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Polícia prende colombianos suspeitos de agiotagem em Colatina

Os dois homens, de 23 e 29 anos, foram detidos em flagrante e a polícia investiga se eles fazem parte da máfia que teve membros presos no Estado em setembro deste ano

Publicado em 08/10/2020 às 20h31
Atualizado em 08/10/2020 às 23h37
Materiais apreendidos pela Polícia Civil
A polícia prendeu dois colombianos acusados de agiotagem em Colatina. Crédito: Divulgação/PCES

Polícia Civil prendeu em flagrante nesta quarta-feira (7) dois colombianos de 23 e 29 anos, acusados de agiotagem. Eles foram detidos em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo e, segundo a polícia, estavam nos estabelecimentos comerciais das vítimas. A PC afirmou também que ainda investiga se eles fazem parte da mesma organização criminosa que teve membros presos em setembro deste ano.

Com um dos detidos, a polícia apreendeu panfletos de propagandas de empréstimos, vários cartões utilizados para formalização e cobrança das dívidas, cadernos de contabilidade com anotações dos devedores e valores emprestados, além de uma pequena quantidade de maconha. Com o outro suspeito,  a equipe apreendeu dinheiro e um celular, logo depois que ele fez a cobrança de uma das vítimas, segundo a polícia.

De acordo com o delegado Ricardo de Oliveira Barbosa, titular da Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Colatina, ainda foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Linhares, no Norte do Estado. Os suspeitos possuíam uma casa no município e a polícia acredita que eles tenham fugido às pressas.

"Os apartamentos que foram alvos das buscas haviam sido abandonados pelos moradores. Tivemos informações de que os suspeitos deixaram a cidade às pressas. Na fuga, deixaram para trás um cão da raça American Bully, que foi encaminhado ao Controle de Zoonoses, e posteriormente doado a um agente da segurança pública”, afirmou.

O delegado afirmou ainda que as vítimas, donas de uma padaria e um salão de beleza, foram encaminhadas à delegacia junto com os suspeitos, já que os estabelecimentos eram alvo de buscas para levantar informações contra os investigados. Ricardo Barbosa ainda informou que os suspeitos responderão pelo crime de agiotagem em liberdade.

"Eles assinaram um termo de compromisso e, por enquanto, responderão o processo em liberdade, pois agiotagem é crime de menor potencial ofensivo. As investigações continuam para descobrirmos os demais integrantes dessa organização criminosa”, explicou.

O delegado Ricardo Barbosa completou, dizendo que a Polícia Civil ainda não possui indícios de que os dois homens detidos nesta quarta-feira (7) façam parte da mesma organização criminosa que foi alvo de uma operação em setembro deste ano. Na ocasião, durante colativa de imprensa, a polícia afirmou que acreditava que a máfia de agiotagem poderia atuar em todo o Espírito Santo.

OPERAÇÃO CARTAGENA

No mês de setembro, a polícia cumpriu 7 mandados de prisão e outras 13 pessoas foram presas em flagrante em Vila Velha, Aracruz e Itaipava, distrito de Itapemirim, durante a Operação Cartagena, que investigou uma máfia internacional de agiotagem. A polícia afirmou, durante coletiva de imprensa na ocasião, que as apurações apontavam que a organização criminosa poderia ter atuação em todo o Espírito Santo.

A polícia classificou a máfia como bem organizada, com partes exclusivamente administrativas e outras dedicadas unicamente à utilização de força para extorquir as vítimas. Foram encontrados cerca de R$ 280 mil em notas promissórias em posse de membros da quadrilha, além de 32 documentos de veículos que a polícia acredita serem garantias de vítimas que não tinham dinheiro para pagar os empréstimos.

ATUAÇÃO DA MÁFIA PODE TER CAUSADO SUICÍDIOS NO ES

A Polícia Civil informou que pessoas podem ter tirado a própria vida por não conseguirem quitar empréstimos realizados com a quadrilha internacional de agiotagem investigada durante a Operação Cartagena. O secretário de Segurança Pública do Estado, Alexandre Ramalho, classificou a atuação da quadrilha como "perversa" e informou que os alvos eram principalmente pessoas humildes, que buscavam empréstimos de baixo valor. O secretário completou, dizendo que os membros utilizavam violência psicológica e ameaças, inclusive com armas de fogo, para pressionar as vítimas para que quitassem os débitos.

Já o delegado do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), João Francisco afirmou, porém, que algumas dessas pessoas ainda assim não conseguiram quitar os débitos.

"As investigações continuam, há outros crimes a se apurar. Temos elementos que informam que tiveram pessoas que tiraram a própria vida porque não conseguiram pagar essa dívida. É um caso grave, que estamos investigando a correlação destes fatos”, disse o delegado.

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