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Publicado em 21 de fevereiro de 2024 às 14:50
O assessor parlamentar e ativista de direita Dárcio Bracarense foi multado em R$ 15 mil pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por criar e propagar notícias falsas sobre o processo eleitoral brasileiro e o aplicativo e-Título. A conduta foi considerada, pelo Plenário, como propaganda eleitoral irregular na internet em sessão na noite de terça-feira (20).>
O caso aconteceu durante a campanha eleitoral de 2022, ano em que Bracarense foi candidato a deputado federal (PL). Antes disso, ele atuou na assessoria da deputada Carla Zambelli (PL-SP). O ativista estava, inclusive, com a parlamentar quando ela perseguiu, com arma em punho, um homem pelas ruas de São Paulo em outubro daquele ano. Atualmente, ele é secretário parlamentar do deputado Coronel Meira (PL-PE).>
Segundo a decisão do TSE, Zambelli será multada em R$ 30 mil. Bracarense e Inácio Florêncio Filho, também citado pela mesma conduta, em R$ 15 mil. >
De acordo com o tribunal, as publicações enganosas afirmavam que o QR Code contido na nova versão digital do título eleitoral contabilizaria de forma automática votos em benefício do então candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva. Outras publicações compartilhadas pela parlamentar e pelos demais representados diziam que o “sistema da Justiça Eleitoral estaria fazendo campanha antecipada para o Lula” por meio do QR Code do app. Todas as postagens já haviam sido removidas das plataformas a partir de decisão tomada pelo ministro Raul Araújo, em 2022.>
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Na sessão de julgamento desta terça, os ministros decidiram pela condenação por unanimidade, mas houve divergência do ministro Nunes Marques com relação ao valor da multa a Zambelli — ele propôs a quantia de R$ 15 mil. O relator do processo, ministro Floriano de Azevedo Marques, destacou que o valor fixado leva em consideração o cargo político ocupado pela deputada e também a reincidência na conduta, já que ela continuou a propagar as notícias falsas mesmo após divulgação de checagem pelo TSE e demais agências de notícias.>
O comportamento também foi ressaltado pela vice-presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia. “Eu me preocupo de uma forma muito especial com o dolo eleitoral, que se configura em casos como este, nos quais a pessoa sabe que não pode adotar o comportamento, sabe que é falso e, ainda assim, propaga com um dolo muito específico”, acrescentou a ministra.>
Para A Gazeta, Bracarense afirmou que não promoveu a fake news em questão, apenas gravou um vídeo em que desmentia a informação falsa de que o QR Code do título de eleitor computasse votos para Lula. No mesmo vídeo, questionou sobre um código aleatório gerado por algoritmo que faria menção a Lula e ao PT. Segundo ele, a condenação é um mal-entendido. >
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