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Próximos prefeitos vão ter que priorizar obras dos antecessores

Em um cenário pós-pandemia, onde prefeituras estarão se recuperando de um período de recessão, priorizar a conclusão de projetos iniciados em gestões anteriores será essencial, segundo especialistas

Publicado em 05/07/2020 às 08h00
Atualizado em 05/07/2020 às 12h05
Obra da Unidade Municipal de Ensino Infantil (UMEI) do bairro São Torquarto, Vila Velha
Obra da Unidade Municipal de Ensino Infantil (UMEI) do bairro São Torquarto, Vila Velha, ainda estão em andamento e podem ficar para a próxima gestão. Crédito: Carlos Alberto Silva

Dar continuidade a obras iniciadas em gestões anteriores é um comprometimento esperado de qualquer administrador público. Mas em um cenário pós-pandemia, em que as prefeituras, em sua maioria, estarão se recuperando de uma recessão, priorizar a execução de projetos em andamento e que já possuem recursos destinados deve ser tratado como prioridade dos que assumem o Executivo municipal. 

Levantamento feito por A Gazeta mostrou que há uma lista de pendências nos municípios da Grande Vitória. Atrasos nos projetos e pandemia podem dificultar entregas até o fim deste ano, quando termina a administração dos atuais prefeitos.

“Tendo em vista o reflexo de crise econômica causada pela pandemia, as prefeituras vão arrecadar menos e isso exige racionalidade administrativa. Os novos gestores vão governar durante um período recessivo, em que será preciso estabelecer prioridades, o que é mais importante, o que já tem dinheiro investido, como a conclusão de uma escola, de um posto de saúde”, avalia o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e especialista em administração pública Hugo Brandião.

Tradicionalmente, não é isso que acontece. Novos gestores costumam abandonar obras dos antecessores para investir nos seus próprios projetos, inclusive deixando para executá-los no fim do mandato, mais próximo do período eleitoral. Essa prática tende a gerar um acúmulo de obras inacabadas.

De acordo com o professor João Eudes, auditor do Tribunal de Contas de Pernambuco e especialista em contas públicas da Fucape, os custos da descontinuidade de projetos são altos e nocivos não só para o orçamento público.

João Eudes 

Especialista em contas públicas 

"Quando uma obra é paralisada ou atrasa, isso gera impactos na vida das pessoas, que possuem uma demanda e contam com um serviço que foi prometido pelo governo. Além disso, há impacto no tesouro. Se a obra fica seis meses parada, você acaba tendo que fazer reparos e o custo disso é muito alto. A cada novo contrato que precisa ser feito, e em muitos casos uma nova licitação, há um valor agregado, e aí uma obra acaba saindo bem mais cara do que o previsto "

É claro que as pendências herdadas pelos antecessores são sempre passíveis de avaliação, principalmente quando se trata de obras que não representam um benefício ou utilidade direta para população, os chamados elefantes brancos. Além disso, cada prefeito tem seu plano de governo e projetos que vai considerar como necessários e pretende desenvolver durante o mandato.

Especialistas pontuam, contudo, que as próximas gestões não deverão ser marcadas por grandes projetos. Um bom administrador será aquele que conduzir as “heranças” com responsabilidade e trabalhar para manutenção do que já foi feito.

“Cada prefeito é eleito com uma determinada proposição, projetos, é natural que ele queira imprimir uma marca da gestão. Mas as novas gestões precisarão levar em conta o cenário desfavorável em que eles vão encontrar estas prefeituras. A pretensão dos candidatos a gestor municipal no próximo ano tem que ser reduzida. Mais do que prometer coisas novas, os gestores deverão concluir o que já está em andamento e manter o nível adequado de atividades”, conclui Brandião.

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