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Recuo de Amaro vira moeda de troca para o Republicanos na Grande Vitória

Decisão de não ser candidato a prefeito na Serra pode estar relacionada a uma estratégia de Amaro Neto para construir alianças já pensando nas eleições de 2022

Publicado em 15/08/2020 às 08h37
Deputado federal Amaro Neto na Câmara dos Deputados
Amaro Neto na Câmara dos Deputados: fora do pleito em 2020, ele abre espaço para construir alianças para 2022. Crédito: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O anúncio do deputado federal Amaro Neto (Republicanos) de que não vai disputar a eleição municipal para prefeito na Serra deve mexer no tabuleiro político de toda a Grande Vitória. Fora da disputa, mas considerado um bom puxador de votos no mercado político – ele foi o deputado mais votado em 2018 – o apoio de Amaro já é cobiçado por outros pré-candidatos na Serra e abre espaço para o Republicanos negociar com outros partidos, o que pode render novas alianças também em Vitória e Vila Velha.

Além do apoio imediato nas eleições deste ano, aliados de Amaro acreditam que a oportunidade de manter o "diálogo aberto" – como o deputado escreveu em um trecho da nota em que anunciou a decisão – em vários municípios pode ajudar a construir seu caminho em 2022, em uma possível candidatura ao Senado ou ao governo do Espírito Santo.

Oficialmente, o Republicanos ainda não descartou a possibilidade de ter candidatura própria na Serra. Uma reunião na próxima semana com a executiva municipal vai discutir se o partido lança um nome na chapa majoritária ou se apoia outros pré-candidatos na cidade. 

Quem pode ganhar fôlego extra com o recuo de Amaro são os outros dois pré-candidatos do partido na região metropolitana, os deputados estaduais Lorenzo Pazolini, que disputa a Prefeitura de Vitória; e Hudson Leal, que quer ser prefeito de Vila Velha. Isso porque as alianças que o Republicanos pode construir na Serra, com o apoio de Amaro, podem render parcerias nas outras cidades.

CAMINHOS PARA AMARO EM 2022

Para o cientista político Fernando Pignaton, o recuo de Amaro Neto abre um leque de oportunidades de alianças que podem ser importantes para o parlamentar em 2022, caso se lance para o Senado ou o governo do Estado. O deputado já manifestou o desejo de comandar o Palácio Anchieta, embora a possibilidade de disputar o Senado também esteja em seu radar, segundo interlocutores.

"Mesmo que não seja candidato, ele criou uma expectativa em parte do eleitorado. Pesquisas internas, contudo, mostram que ele sofreria um desgaste por conta da forte polarização que há no município entre Vidigal e Audifax. Esses dois grupos ainda são fortes lá e poderiam trazer rejeição para Amaro. Ao dar um passo atrás, ele ganha espaço para se articular com esses atores e poder criar parcerias para 2022", avalia.

Na nota divulgada por Amaro nesta sexta-feira (14), ele sinaliza que vai andar pelo Estado entre "aqueles que compartilham do ideal republicano". Para muitos, este pode ser o início de uma caminhada do parlamentar para levar a popularidade que tem na Grande Vitória para outros municípios do interior.

O cientista político João Gualberto Vasconcellos acredita que o Republicanos sem uma candidatura de Amaro nestas eleições perde "sua estrela principal". Para ele, a ausência do deputado nas urnas pode ser um tiro no pé em suas pretensões a longo prazo.

"Ele vem de três eleições das quais saiu mais forte. Foi o deputado estadual mais votado em 2014, perdeu por pouco a eleição de 2016 para a Prefeitura de Vitória e foi o mais votado, desta vez como deputado federal, em 2018. Quando ele muda seu título para a Serra, soa como se ele estivesse fugindo da classe média de Vitória, que fez a diferença que o levou à derrota em 2016. Ao recuar ainda mais e não ser candidato, ele não corresponde à importância eleitoral que ele acumulou nestes últimos pleitos", analisa.

CAMINHOS PARA O REPUBLICANOS NA SERRA

Na Serra, o partido com maiores chances de firmar acordo com o grupo de Amaro é a Rede, do prefeito Audifax Barcelos, que terá o vereador Fábio Duarte (Rede) como candidato a prefeito; e o PL, do deputado estadual Alexandre Xambinho. O parlamentar, inclusive, por pouco não se lançou como candidato do Republicanos no município. Ele quase se filiou ao partido, mas, após Amaro mudar seu domicílio eleitoral de Vitória para a Serra, preferiu se filiar ao PL, para manter as chances de ser candidato.

Caso o Republicanos caminhe com a Rede na Serra, o partido de Audifax pode migrar para apoiar Lorenzo Pazolini na Capital. Atualmente, a Rede tem conversado com o PSDB, em Vitória, por meio dos pré-candidatos a prefeito Roberto Martins (Rede) e Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB). O mesmo pode acontecer em Vila Velha, onde o partido de Audifax lançou Rafael Primo (Rede) como pré-candidato a prefeito, mas pode se unir a Hudson Leal, que disputa pelo Republicanos.

Já se o grupo de Amaro optar por seguir com Xambinho, do PL, há a chance de Hudson ganhar o apoio do ex-senador Magno Malta (PL), presidente estadual da sigla, em Vila Velha. A barreira estaria em Vitória, onde o partido tem como pré-candidato a prefeito o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Halpher Luigi (PL).

REPUBLICANOS PÕE AS CARTAS NA MESA

O presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, afirma que o partido deixou Amaro à vontade para definir como se posicionaria nas eleições. Agora com a decisão tomada por parte do parlamentar, a executiva municipal na Serra, com a chapa já montada de pré-candidatos a vereador, irá apontar sua preferência, entre ter um candidato a prefeito ou apoiar outro nome na cidade.

"Quando houver uma decisão municipal, vamos convocar o diretório estadual para reorganizar os nossos movimentos. Neste momento, como o anúncio foi hoje, ainda não há nada decidido. Isso pode mexer com algumas alianças não só na Serra como em outras cidades", aponta.

A reportagem tentou contato com Amaro Neto, mas, via assessoria de imprensa, ele informou que não concederia entrevistas.

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