Evair de Melo é nomeado vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara

Filiado ao PP, partido que compõe o Centrão, o deputado capixaba vai integrar a articulação da base de Bolsonaro. Há outros 13 vice-líderes do governo na Câmara dos Deputados

Publicado em 07/05/2020 às 11h22
Atualizado em 07/05/2020 às 21h25
Deputado federal Evair de Melo
Evair de Melo: deputado tem sua base eleitoral em Venda Nova do Imigrante, município que teve o maior percentual de votos para Bolsonaro no ES. Crédito: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados

O deputado federal Evair de Melo (PP), eleito pelo Espírito Santo, foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ser um dos vice-líderes de governo na Câmara dos Deputados. Ele entra na vaga do deputado federal Herculano Passos (MDB-SP), que foi dispensado da função. A troca já era uma possibilidade ventilada nos bastidores e foi oficializada em publicação do Diário Oficial da União nesta quinta-feira (7).

Evair é filiado ao PP, partido que compõe o chamado Centrão, que vem se aproximando de Bolsonaro. Na última quarta-feira (6), o presidente nomeou Fernando Marcondes de Araújo Leão para a direção-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), que também foi indicado pelo PP. A articulação com o Centrão é vista como uma forma de o presidente ter maior apoio dentro da Câmara.

O titular da liderança do governo na Casa continua sendo Major Vitor Hugo (PSL-GO). Além do parlamentar capixaba, outros 13 deputados federais são vice-líderes do governo na Câmara. Ele é o terceiro representante do Centrão a entrar no grupo de articuladores da base de Bolsonaro – também são vice-líderes Guilherme Derrite (PP-SP) e José Rocha (PL-BA). Outras siglas, que também estão próximas do Centrão, têm parlamentares no cargo, como o PROS, PSC e o Podemos.

No cargo, Evair deve atuar articulando votos favoráveis ao governo em projetos do Executivo federal e defendendo o encaminhamento do presidente em outras propostas em votação. Na ausência do líder titular, ele pode solicitar a votação de destaques (mudanças no texto de projetos), dispensa de discussões com parecer favorável em comissões e adiamento de votação. O cargo não possui remuneração extra, além do salário de deputado (cujo valor bruto, hoje, é de R$ 33.763).

"O convite tinha sido feito desde o início do ano, pelo Major Vitor Hugo e pelo general Ramos (ministro-chefe da Secretaria de Governo), que já queriam redesenhar a liderança de governo. Para mim, não muda muito. Vou continuar votando com o presidente, como sempre fiz", relata.

ALINHADO A BOLSONARO DESDE A CAMPANHA

Evair já era alinhado com Bolsonaro antes mesmo da nomeação. Durante a campanha eleitoral, ele defendeu o atual presidente nas redes sociais, algo que seguiu fazendo durante o mandato. O deputado tem sua base eleitoral no município de Venda Nova do Imigrante, onde começou sua carreira política, em 2000, como secretário municipal de Agricultura.

Coincidentemente ou não, a cidade foi a que teve maior percentual de votos para Bolsonaro no Espírito Santo em 2018. O parlamentar está em seu segundo mandato na Casa. Ele também foi diretor presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), entre 2009 e 2014.

O deputado acredita que, ao assumir o cargo, pode ficar mais próximo do presidente e dos ministros do governo federal. Ele afirma que buscará "abrir portas" para o Espírito Santo dentro dos gabinetes e contar com a ajuda do alto escalão para destravar investimentos no Estado.

"Acho que é uma chance de abrir um campo de oportunidades para o Espírito Santo, em termos de relação entre os Poderes, de fazer eles olharem mais para o Estado", argumenta.

"O CENTRÃO TRABALHA MUITO"

Sobre a aproximação do Centrão com o governo, Evair diz que sua indicação não está relacionada ao movimento, apesar de considerar legítimo. Ele afirma que Bolsonaro tem se articulado de uma maneira diferente e "feito a coalizão, sem fazer cooptação".

"O Centrão é visto de maneira pejorativa, mas é um bloco que trabalha muito para votar da melhor maneira possível as pautas, enquanto os extremos ideológicos batem boca nos microfones. O governo está se abrindo para conversar com ele também. A maior parte do parlamento conhece Bolsonaro, porque trabalhou com ele no mandato anterior. Ele está fazendo a coalizão, de fato, e não cooptação, tentando comprar deputados por emendas, como vi acontecer", afirma.

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