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PM e morte em festa: juiz questiona legítima defesa, mas caso é arquivado

PM e morte em festa: juiz questiona legítima defesa, mas caso é arquivado

Magistrado pediu reavaliação do MPES ao apontar divergências entre o depoimento do policial e os relatos de testemunhas; ele também questionou a quantidade de tiros

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 17:35

Fernando da Silva Santos, de 32 anos, morto por policial militar no bairro Grande Vitóri
Fernando da Silva Santos tinha 32 anos e comemorava aniversário de um tio Crédito: Redes sociais

O Ministério Público do Espírito Santo arquivou a investigação sobre um pintor que foi morto a tiros por um policial militar durante uma festa de aniversário em Vitória. A Polícia Civil concluiu que o PM agiu em legítima defesa, conforme divulgado em primeira mão pela colunista Vilmara Fernandes, de A Gazeta. 

No entanto, o juiz Enéas Miranda, da 1ª Vara Criminal de Vitória, chegou a pedir ao MPES uma reavaliação, apontando divergências entre o depoimento do policial e os relatos de testemunhas. Ele também questionou a quantidade de disparos efetuados, mas o órgão manteve a decisão anterior e o caso foi arquivado. 

Fernando trabalhava como pintor e comemorava o aniversário de um tio em um churrasco quando se envolveu em uma discussão com um vizinho. Segundo a família, o desentendimento começou porque o homem não havia sido convidado e estava alterado. Foi neste contexto que o soldado Wewerson Dias Quedevez, que visitava parentes no bairro, se envolveu na situação.

Em depoimento, o policial afirmou que atirou ao ver Fernando armado e avançando na direção dele. A família contesta essa versão e afirma que a arma era falsa. A irmã da vítima, que não quis ter o nome divulgado, questiona a conduta do militar. “A única pessoa que disse que o Fernando estava com a arma em punho foi o policial. As testemunhas disseram que ele estava com a arma na cintura e levantou as mãos quando o policial se identificou. Qual foi a necessidade de tantos tiros?”, disse em entrevista ao repórter André Afonso, da TV Gazeta.

O juiz que pediu a reavaliação do MPES também destacou o relato de testemunhas sobre Fernando não ter sacado a arma nem avançado contra o policial. O magistrado ainda questionou se o número de disparos (quatro, segundo laudo cadavérico) seria compatível com a versão de legítima defesa e que avaliou que as provas reunidas não eram suficientes para afastar dúvidas sobre a conduta do militar.

O que dizem as partes

■ O advogado da família do pintor, Braz Rafael Côgo, diz que não concorda com o arquivamento e vai recorrer.

■ A Polícia Civil informou que considera concluída a atuação no caso e que não irá se manifestar sobre a esfera judicial.

■ O MPES reforçou a conclusão de que não há indícios de irregularidades e que o PM agiu em legítima defesa.

■ O Tribunal de Justiça do Espírito Santo foi procurado pela reportagem, mas não deu retorno.

■ A reportagem tenta localizar a defesa do policial militar. O espaço segue aberto para manifestação. 

(Com informações do repórter André Afonso, de A Gazeta)

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