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Na Upa de Serra Sede

Médico é demitido após receitar Ibuprofeno a cada 2 horas para paciente na Serra

Mulher se queixava de dores nas costas e na cabeça, alegou ter sido atendida de maneira negligente e recebeu uma receita com dosagem elevada da medicação

Publicado em 29 de Abril de 2025 às 22:00

Bruno Nézio

Publicado em 

29 abr 2025 às 22:00
Médico é demitido após receitar Ibuprofeno de maneira irregular para paciente na Serra
Médico é demitido após receitar Ibuprofeno de maneira irregular para paciente na Serra Crédito: Arquivo Pessoal
Um médico foi demitido após uma denúncia de comportamento irregular no atendimento a uma paciente de 26 anos. A jovem que procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Serra Sede, na SerraGrande Vitória, nessa segunda-feira (28), chegou ao local se queixando de dores nas costas e na cabeça. No atendimento, ela recebeu uma prescrição de Ibuprofeno com uma dosagem incomum: tomar o medicamento a cada duas horas. O profissional foi demitido na manhã desta quarta-feira (29) pela prefeitura do município.
Ao chegar na farmácia, a paciente, que não quis se identificar, tinha a sensação que a dosagem estava errada, pois já havia administrado a medicação para os filhos em outro momento.
"Eu só queria tirar o acesso e ir para casa. Aí beleza, ele me passou essa receita, mas eu vi que estava errado. Pensei: 'vou lá nas meninas da farmácia, né?' Agora tem uma farmácia dentro da UPA. Fui pegar pelo menos uma quantidade para tomar, e foram elas que corrigiram e colocaram lá 20 comprimidos, de 8 em 8 horas", disse a paciente.
Médico é demitido após receitar Ibuprofeno a cada 2 horas para paciente na Serra
Além da medicação, a mulher diz ter sido tratada com desrespeito pelo médico e alegou que ele não sabia qual remédico receitar para a condição dela.
"Já estava sendo ignorante, incoerente, muito sem educação. Eu não queria que ele tocasse em mim, né? Porque, se ele não sabe o que tá fazendo, vou deixar ele encostar em mim? Jamais. Eu fui tratada desse jeito e fiquei com medo. Só pedi o remédio, e ainda assim ele me perguntou qual remédio eu queria — porque nem sabia o que ia me receitar”, contou à reportagem.
A mulher ainda disse que trabalhou o dia inteiro com dores, porém não quer voltar na UPA, preferindo buscar um médico particular.
"E estou estressada porque continuo aqui, fui trabalhar com dor, estou com dor até agora, mas não volto mais naquela UPA. Vou juntar um dinheiro e pagar uma consulta porque pelo menos vou ser tratada com respeito"
X. - Paciente
Segundo ela, o médico plantonista insinuou que ela estaria tentando se beneficiar do atendimento apenas para conseguir uma receita médica. "Ele não foi profissional, foi ignorante. Eu não pedi atestado para ele em momento nenhum, mas ele falou com ignorância, foi muito sarcástico, sabe? Como se eu estivesse brincando de passar mal", detalhou.

Repercussão do caso

Indignada com situação, ela procurou o deputado estadual, Pablo Muribeca, do Republicanos, que fez a denúncia ao secretário de Saúde da Serra. Quanto a uma denúncia formalizada com um Boletim de Ocorrência (BU), disse que ainda não fez por trabalhar o dia todo, entretanto assim que tiver tempo vai fazer a denúncia.
Em nota, a Secretaria de Saúde da Serra informou que está realizando uma apuração sobre condutas atribuídas ao profissional, e que o erro foi corrigido ainda na farmácia municipal, antes que a paciente fizesse uso do medicamento prescrito. A secretaria reforça que não compactua com a situação relatada e que agiu imediatamente, desligando o médico da função que exercia.
Nesta quarta-feira (30), Conselho de Medicina (CRM-ES) disse, em nota, que o afastamento prévio à apuração dos fatos levanta preocupações quanto ao devido processo legal e aos direitos dos profissionais de saúde. Afirmou também que o Código de Ética Médica, por exemplo, estabelece que os médicos têm o direito a uma investigação justa e imparcial antes de qualquer sanção ou medida administrativa, para garantir que não se viole o direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, bem como se evite o abuso de poder e o desvio de finalidade como resposta política para a sociedade e gere exposição pública e indevida do profissional.
Sobre a apuração da negligência do médico, o CRM-ES disse que pode instaurar sindicância por meio de denúncia formal, com a devida identificação do denunciante, do médico denunciado, com o relato circunstanciado dos fatos, ou de ofício, após tomar conhecimento das informações em casos de repercussão pública. Todas as denúncias são rigorosamente apuradas. 
Complementaram que a sindicância pretende apurar os fatos e pode resultar em abertura de um Processo Ético Profissional, caso haja elementos suficientes de indícios de materialidade e autoria de infração ao Código de Ética Médica.
Instituições de saúde e gestores precisam seguir protocolos claros e transparentes ao lidar com eventos adversos, garantindo que qualquer medida tomada seja baseada em evidências concretas e respeite os direitos de todas as partes envolvidas.
A nota finaliza dizendo que o órgão não se manifesta sobre casos concretos, a não ser nos autos. Conforme disposto no Código de Processo Ético Profissional, todos os trâmites processuais correm em segredo de Justiça.
A reportagem de A Gazeta também tenta localizar o médico envolvido. O espaço segue aberto.

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