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Investigação continua

Máfia internacional de agiotagem pode ter levado a suicídios no ES

A Polícia Civil afirmou que vai investigar casos de pessoas que podem ter tirado a própria vida porque não conseguiram pagar as dívidas

Publicado em 10 de Setembro de 2020 às 19:40

Redação de A Gazeta

Publicado em 

10 set 2020 às 19:40
Um dos mandados é cumprido em Vila Velha
Polícia deflagra uma operação contra uma máfia internacional que atua no ES Crédito: Reprodução/ TV Gazeta
A Polícia Civil informou que pessoas podem tirado a própria vida por não conseguirem quitar empréstimos realizados com uma quadrilha internacional de agiotagem que atua, a princípio, em pelo menos três municípios do Espírito Santo. Nesta quinta-feira (10), 13 membros da organização criminosa foram presos durante a Operação Cartagena em Vila Velha, Aracruz e Itaipava, distrito de Itapemirim.
Máfia internacional de agiotagem pode ter levado a suicídios no ES
O secretário de Segurança Pública do Estado, Alexandre Ramalho, classificou a atuação da quadrilha como "perversa" e informou que os alvos eram principalmente pessoas humildes, que buscavam empréstimos de baixo valor. O secretário completou, dizendo que os membros utilizavam violência psicológica e ameaças, inclusive com armas de fogo, para pressionar as vítimas para que quitassem os débitos. 
De acordo com a Polícia Civil, foram apreendidos 32 documentos de veículos que serviriam como pagamentos das dívidas adquiridas pelas vítimas com a quadrilha, além de cerca de R$ 280 mil em notas promissórias. O delegado do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), João Francisco afirmou, porém, que algumas pessoas ainda assim não conseguiram quitar os débitos.
"As investigações continuam, há outros crimes a se apurar. Temos elementos que informam que tiveram pessoas que tiraram a própria vida porque não conseguiram pagar essa dívida. É um caso grave, que estamos investigando a correlação destes fatos”, disse o delegado.
Leque de talões de notas promissórias apreendidos pela polícia
Cerca de R$ 280 mil reais em notas promissórias foram apreendidos pela polícia Crédito: Daniel Pasti
A divulgação dos serviços da organização criminosa era feita através de panfletagem, segundo a polícia. Uma integrante - a única brasileira do grupo - distribuía cartões de visitas com promessas de facilitações no pagamento das dívidas, o que não se confirmava após os empréstimos serem realizados.
Segundo a polícia, trata-se de uma quadrilha bem organizada, com divisões específicas para as partes administrativas e outros membros focados exclusivamente no uso da força para extorquir as vítimas. A Polícia Civil revelou também que a máfia atua em todo o Brasil, além de, possivelmente, outros municípios do Espírito Santo.
A Polícia Civil divulgou que os 13 membros da quadrilha presos nesta quarta-feira (10) serão indiciados por associação criminosa, mas ainda serão investigados por outros crimes, como lavagem de dinheiro e extorsão.
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