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Com destino ao RJ

Polícia intercepta R$ 200 mil que seriam levados do ES para compra de fuzis na Rocinha

Dinheiro saiu da Serra e foi apreendido na BR 101, em Cariacica; valor seria destinado a criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP) em troca de armamento pesado

Publicado em 04 de Março de 2026 às 11:50

Júlia Afonso

Publicado em 

04 mar 2026 às 11:50
Viatura da Polícia Civil
Viatura da Polícia Civil Crédito: CArlos Alberto Silva
Traficantes do bairro Planalto Serrano, na Serra, colocaram R$ 200 mil em um veículo com a intenção de levar o dinheiro até a Rocinha, no Rio de Janeiro, onde seriam compradas armas, especialmente fuzis, para fortalecer o tráfico na Serra. A tentativa, no entanto, não teve sucesso: a quantia foi interceptada na BR 101, nas proximidades de Vila Capixaba, em Cariacica, na última sexta-feira (27). 
Segundo as investigações, o responsável por coordenar a ação é Diego Augusto da Silva Andrade, vulgo Astro, de 31 anos. Ele é apontado como o chefe do tráfico de drogas em Planalto Serrano e está preso no interior do Rio de Janeiro desde o ano passado, após escapar do sistema prisional capixaba.
Diego Augusto da Silva Andrade, vulgo Astro, de 31 anos, é apontado como chefe do tráfico de Planalto Serrano, na Serra Crédito: SESP/Divulgação
O envio do dinheiro ocorreria após a Operação Fim da Rota, deflagrada na quinta-feira (26) nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com o objetivo de prender criminosos “invisíveis”, ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP) — investigados sem antecedentes criminais, que vivem fora de comunidades dominadas por facções.
De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), delegado Luiz Gustavo Ximenes, depois da operação, a equipe recebeu a informação, do serviço de inteligência da Polícia Civil do Rio de Janeiro, de que um indivíduo sairia de Planalto Serrano com veículos com placas clonadas, com destino ao Estado fluminense. Foi feito contato com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e com a Polícia Penal, e descobriu-se, então, o envolvimento de Diego (Astro).
Ainda de acordo com o delegado, o traficante preso seria mandante de diversos crimes de homicídio no Espírito Santo e estaria planejando uma fuga do presídio em que se encontra no Rio de Janeiro. "A investigação ainda está em andamento, temos informações preliminares e agora estamos aprofundando. Foi uma atuação conjunta e integrada dos órgãos de segurança pública.”

Dinheiro escondido em bolsa de criança

A tentativa de levar o dinheiro ao Rio de Janeiro demandou uma série de estratégias da organização criminosa, que usou mais de um veículo para tentar despistar a polícia e até escondeu o dinheiro em uma bolsa de criança.
O chefe da delegacia da Polícia Rodoviária Federal em Viana, Marcel Haase, explicou que três carros foram identificados no cerco montado pela PRF, com ajuda da Polícia Penal, que entrou no caso devido ao envolvimento de Astro, evadido do sistema prisional.
"Inicialmente seriam quatro carros. Chegou-se à conclusão de que eram três, sendo dois abordados pela Polícia Rodoviária Federal e esse terceiro, onde estava o dinheiro, abordado pela Polícia Penal. Esse dinheiro estava acomodado em uma bolsa de criança e, no veículo, estavam uma senhora no banco traseiro e um bebê de oito meses no bebê conforto (para não levantar suspeitas). Deu para perceber que é uma quadrilha muito bem estruturada. A maioria dos veículos com casais, para despistar a polícia, sem insulfilm (película nos vidros). Veículos que passariam despercebidos", apontou.
O carro foi recolhido, e o dinheiro, além de apreendido, foi depositado em juízo. Já as pessoas que estavam nos veículos foram conduzidas à delegacia, ouvidas e liberadas.
"Não tem como autuar nenhum deles por algo que ia acontecer. Quem estava no carro com dinheiro chegou a alegar que esses R$ 200 mil eram para comprar casa na Região dos Lagos e iria ver a casa, para ver se iria gostar e comprar o imóvel. Perguntamos se estava em contato com a imobiliária, se tinha visto algum anúncio, e não. Ele estava muito nervoso", declarou a delegada do DEHPP, Gabriela Enne.

Mais sobre a Operação Fim da Rota

Cerca de 11 policiais do Rio de Janeiro vieram ao Espírito Santo para a ação
Cerca de 11 policiais do Rio de Janeiro vieram ao Espírito Santo para a ação Crédito: Archimedes Patricio
Os investigados, apesar de manterem uma rotina aparentemente comum, são apontados como integrantes de um esquema de tráfico interestadual de drogas e armas, principalmente fuzis.
A operação ocorreu nos municípios de São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da capital do Rio de Janeiro, e também nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. No território capixaba, as ações se concentraram em Montanha, Serra, Guarapari, Vitória, Vila Velha e Cariacica, onde houve apreensões de maconha, haxixe e haxixe paquistanês.
Cinco pessoas foram presas no Espírito Santo, entre elas um videomaker de 29 anos, em Cariacica, além de uma publicitária de 27 anos, uma cozinheira de 50 e um mecânico de 27 anos, os três na Serra. Todos foram encaminhados ao Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), em Vitória.
De acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, as investigações revelaram uma estrutura hierarquizada, com divisão clara de tarefas e atuação coordenada entre os três estados. As apurações começaram em 2023, após a prisão de um traficante que saía do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, transportando armas para Cariacica.
As equipes mapearam movimentações suspeitas, incluindo o uso de criptoativos, empresas de fachada e contas em nome de “laranjas”. O rastreamento permitiu identificar facilitadores financeiros e proprietários formais de bens utilizados para dar aparência de legalidade aos lucros do tráfico — justamente investigados que, até então, não possuíam registros criminais.
As investigações também apontam que o líder do grupo coordenava as ações de dentro do Complexo da Maré. Para driblar a fiscalização, o operador central fazia a ligação entre fornecedores no Rio de Janeiro e distribuidores em outros estados, utilizando fachada comercial para transportar fuzis do tipo AR-10 e grandes carregamentos de drogas. Ele também seria responsável por recrutar novos integrantes para a cadeia logística do esquema.

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