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Conheça a história por trás do hino do Espírito Santo

Letra é baseada em um poema de Pessanha Póvoa do século XIX; oficialização da música aconteceu em julho de 1894. Veja curiosidades e entenda o significado

Publicado em 15/03/2020 às 11h16
Atualizado em 15/03/2020 às 16h03
A letra do hino do Espírito Santo é do final do século XIX. Crédito: Setur
A letra do hino do Espírito Santo é do final do século XIX. Crédito: Setur

O hino nacional é sempre tocado no início e ao fim de diversos eventos esportivos e também antes das aulas nas escolas. Mas será que os capixabas conhecem – e entendem – a letra do hino estadual? A história por trás dele? Quem são o autor e o compositor? A Gazeta foi atrás da história.

CAPIXABA DE CORAÇÃO

À primeira vista, o fato do autor do hino do Espírito Santo ter nascido em São João da Barra, na então província do Rio de Janeiro, pode gerar estranheza. Mas José Joaquim Pessanha Póvoa se mudou para Vitória em 1875, aos 39 anos de idade, onde permaneceu até o falecimento em 17 de setembro de 1904.

Intelectual de destaque na época, ele atuou como jornalista, escritor, professor, poeta e político. Além de deputado provincial, Pessanha Póvoa também foi diretor da instrução pública, cargo que se compara ao de secretário estadual de educação atualmente. Essas funções o permitiram ser uma figura ativa na cena capixaba.

“Ele tinha uma influência muito grande sobre a juventude, em um momento de modernização e desenvolvimento do Espírito Santo. Vários desses jovens seriam grandes lideranças locais, como Afonso Cláudio e Muniz Freire, ex-governadores e líderes do movimento republicano”, revelou o historiador e professor aposentado Estilaque Ferreira.

CLIMA DE OTIMISMO

No final do século XIX, o Brasil vivia uma época de efervescência de ideias, com o fim do período colonial. E o Espírito Santo recebia imigrantes e se desenvolvia com a cafeicultura – principal produção agrícola do Estado até hoje. Um cenário progressista que ajuda a entender o significado da letra do hino estadual.

“Ele (o hino) reflete muito bem o momento que o Espírito Santo estava vivendo no início da República, quando tínhamos um potencial a ser aproveitado e uma perspectiva de que iríamos sair de uma situação de atraso, para um futuro radiante”, explicou Ferreira. “Nesse ponto de vista, eles acertaram em cheio”, defendeu.

ORIGEM, REVIRAVOLTAS E MUDANÇAS

Era março de 1880 e a biblioteca pública reabria. Patrono da cadeira 36 da Academia Estadual de Letras, Pessanha Póvoa participou do evento e ofereceu um poema destino à mocidade espírito-santense e para o qual um maestro compôs uma melodia. Nascia, assim, um embrião do futuro hino estadual.

Porém, pelo caminho, em junho de 1891, o então governador Antônio Aguirre assinou o decreto nº 106 tratando do assunto e o hino oficial do Estado passou a ser um escrito pelo cidadão Ubaldo Rodrigues de Andrada Pereira e musiciado pelo professor João Pereira do Azevedo.

Somente três anos depois, o maestro e pianista fluminense Artur Napoleão elaborou uma nova melodia para o poema de Pessanha, a pedido do doutor Urbano da Cunha Faria, que foi oferecida a Muniz Freire, governador da época. A oficialização como hino teria acontecido naquele mesmo ano, em 1894, de acordo com Ferreira.

VEJA A LETRA

DESVENDANDO A LETRA

Apesar de não ter muitas palavras que caíram em desuso, o hino é escrito majoritariamente em ordem indireta, o que dificulta o entendimento. “A letra é realmente pueril, por ser dirigida a jovens; e tal ordenação das palavras é adotada para compatibilizar a letra com a melodia”, explicou o historiador Fernando Achiamé.

O direcionamento à juventude também explica a ausência de menções ao passado, presente em outros hinos estaduais, como o de São Paulo, que faz alusão ao movimento bandeirante. “O autor da letra não se preocupou em fazer esse tipo de referência, mas enfatizou apelos para um futuro melhor, visto que os jovens que poderiam construí-lo”, pontuou.

Trechos contendo uma ideia positiva pelo que ainda está por vir podem ser verificados em diversas estrofes, tais como:

  • "Surge ao longe a estrela prometida"
  • “Temos fé, temos crença a fartar”
  • “Em busca de um futuro esperançoso”
  • “Venham louros, coroas, venham flores”

Uma análise feita pelo historiador Estilaque Ferreira também desmistifica frases que poderiam ser interpretadas de maneira negativa, mas que fazem alusão à juventude a à humildade, valor defendido por religiões cristãs, que têm grande força no Espírito Santo. São elas:

  • “Nossos braços são fracos, que importa?”
  • “Suprem a falta de idade e de força”
  • “Se as glórias do presente forem poucas”

Quer um resumo? “É um hino otimista, com um pé no presente e um olhar no passado, mas com foco no futuro”, disse Ferreira. “O hino é uma relíquia. Tinha que ser mais divulgado e tocado, para que os capixabas o conhecessem e, por tabela, soubessem mais da história do Espírito Santo", defendeu.

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