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Plano para comprar fuzis para traficantes da Serra partiu de presídio no RJ

Plano para comprar fuzis para traficantes da Serra partiu de presídio no RJ

Diego Augusto da Silva Andrade, vulgo Astro, de 31 anos, foi quem ordenou o envio de R$ 200 mil da Serra para a Rocinha, no Rio de Janeiro, segundo a Polícia Civil

Mikaella Mozer

Repórter / [email protected]

Publicado em 4 de março de 2026 às 19:14

Diego Augusto da Silva Andrade, vulgo Astro, de 31 anos, foi quem ordenou o envio de R$ 200 mil da Serra para o RJ, segundo a Polícia Civil
Diego Augusto da Silva Andrade, vulgo Astro, de 31 anos, foi quem ordenou o envio de R$ 200 mil da Serra para o RJ, segundo a Polícia Civil Crédito: Divulgação | Polícia Civil

De um presídio no interior do Estado do Rio de Janeiro partiu a ordem do envio de R$ 200 mil reais do Espírito Santo para a Rocinha, em terras fluminenses, para a compra de fuzis. Depois da aquisição, as armas seriam enviadas para o bairro Planalto Serrano, na Serra. O roteiro feito por Diego Augusto da Silva Andrade, vulgo Astro, de 31 anos, de dentro da cela de um presídio para fortalecer o tráfico de drogas na região.

Apesar da tentativa, o plano acabou frustrado após a intercepção do carro que levava a quantia pela BR 101, no bairro Vila Capixaba, em Cariacica, na Grande Vitória, pela Polícia Penal. As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (4).

A delegada Gabriela Enne, do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), explicou que Diego é integrante da facção do Terceiro Comando Puro. O presidiário lidera o bairro capixaba do RJ, onde está preso desde 2025 após fugir de uma cadeia capixaba em 2021, onde cumpria pena por associação ao tráfico e tráfico de drogas.

Além de esquematizar a compra, ele também planejava fugir da cadeia com outros detentos para morar na Rocinha. Com o valor enviado, os criminosos poderiam comprar de quatro a seis armas, de acordo com a delegada. A quantidade certa dependeria do valor negociado entre os criminosos e o porte da arma.

Coletiva de imprensa com a Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal sobre a apreensão de R$ 200 mil reais que seriam usados para comprar fuzis no Rio de Janeiro
Coletiva de imprensa com a Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal sobre a apreensão de R$ 200 mil reais que seriam usados para comprar fuzis no Rio de Janeiro Crédito: Divulgação | Polícia Civil

O planejamento acabou descoberto após a Operação Fim da Rota, deflagrada na quinta-feira (26) nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A ação era para prender criminosos “invisíveis”, ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP) — investigados sem antecedentes criminais, que vivem fora de comunidades dominadas por facções.

Batedor para disfarçar

A informação sobre o esquema chegou por meio do serviço de inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A partir dos detalhes, formou-se uma parceria entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Polícia Penal e a corporação civil e descobriram a participação de Diego. Durante a investigação, as equipes identificaram quatro carros saindo de Planalto Serrano. Os veículos seriam parte do esquema, conforme explicou a delegada.

“O objetivo deles era ter alguns carros de batedor para serem abordados sem ter nada dentro e, assim, abrir espaço para o automóvel com o dinheiro. Por isso, só no terceiro veículo (que saiu de Planalto Serrano) identificamos o dinheiro. O quarto não encontramos”, frisou Enne.

Cenário montado

Os R$ 200 mil estavam guardados em uma bolsa infantil no porta-malas do carro, onde estavam um bebê em uma cadeirinha e um casal. Em um primeiro momento, ele disse à Polícia Penal, que realizou a abordagem, estar indo ao RJ a passeio. Depois mudou a versão e falou estar levando o dinheiro para comprar uma casa na Região dos Lagos. Já nos outros veículos parados pela PP nada foi encontrado.

Como nenhum deles possui passagem criminal, além da imagem familiar formada pelos passageiros do automóvel onde estava a quantia, a polícia suspeita de um cenário montado.

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