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Covid-19: vereadores de Vitória retomam sessões sem respeitar normas

Regras para retorno, elaboradas pela presidência da Casa, incluem o uso obrigatório de máscara no plenário e proíbem discursos na tribuna. Na prática, no entanto, a história é outra

Publicado em 22/08/2020 às 17h13
Atualizado em 24/08/2020 às 16h55
Vereadores da Câmara de Vitória retomam sessões presenciais e desrespeitam normas de prevenção
Vereadores Cléber Félix (DEM); Mazinho dos Anjos (PSD); Max da Mata (Avante); Vinícius Simões (Cidadania) e Denninho Silva (Cidadania) durante sessões da Câmara de Vitória . Crédito: Reprodução/Youtube

Máscara no queixo, na orelha ou deixando o nariz de fora. Alguns vereadores da Câmara de Vitória parecem ter dificuldade de utilizar a proteção facial de forma correta, ou de usar o acessório de alguma forma, durante as sessões presenciais, que foram retomadas no dia 13 deste mês. Isso sem falar em episódios de desrespeito ao distanciamento.

Para que o retorno fosse possível, o presidente da Casa, Cléber Félix (DEM), elaborou um ato, publicado no dia 12,  que fixa normas como o uso obrigatório de máscara no plenário e a proibição do uso da tribuna. Na prática, no entanto, a história é outra: vídeos mostram o presidente e alguns parlamentares descumprindo as próprias normas.

O ato também dispensa do retorno servidores e parlamentares do grupo de risco, possibilitando que a sessão seja feita de forma híbrida, ou seja, em parte virtual. Dois parlamentares até tentaram participar de forma remota da primeira sessão após o retorno. Problemas técnicos, no entanto, dificultaram a comunicação e, assim, eles voltaram a frequentar o plenário, um ambiente fechado com ar condicionado e pouca ventilação.

Sentados em locais marcados, a maioria dos vereadores se sentiu à vontade para retirar as máscaras quando estavam prestes a falar. O vereador Denninho Silva (Cidadania) chegou a criticar o retorno às sessões presenciais enquanto sua máscara estava no queixo.

"Vou tirar a máscara, porque estamos bem longe, né? Estou a mais de dois metros dos meus colegas", diz o vereador Vinícius Simões (Cidadania) antes de tirar a proteção.

Para especialistas, o uso de máscara é tão importante para prevenir a transmissão do coronavírus que pode evitar uma nova onda da doença. Já se sabe que o vírus viaja pelo ar e estudos mostram que pode percorrer até mais de dois metros, principalmente em lugares fechados. É por isso que infectologistas apontam que o uso do equipamento para proteção deve continuar sendo feito até que se tenha uma vacina para todos e o vírus pare de circular.

A Câmara de Vitória informou, por nota, que fez "todas as adaptações no plenário para que as sessões sejam realizadas de forma segura para todos os parlamentares e servidores" e  que "tirar a máscara ou levantar e usar outro microfone durante a sessão são decisões individuais, já que todos os parlamentares estão cientes do que o Ato preconiza". O texto também afirma que existe  cobrança para que as regras sejam cumpridas.

Além do presidente da Casa, Max da Mata (Avante), Denninho Silva, Neuzinha de Oliveira (PSDB), Vinícius Simões, Luiz Emanuel (Cidadania), Mazinho dos Anjos (PSD) e Leonil (Cidadania) também aparecem nos vídeos dispensando o uso da proteção ou a utilizando de forma inadequada. As imagens podem ser acessadas pelo canal da Câmara no YouTube .

Vereadores discursam sem máscara ou usando o equipamento de forma inadequada
Vereadores Luiz Emanuel (Cidadania); Dalto Neves (PDT); Neuzinha Oliveira (PSDB) e Cléber Félix (DEM) durante sessões da Câmara de Vitória . Crédito: Reprodução/Youtube/Montagem

O QUE DIZEM OS VEREADORES

Procurados pela reportagem, alguns parlamentares não se manifestaram. Max da Mata afirmou que, mesmo já tendo testado positivo para a Covid-19 e se recuperado, segue os protocolos e usa a máscara a todo momento. "Só tiro a máscara para falar porque sinto dificuldade para respirar e falar com certa velocidade, por muito tempo e com alguma contundência. Me sinto seguro em tirar a máscara porque o presidente garantiu fazer a higienização antes e após as sessões", disse.

Mazinho dos Anjos informou, via assessoria de imprensa, que o motivo para retirar a máscara para falar é simples: para que os óculos não fiquem embaçados. Neuzinha de Oliveira também afirmou que retirou a máscara, em alguns momentos, por considerar que a distância das mesas era segura.

O vereador Leonil chegou a enviar um requerimento ao presidente da Câmara pedindo que as medidas fossem respeitadas e apontando as irregularidades. Mas o próprio Leonil também está entre os que aparecem sem máscara e próximo a outros parlamentares. Ele afirmou, por meio de nota, o seguinte:

"Em um plenário há necessidade de deliberar assuntos com os nossos pares. Houve momento de desatenção devido à necessidade de debater projeto de lei em discussão. Este é mais um motivo para voltarmos às sessões remotas enquanto não houver vacina. Se adultos têm dificuldade de seguir protocolos de saúde, imagine crianças nas escolas." 

Em um dos momentos do vídeo é possível ver o parlamentar, sem máscara, conversando bem próximo a outro vereador:

Leonil ao fundo sem máscara conversa com outro parlamentar
Leonil, ao fundo, sem máscara conversa com outro parlamentar. Crédito: Reprodução/Youtube

PARLAMENTAR E CONVIDADOS USARAM A TRIBUNA

Outra regra desrespeitada foi a proibição do uso da tribuna, que é o espaço de destaque destinado para parlamentares discursarem no plenário. Na sessão de quarta-feira (19) o vereador Luiz Emanuel e dois convidados usaram o espaço para discursar, todos sem máscara. O parlamentar foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos contatos.

Luiz Emanuel e convidados discursam na tribuna
Luiz Emanuel e convidados discursam na tribuna. Uso do espaço foi vedado por ato do presidente da Câmara de Vitória. Crédito: Reprodução/Youtube/Montagem

CÂMARAS DE CIDADES EM OUTROS ESTADOS REGISTRARAM SURTOS

Em outros Estados, Câmaras municipais que retomaram atividades presenciais tiveram surtos de Covid-19 confirmados neste mês, como Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, onde quatro servidores e vereadores foram infectados de uma vez.

Em Sorocaba e Alumínio, no interior de São Paulo, pelo menos dois servidores, em cada município, foram contaminados. Em Itajubá, Minas Gerais, o surto foi confirmado pela direção da Casa, mas o número de contaminados não foi divulgado.

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