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Menina espancada e morta na Serra pode ter sido vítima de abuso sexual

Termos da decisão da juíza Raquel de Almeida Valinho – que manteve a prisão do padrasto de Aghata – narraram a hipótese de a menina também ter sido vítima de violência sexual, situação levantada por médico que analisa a causa da morte

Publicado em 20/10/2020 às 17h09
Atualizado em 20/10/2020 às 21h20
Aghata Vitória Santos Godinho, de 5 anos, morta após ter sido espancada
Aghata Vitória Santos Godinho, de 5 anos, morta após ter sido espancada. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

Em audiência de custódia realizada nesta terça-feira (20) sobre o caso envolvendo a criança de 5 anos que foi morta por espancamento na Serra na tarde desta segunda-feira (19), os termos da decisão da juíza Raquel de Almeida Valinho narraram a hipótese de Aghata Vitória Santos Godinho também ter sido vítima de violência sexual, situação levantada por médico que analisa a causa da morte.

O padrasto da criança, Elisnai Borges Eloy, de 35 anos, é o principal suspeito do crime de homicídio qualificado por motivo fútil, mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima, e seguirá preso preventivamente após determinação da magistrada. O homem foi levado para o presídio na manhã desta terça-feira (20). Confira trecho da decisão judicial:

"No local, o autuado foi detido e negou os fatos, mas em sede de interrogatório preferiu ficar em silêncio. Para sanar a causa da morte da vítima, os policiais se deslocaram ao DML e conversaram com o médico legista Cassio Luiz, tendo este afirmado que a criança foi espancada até a morte, havendo, ainda, a suspeita da criança ter sido violentada pelo ânus, o que poderia ser confirmado apenas após exames complementares. Em pesquisas realizadas nos sistemas judiciais não foram encontrados registros criminais do autuado".

Demandada pela reportagem de A Gazeta, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) informou que o acusado já se encontra preso preventivamente no Centro de Triagem de Viana.

Também procurada, a Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM). O padrasto da criança foi autuado em flagrante pelo crime de homicídio qualificado e encaminhado ao Centro de Triagem de Viana. "O corpo da vítima foi encaminhado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória para ser feito o exame cadavérico, e o prazo para a conclusão do laudo é de 30 dias. Outras informações não serão repassadas para que a apuração dos fatos seja preservada", disse a PC, em nota.

ENTENDA O CASO

Segundo informações da ocorrência registrada no Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), a criança, com hematomas na cabeça, na barriga e nas mãos, foi socorrida para a base da Eco101, onde foi constatado o óbito. Aghata foi levada pela mãe ao local, já desacordada. A família mora próximo à BR 101, que é administrada pela concessionária. Os médicos tentaram reanimar a criança por duas horas, mas a menina não resistiu.

A mãe contou que saiu de casa e deixou a criança com o padrasto. Depois, a mulher recebeu uma ligação da irmã dizendo que o cunhado disse que a enteada tinha passado mal depois de almoçar e não estava acordando.

Ao ter se dirigido o próprio padrasto à base da Eco101, foi questionado sobre o que teria ocorrido com a menina. Elisnai não soube explicar os hematomas e disse que a criança passou mal depois do almoço. O suspeito foi então levado para a delegacia e autuado por homicídio qualificado por motivo fútil com impossibilidade de defesa da vítima. A mãe da criança também foi ao DML para liberar o corpo da filha.

HEMATOMA NA PERNA

Um tio materno de Aghata Vitória Santos Godinho, de 5 anos, revelou que a menina apresentou hematoma na perna há cerca de uma semana. A menina será sepultada às 16h desta terça-feira (20) no cemitério do bairro São Domingos, no mesmo município em que ocorreu o crime.

Na tarde desta terça-feira, por telefone, o tio de Aghata disse que a irmã dele ainda não conseguiu contar detalhes do dia do crime à família. Ela contou que saiu de casa por volta das 14h para ir em uma aula de autoescola e deixou a filha com o companheiro.

SUSPEITO NEGA AGRESSÃO

O padrasto, apontado como principal suspeito do crime, negou que tenha agredido a menina e disse que ela passou mal depois de almoçar. O homem, de 35 anos, é aposentado por invalidez por não ter uma mão. No posto da Eco101, o suspeito não soube explicar os hematomas. Já na delegacia, ele ficou calado, segundo policiais civis. 

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