"Caminhamos para 2° lugar em mortes no mundo. Não é gripezinha", diz Casagrande

Governador do Espírito Santo participou da Brazil Conference at Harvard & MIT na noite desta quinta-feira (7) e debateu medidas econômicas adotadas no Estado, além de criticar atitudes de Bolsonaro no combate à pandemia

Publicado em 07/05/2020 às 22h15
Atualizado em 08/05/2020 às 00h24
Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande
Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro, que atua na contramão dos esforços dos governadores. Crédito: Helio de Queiroz Filho/Secom

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro segue minimizando os riscos da Covid-19, o governador Renato Casagrande (PSB) frisou, nesta quinta-feira (07), que a doença provocada pelo novo coronavírus "não é só uma gripezinha", numa clara citação ao presidente da República. Bolsonaro chegou a comparar, mais de uma vez, a Covid-19 a uma gripe comum.

Casagrande participou da Brazil Conference at Harvard & MIT por meio de videoconferência com outros três governadores brasileiros: João Doria (PSDB), de São Paulo; Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão; e Helder Barbalho (MDB), do Pará. O debate foi mediado por Andreza Matais, jornalista do Estadão.

Durante a videoconferência, Casagrande falou sobre a crise econômica pela qual o Espírito Santo passa e ressaltou que as dificuldades vão além do coronavírus, com a queda no preço do petróleo influenciando na dificuldade do Estado em gerar receitas. Além disso, Casagrande também apontou a necessidade da desburocratização de investimentos privados como um caminho para superar a crise econômica.

O governador também criticou veementemente o presidente da República. O governador classificou as ações de Bolsonaro como "enfrentamento político" e alegou que esse é o estilo do presidente para "criar polêmicas e tumultuar a política brasileira". Casagrande também foi categórico ao dizer que o país "caminha para ser o segundo em mortes por coronavírus no mundo", o que mostra que "não é só uma gripezinha".

Renato Casagrande (PSB)

Governador do Espírito Santo

"Se o presidente da República colocar a cabeça no lugar, vai exercer uma liderança para que tenhamos menos mortes no Brasil. Estamos caminhando para ficar em segundo lugar em mortes no mundo. Não é uma gripezinha, é uma situação de grande impacto."
Casagrande participou da Brazil Conference com outros governadores nesta quinta-feira (7)
Casagrande participou da Brazil Conference com outros governadores nesta quinta-feira (7). Crédito: Reprodução

"AUSÊNCIA DE COORDENAÇÃO NACIONAL"

Segundo o governador, a principal dificuldade dos chefes de Estado do Brasil é justamente a ausência de uma coordenação nacional nas atitudes contra o avanço da pandemia do coronavírus. 

"A não ordenação no combate ao coronavírus é uma dificuldade grande. O presidente escolhe sempre pelo enfrentamento político, É o estilo que o presidente tem para alimentar sua rede de robôs e sua rede orgânica. Jamais achei que ele fosse fazer um enfrentamento sobre um assunto que atinge a vida dos brasileiros. Essas direções e caminhos tortuosos dados pelo presidente são polêmicos", disse.

"ESTAMOS SEM CONDIÇÕES DE INVESTIMENTO"

O governador do Espírito Santo também foi questionado sobre o poderio econômico em meio à pandemia do coronavírus e afirmou que o Estado não tem condições de investimentos no momento. Casagrande alegou que a queda do preço do petróleo é um fator que agrava a crise no Espírito Santo e afirmou que é necessário que o governo federal atue junto com os governos estaduais para desburocratizar as medidas de investimentos privados, para que possa haver um aporte financeiro de quem esteja disposto a investir na economia estadual.

"Convivo aqui com duas crises na área de finanças. A crise do coronavírus e a crise do petróleo. A redução do preço do petróleo tira uma grande quantidade do caixa do Estado. Enfrentamos essas duas crises fortes aqui. Estou discutindo com minha equipe que temos que fazer um trabalho de convivência com o coronavírus, pois teremos que conviver com essa crise por muito tempo. O governo federal que tem o poder para enfrentar as crises de saúde, segurança e econômica".

Ao final do debate, Casagrande voltou a criticar ações de Jair Bolsonaro no combate à pandemia do coronavírus. Ao ser questionado sobre um possível impeachment do presidente, o governador alegou que a prioridade deve ser o combate ao coronavírus, mas que isso não justifica os erros cometidos por Bolsonaro. Casagrande ainda afirmou que um impeachment deve acontecer quando o presidente perde o apoio do povo e que Bolsonaro segue em "um bom projeto para perder apoio junto à população". 

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