falar em “risco de colapso na segurança pública capixaba” e “transtornos ainda maiores que em fevereiro de 2017”. Mas a maior surpresa partiu de Pazolini, que foi além do colega acusado e já condenado em 1º grau como um dos líderes daquela sedição. “Vamos evitar uma tragédia, que se repitam cenas que nenhum capixaba quer assistir. Não queremos mais famílias enlutadas. Uma tragédia se anuncia, infelizmente”, disse Pazolini, conclamando o governo a atender aos pleitos dos policiais “para que não tenhamos um novo flagelo social no Espírito Santo”.
O líder do governo na Casa, Eustáquio de Freitas (PSB), não perdoou: “A intenção dele [Pazolini] jamais é ajudar. Jamais é agregar. [Ele e Assumção] fizeram duas falas inflamadas na Comissão de Segurança, promovendo a desordem, a discórdia, o ‘quanto pior, melhor’. Longe de o deputado ter responsabilidade, bom senso e ponderação na fala dele. Isso não tem sido peculiar da fala do deputado Lorenzo Pazolini nesta Casa. [...] Aqui não é um delegado que manda prender e pronto, acabou. Não é um delegado que determina, que faz valer o que ele pensa.[...] Não é bem dessa forma que a banda toca na Assembleia Legislativa. [...] Fica torcendo para dar tudo errado. Porque, se der errado, ele vira prefeito”, provocou.
A tensão subjacente ao bate-boca reflete a “guerra de nervos” a que nos referimos.
Aí veio a quinta-feira (13), com a manifestação de associações policiais nas ruas do Centro de Vitória, culminando, no fim da tarde, com uma reunião de negociação da pauta reivindicatória entre representantes da Frente Unificada e, do outro lado da mesa, autoridades do governo. O Executivo oferece uma proposta de reajuste às forças de segurança, até agora recusada pelas entidades representativasO governo considera que o reajuste oferecido é robusto; as associações querem mais. Assumção e Pazolini ficaram irritados por não terem sido autorizados a participarem dessa mesa de negociação.
Na sexta-feira (14), vieram os ataques de criminosos à população em algumas das principais avenidas de Vitória. O governo Casagrande entende que os dois deputados policiais buscaram tirar proveito político da situação, jogando a população contra o governo e ajudando a fomentar o caos. Já os deputados de oposição estão indignados com o governo, acusando, por sua vez, uma tentativa por parte de governistas de apontarem envolvimento deles nos episódios de sexta-feira – se não na origem, no desenrolar dos fatos.
Estabeleceu-se assim, também, uma “guerra de narrativas”: nos bastidores, governo e governistas acusam opositores de espalharem fake news para jogar a população contra Casagrande, ao passo que deputados de oposição acusam o governo abertamente, dentro do plenário, de ter difundido fake news para responsabilizá-los de alguma maneira pelos ataques de bandidos à população na última sexta. Pazolini chegou a falar em uma “milícia digital” instalada no Palácio Anchieta.

PAUSA PARA DESCANSO E NOVO ROUND

Veio o Carnaval, a poeira abaixou um pouco à medida que subiram os confetes. Foi somente um oportuno intervalo entre os assaltos da luta, para os dois lados voltarem com tudo na sessão da tarde de segunda-feira (17), a primeira após os ataques de sexta (14).
Na manhã de segunda-feira, Pazolini e Vandinho se reuniram no gabinete do segundo. No fim da manhã, perguntei a um dos oposicionistas o que poderíamos esperar para a sessão daquela tarde. A resposta veio em uma palavra: “Guerra”.
O governo certamente previa isso. A sessão plenária acabou sendo derrubada em incríveis 12 minutos – rápido demais até para os padrões da Assembleia –, por falta de quórum. Dessa vez, não foi carnaval antecipado. Foi, isso sim, ação deliberada da base do governo Casagrande para esvaziar a sessão, contendo assim o ímpeto de deputados de oposição em plenário.
Logo após a abertura dos trabalhos, o deputado Fabrício Gandini, presidente da Comissão de Justiça e aliado do Palácio Anchieta, pediu vista do veto do governador a um projeto de autoria de Enivaldo dos Anjos – ex-líder do governo e também integrante da base. Assim, a pauta de votações ficou trancada. Logo depois, Euclério Sampaio, outro casagrandista, pediu verificação de quórum a Marcelo Santos (idem), que presidia a sessão. Quatro aliados do governo. Com muitos deputados ausentes do plenário, a sessão caiu.
Uma fonte governista confirmou o movimento deliberado: “Se a pauta está trancada em função do veto, o equilíbrio e o bom senso precisam superar a guerra”. “Guerra”: mesma palavra empregada, horas antes, por um oposicionista – obviamente, sem ter combinado com o adversário.
A estratégia do governo, assim, foi como a daquele goleiro que, após defender a bola, se joga no chão para fazer a famosa “cera”: recebe atendimento médico e ganha um pouco de tempo para esfriar o adversário e refrear a sucessão de ataques que esse vinha lhe impondo.
Já nas sessões de terça (18) e quarta-feira (19), a estratégia do governo de não dar palanque à oposição não deu tão certo. Na terça, principalmente – a primeira sessão de fato após os ataques em Vitória no dia 14, o pau quebrou entre governo (sobretudo Freitas e Enivaldo) e oposição (Pazolini, Assumção e Vandinho).
Mordido por ter sido barrado na reunião da Frente Unificada com o governo cinco dias antes, Assumção fez insistentes remissões ao episódio em que ele mesmo tentou expulsar o secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz, do plenário, durante a votação em 1º e em 2º turnos da reforma da Previdência estadual, no dia 25 de novembro do ano passado. Na ocasião, Diniz não foi enxotado do plenário porque o presidente da Casa, Erick Musso, não o permitiu.
Mais do que qualquer pessoa, o bom senso também tem sido expulso deste tão delicado debate.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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