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Após briga judicial

Executiva Nacional coloca MDB do ES sob intervenção

Disputa entre Lelo Coimbra e Marcelino Fraga pelo comando do partido se arrasta há nove meses. De olho no prazo da janela partidária, período de movimentação intensa nos partidos, Executiva Nacional vai comandar a sigla no Estado

Publicado em 12 de Março de 2020 às 10:23

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 mar 2020 às 10:23
Entre eleições suspensas e brigas judiciais, chapas de Lelo Coimbra e Marcelino Fraga (de camisa amarela) disputam a presidência do MDB no ES Crédito: Divulgação
Nem Lelo Coimbra, nem Marcelino Fraga. Quem irá comandar o MDB no Espírito Santo por prazo indeterminado será uma comissão  da Executiva Nacional, formada por filiados do partido de fora do Estado. A decisão foi tomada em Brasília nesta quarta-feira (11) em uma reunião entre a Executiva Nacional do MDB, presidida pelo deputado federal Baleia Rossi (MDB), e os dois candidatos a presidente do diretório capixaba, Lelo e Marcelino. 
Apesar da Executiva Nacional ter ratificado o cancelamento da convenção que elegeu Marcelino, ele tomou posse como presidente nesta terça (10) e foi reconhecido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) nesta terça-feira (12) como novo comandante do diretório estadual. 
Contudo, a reportagem de A Gazeta apurou que Lelo e Marcelino não devem participar, até que se chegue em uma decisão definitiva, da gestão do partido. Funcionários do MDB nacional e alguns integrantes da nova comissão devem chegar ao Estado na semana que vem. Segundo membros que participaram da reunião, a comissão será formada pelo deputado federal Tadeu Felippelli (MDB-DF); a presidente do MDB Mulher, Fátima Pelaes (MDB-AP); o deputado estadual do Rio Grande do Sul e 1º secretário da Executiva Nacional, Gabriel Souza (MDB-RS); o prefeito de Duque de Caxias (RJ), Washington Reis (MDB-RJ); e o ex-ministro Carlos Marun (MDB-RJ).
A comissão terá poderes sobre a gestão administrativa e política da sigla. As filiações de novos membros deverão ser feitas diretamente com a Executiva Nacional. A medida, segundo nota, foi tomada para "assegurar a tranquilidade aos candidatos do MDB a prefeito, vice e vereadores". Membros da direção do partido avaliam que a insegurança institucional pode afetar o trabalho durante a janela partidária, que fica aberta até 3 de abril. O período, em que vereadores podem trocar de sigla sem correr o risco de perder o mandato, é um dos momentos de intensa movimentação dentro dos partidos.
A decisão foi tomada em uma reunião tensa com cerca de 30 membros da Executiva Nacional. Marcelino e Lelo discursaram durante o encontro e houve troca de acusações. Pesou na medida adotada pelo partido, segundo pessoas que estiveram presentes, a experiência vivida no MDB de Pernambuco, em 2018, em uma briga entre o então vice-governador Raul Henry e o senador Fernando Bezerra Coelho. "Foi uma disputa intensa que acabou refletindo no resultado das eleições daquele ano. O partido adotou uma medida pela neutralidade", diz um representante da sigla de fora do Estado.

MARCELINO DIZ QUE PERMANECE NA PRESIDÊNCIA

Após a publicação da matéria, a reportagem fez contato com Marcelino Fraga. Segundo ele, o que ficou acertado com o presidente da Executiva foi de que a comissão criada viria até o Estado para "passar tranquilidade aos filiados", mas que a gestão seguiria sob o controle dele. Um ofício assinado por Fraga foi enviado à presidência do partido na manhã desta quinta-feira (12) solicitando a senha do sistema de filiação de novos membros.
"Os membros indicados para a comissão não vão vir ao Estado para fazer gestão do partido. Eles virão a convite nosso para conversar com as nossas lideranças. Eu desqualifico esta nota", afirmou.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do partido que mantém a nota. "A Comissão Executiva Nacional do MDB decidiu intervir no diretório regional do Espírito Santo para dar estabilidade política no momento em que o partido se prepara para as eleições municipais. Cinco integrantes da Executiva Nacional responderão pelas decisões estaduais par assegurar a tranquilidade aos candidatos do MDB a prefeito, vice e vereadores", diz o comunicado na íntegra.
Urnas utilizadas em votação imporvisada na Praça Getúlio Vargas, em Vitória, para escolher comando do MDB no ES Crédito: Vitor Vogas/24-02-2020

BRIGA INTERNA SE ARRASTA HÁ NOVE MESES

Na última terça-feira, Marcelino Fraga tomou posse como presidente do partido, após uma eleição improvisada em Vitória, que não foi reconhecida pela Executiva Nacional. Apesar disso, a Justiça Estadual, por meio da 3ª Vara Cível de Vitória, deu uma liminar reconhecendo o pleito realizado. Lelo tentou entrou com um recurso, mas o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), manteve a decisão liminar.
Até a última quarta, a sede administrativa do partido está nas mãos de Marcelino, que tem as chaves do imóvel onde funciona o diretório estadual. Contudo, o acesso ao sistema de filiações estava sob a posse de Lelo Coimbra. 
A reportagem tenta falar com Lelo. Assim que houver retorno esta matéria será atualizada.

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