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Três anos depois

Greve da PM: 'Que sirva de lição para não repetir os erros', diz Casagrande

Movimento que paralisou o policiamento no Espírito Santo em fevereiro de 2017 por três semanas completa três anos nesta terça=feira (4). Greve trouxe consequências para a segurança pública ultrapassando governos

Publicado em 04 de Fevereiro de 2020 às 18:30

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 fev 2020 às 18:30
Governador Renato Casagrande (PSB) avalia greve da Polícia Militar de 2017 como um erro Crédito: Carlos Alberto Silva
greve da Polícia Militar do Espírito Santo completou três anos nesta terça-feira (4). O movimento, que teve início com as mulheres dos policiais bloqueando as portas dos quartéis reivindicando aumento de salários para os maridos em 2017, resultou em 21 dias sem patrulhamento e centenas de assassinatos, assaltos, arrombamentos em todo Estado.
Relembrando a data e analisando as consequências, que ainda trazem reflexos para a segurança pública, o governador Renato Casagrande (PSB) frisou que o Estado não pode deixar que um movimento como esse se repita.
"É um momento de reflexão, para que esses erros não sejam mais cometidos pelo governo e pela corporação policial. Mais de 200 pessoas perderam a vida naquele mês, e isso não se recupera nunca mais, devido àquele tipo de manifestação e ao comportamento do governo. É um dia para a gente não esquecer nunca, mas que sirva de lição para que a gente busque sempre acertar, e não cometer os erros daquela época", afirmou.
Na época da greve, o governador do Estado ainda era Paulo Hartung (sem partido). No início da gestão de Casagrande, em janeiro de 2019, o governo encaminhou um projeto de lei concedendo anistia aos cerca de 2.600 PMs – um terço da tropa – que respondiam a processos administrativos por participação no movimento.
O perdão concedido por Casagrande abrangeu inclusive os policiais que foram expulsos por decisão administrativa, para que fossem reintegrados e recebessem os salários e benefícios retroativos referentes ao período de afastamento. O texto foi aprovado em regime de urgência e por unanimidade pela Assembleia Legislativa, ainda durante o recesso.
Posteriormente, em abril, o governo conseguiu aprovar um outro projeto, alterando os critérios de promoção para os militares do Espírito Santo, para que elas voltassem a ser por antiguidade e merecimento, e não prevalecendo o merecimento, após alteração do governo Hartung. O texto também previu que inclusive PMs que respondiam a processos na Justiça pela greve de 2017 pudessem ser promovidos.

OS CRIMES: 225 MORTES EM 21 DIAS

Nesta terça, às 17h, organizações e movimentos sociais convocaram uma manifestação na praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, para cobrar a conclusão das investigações dos casos deste período.
Em entrevista à TV Gazeta, também nesta terça no ES1, o secretário estadual de Segurança, Roberto Sá, afirmou que a maior parte das investigações já transcorreu. "Naquele período, foram cometidos 225 homicídios. Deles, 218 inquéritos foram instaurados e 148 inquéritos já foram relatados com êxito. Existem 60 em curso, sendo investigados pela Delegacia de Homicídios."
Ele também defendeu a anistia administrativa concedida pelo governo aos militares. "Eram cerca de 2.600 inquéritos disciplinares abertos, com aproximadamente 2.000 policiais encarregados de fazer a investigação. Havia, portanto, um engessamento administrativo e operacional, que precisava ser resolvido no âmbito administrativo. A anistia foi uma decisão para que a corporação pudesse voltar à sua rotina, e a ferida pudesse ser fechada".
Sá reforçou também a fala do governador, de que não se poderia admitir que um movimento parecido se repita. "Foi uma manifestação apócrifa, anônima, irresponsável. Quando conversamos com os policiais, entendemos o anseio, a angústia, concordamos com ela, e vamos buscar soluções. Mas a gente entende também que aquele episódio deve ficar como ensinamento de que reivindicações devem ser feitas de forma ordeira, pacífica, com diálogo."

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