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Polícia prende suspeito apontado como chefe do tráfico em Andorinhas

O detido é investigado como participante em ataques a organizações criminosas rivais, além de troca de tiros com a PM. A prisão aconteceu em um sítio em Marechal Floriano

Publicado em 28/04/2021 às 20h41
Viatura da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo
Polícia prende suspeito apontado como chefe do tráfico em Andorinhas. Crédito: Carlos Alberto Silva | Arquivo

Polícia Civil, por meio da equipe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) prendeu, nesta quarta-feira (28), um suspeito de 29 anos, apontado como chefe do tráfico de drogas do bairro Andorinhas, em Vitória. A prisão aconteceu em um sítio na região de Bom Jesus, em Marechal Floriano.

Segundo fontes da área de segurança pública, o suspeito é Rhaony Hansen Cordeiro Soares. Ele é investigado como participante em ataques a organizações criminosas rivais, além de troca de tiros com a Polícia Militar. Rhaony foi preso em um sítio que ele comprou por mais de R$ 200 mil, pagando em espécie.

A polícia apreendeu 93 armas de fogo na região de Andorinhas apenas entre janeiro e março deste ano. Os episódios de intimidação, com tiroteios e ostentação de armamentos, têm sido constantes. No mesmo período, 550 pessoas foram encaminhadas à delegacia. O secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, revelou, no último dia 22, que os criminosos já são monitorados na internet.

"Nós dependemos do Poder Judiciário, do Ministério Público, para que possamos concluir prisões em cima das investigações. Muitas das prisões que realizamos já foram feitas em cima dessas informações trabalhadas pelas nossas polícias", disse. Segundo o secretário, as polícias Civil e Militar têm atuado nos bairros Andorinhas, Bonfim, Itararé, Gurigica, da Penha, Consolação e São Benedito.

RELEMBRE EPISÓDIOS NA REGIÃO

Um dos episódios teve início em uma madrugada de terror, no último dia 16, com um intenso tiroteio entre facções rivais na disputa pelo tráfico de drogas da região. O barulho tirou o sono de moradores de Andorinhas e até dos que vivem bairros vizinhos, como Jardim da Penha, de onde também foi possível ouvir as rajadas de tiros. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) declarou, na manhã daquele dia, que se tratava de um conflito de criminosos do local com os de Santa Martha. Quando a polícia chegou a Andorinhas devido ao tiroteio, as duas facções começaram a atirar nos militares, marcando o segundo confronto daquela madrugada.

Pouco depois, moradores de Andorinhas passaram por mais momentos de tensão, já no dia 19 deste mês de abril. Uma mulher desacatou policiais que faziam abordagem na região e foi detida, causando protesto. Para dispersar a população, a Polícia Militar usou balas de borracha.

A reportagem de A Gazeta recebeu denúncias de novos tiroteios na mesma ocasião, o que não foi confirmado pela polícia, nem pela liderança comunitária do bairro que, na hora do tumulto, não estava na comunidade. Também foram compartilhados áudios, semelhantes a estouro de bombas e fogos de artifício.

Em mensagens para a reportagem, moradores mostraram-se indignados com a atuação policial, que teria direcionado os disparos de balas de borracha para as pessoas.

RIVALIDADE ENTRE FACÇÕES

A amostra de armas, tiros e "soldados" faz parte de uma tentativa de intimidar a gangue rival que trafica na área de Mangue Seco e Andorinhas, e tem apoio armado de traficantes de Cariacica. Como já publicado por A Gazeta, em setembro de 2019, eles formam o Terceiro Comando Puro, o TCP.

Essa facção se originou após um racha dentro do grupo rival, apoiado pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV). “A disputa não é por um ponto de venda em si, mas sim pela resistência. Andorinhas não se alinha com o comando do PCV, não aceita as ordens”, explicou o Tenente Almeida na época, quando atuava na região.

O PCV é uma organização criminosa mantida pelo tráfico de drogas que domina todo o Complexo da Penha. Entre os bairros compreendidos nessa área estão o Bairro da Penha, Gurigica, São Benedito, Bonfim e Itararé. Atualmente, o gerenciamento do PCV está nas mãos de Fernando Moraes Pimenta, o Marujo, que está foragido. Ela é o segundo na linha de chefes da organização criminosa, ficando atrás apenas de Carlos Alberto Furtado da Silva, o Beto, preso no Presídio de Segurança Máxima II.

Marujo oferece apoio aos chefes do tráfico de Itararé e do Morro do Macaco, os chamados “Irmãos Vera”, que fazem o comércio de drogas com o PCV.

A caminhada aterrorizante dos criminosos de Itararé, Morro do Macaco e Santa Martha, na madrugada do último dia 16, foi uma forma de deixar o recado para o TCP. O motivo foi o fato de Gabriel Alves de Oliveira, 17 anos, ter sido morto em plena luz do dia, na pracinha de Itararé. Ele chegou a ser levado para um hospital particular, mas já chegou sem vida. O crime foi na manhã de quinta-feira (15) e foi cometido pelos ocupantes de um carro.

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