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PM morto em padaria de Vila Velha sofreu atentado em 2009

Na época, Mario André do Carmo Morandi chegou a dar entrevista e contou detalhes do atentado, que deixou quatro pessoas baleadas no bairro Terra Vermelha; veja

Publicado em 09/07/2020 às 16h33
Atualizado em 09/07/2020 às 16h51
O PM Mário André Morandi sofreu atentado em Terra Vermelha, Vila Velha, em 2009
O PM Mário André Morandi sofreu atentado em Terra Vermelha, Vila Velha, em 2009. Crédito: Arquivo | A Gazeta / Reprodução

O policial militar da reserva, Mario André do Carmo Morandi, que foi assassinado dentro de uma padaria no bairro Itapoã, em Vila Velha, na noite da última terça-feira (7), já havia sofrido um atentado em 2009, na região de Barramares, em Terra Vermelha, no mesmo município.

O crime aconteceu no dia 13 de novembro daquele ano. Na ocasião, um tiroteio no meio da rua deixou pelo menos quatro pessoas baleadas, um carro destruído, dois caminhões danificados e os moradores assustados, em silêncio.

De acordo com uma matéria veiculada na época pelo Gazeta Online, - antigo portal de A Gazeta - o crime aconteceu por volta das 8 horas, na Rua Califórnia, mas também houve tiroteio em outras ruas próximas. Mário Morandi chegou a relatar que dois criminosos haviam o reconhecido como policial ao tentar ultrapassar o carro dele e atiraram para matá-lo.

Mario André do Carmo Morandi

PM da reserva assassinado em Vila Velha

"Ele reduziu a velocidade e se postou atrás do meu carro. Então, os dois começaram a atirar contra mim. Estava desarmado e tudo o que eu podia fazer era tentar provocar um erro deles, de forma que eles se acidentassem. E foi o que aconteceu"

O Uno bateu em dois caminhões estacionados na rua e capotou. Apesar disso, os dois ocupantes conseguiram fugir sem ferimentos, de acordo com o soldado. No carro em que os criminosos estavam havia perfurações de tiros, mas o policial disse, na época, que estava desarmado e não sabia quem havia atirado contra os suspeitos.

Arquivo | A Gazeta

NOVO TIROTEIO

Ainda à reportagem, Morandi contou que naquele dia, os bandidos correram pelas ruas do bairro, roubaram uma moto e retornaram para o local onde o carro capotou. Lá houve um novo tiroteio e o amigo de Morandi, que estava com ele no carro, foi atingido nas costas.

Outros dois moradores  da região foram baleados, um com tiro no ombro e outro no pé. O quarto ferido foi encontrado pela PM em uma casa na Rua Botafogo, transversal à Califórnia, onde estava escondido.

Naquele dia, todos foram socorridos e depois levados para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para prestar depoimento sobre o caso, inclusive o soldado Morandi.

MARCAS DE TIROS

Várias marcas de tiros foram localizadas em pontos situados até 100 metros do local inicial do tiroteio, na Avenida Califórnia. Nem mesmo as paredes da Igreja Católica do bairro escaparam das balas. Pelo menos cinco marcas de tiros eram visíveis. Pela forma como as perfurações estavam, davam a entender que alguém foi perseguido pelo terreno, enquanto fugia das balas.

Também havia marcas de tiros nas paredes da loja de materiais de construção e no retrovisor de um dos caminhões atingidos pelo Fiat Uno, durante o tiroteio. Assustados, os moradores preferiam não falar muito. Meninos que jogavam bola em um campo de futebol precisaram correr para se proteger, assim que os tiros começaram.

Uma moradora disse que os disparos eram tantos, que pareciam “milho de pipoca estourando”. Já os moradores de uma casa na Rua Botafogo passaram pelo drama de ter o imóvel invadido por um dos feridos, que buscava proteção.

MORANDI ERA SUPOSTO ALVO

Data: 12/11/2009 - ES - Vila Velha - Mário Morandi, policial militar que trocou tiros com bandidos na Avenida  Califórnia, bairro Barramares, Vila  Velha - Editoria: Polícia - Foto: Nestor Müller - NA
Data: 12/11/2009 - ES - Vila Velha - Mário Morandi, policial militar que trocou tiros com bandidos na Avenida Califórnia, bairro Barramares, Vila Velha - Editoria: Polícia - Foto: Nestor Müller - NA. Crédito: Nestor Muller/Arquivo A Gazeta

Ainda nervoso com o que havia acontecido, o soldado Mário Morandi, que teria sido o alvo principal dos disparos em Barramares, falou a respeito do atentado sofrido. Ele aproveitou para fazer um desabafo, criticando o comando da PM na época, que havia retirado sua arma desde que ele entrou de licença. Veja a entrevista.

Como foi o atentado?

Só sei que os ocupantes do Uno me reconheceram, quando tentaram ultrapassar do carro.

O que eles fizeram?

O carona falou meu nome. Aí o motorista reduziu, se posicionou atrás do meu carro e eles começaram a atirar.

Você reagiu?

Como? Eu estava desarmado, porque estou de licença médica e a Polícia Militar retirou minha arma.

Como conseguiu fugir dos tiros?

Desarmado, eu só podia fazer manobras evasivas, tentando provocar um erro deles, de forma a se acidentarem, o que acabou acontecendo.

Mas o Uno tem marcas de tiros, inclusive na traseira. Quem atirou no carro?

Não sei. Eu não fui.

Pode ter havido confronto com algum rival dos criminosos, após o atentado?

Talvez, mas não posso afirmar. Sei que eles entraram no bairro, tomaram uma motocicleta de assalto e voltaram aqui. Foi quando balearam um amigo meu.

Você imagina porque tentaram te matar?

Sou conhecido aqui, pois trabalhei na 4ª Companhia e participei da prisão de 13 integrantes da conhecida gangue da cabeça. Meu trabalho, com certeza, desagradou muita gente dessa região.

Você não acha arriscado andar desarmado em um bairro considerado perigoso?

O que é que eu posso fazer? O comando da Polícia Militar é que propiciou isso, pois retirou minha arma há três meses. Estou em licença médica, mas os bandidos não querem saber disso.

MORANDI SE RECUSOU A FAZER TESTE

Mário Morandi, que teria sido o alvo dos disparos, se recusou a fazer o exame residográfico na ocasião, que verifica a presença de restos de pólvora nas mãos. Ele chegou a prestar depoimento na Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Vila Velha.

No local onde houve os disparos, Morandi negou que estivesse armado. Devido à licença médica, ele estava impedido de usar armas da corporação.

Em nota à imprensa, a PM informou na época que entre os fatores que restringiram a permanência da arma estava a dispensa médica por problemas psiquiátricos.

Data: 12/11/2009 - ES - Vila Velha - Fiat Uno placas MPY-8584, que estava com bandidos que trocaram tiros com policiais militares, tombado na Avenida Califórnia, bairro Barramares, Vila Velha - Editoria: Polícia - Foto: Nestor Müller - NA
Data: 12/11/2009 - ES - Vila Velha - Fiat Uno placas MPY-8584, que estava com bandidos que trocaram tiros com policiais militares, tombado na Avenida Califórnia, bairro Barramares, Vila Velha - Editoria: Polícia - Foto: Nestor Müller - NA. Crédito: Nestor Muller/Arquivo A Gazeta

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