Gabriela Chermont: após 24 anos do crime no ES, ex-namorado é condenado

Júri popular durou três dias e terminou na noite desta quinta-feira (12); Luiz Claudio Ferreira Sardenberg foi condenado por homicídio e preso logo após o julgamento

Vitória
Publicado em 12/11/2020 às 21h59
Atualizado em 12/11/2020 às 23h59
Gabriela Chermont morreu na madrugada de 21 de setembro de 1996
Gabriela Chermont morreu na madrugada de 21 de setembro de 1996. Crédito: Arquivo da família

Após 24 anos desde a morte de Gabriela Chermont, em Vitória, o julgamento do ex-namorado da jovem, Luiz Claudio Ferreira Sardenberg, chegou ao fim nesta quinta-feira (12). Ele foi condenado por homicídio a 23 anos e 3 meses de prisão. Luiz Claudio já saiu preso do Fórum Criminal de Vitória, por volta das 22h desta quinta, após três dias de julgamento. 

Luiz Claudio Sardenberg deixa Fórum depois de ser condenado pela morte de Gabriela Schermon
Luiz Claudio Sardenberg deixa Fórum depois de ser condenado pela morte de Gabriela Chermont. Crédito: Carlos Alberto Silva

Gabriela morreu após cair do décimo segundo andar de um hotel em Vitória, na madrugada de 21 de setembro de 1996. O júri popular, que havia sido adiado 9 vezes, teve a duração de três dias. Sete jurados — quatro mulheres e três homens — foram sorteados para participar do júri popular e definir o destino do réu. 

A tese da acusação, desenvolvida pelo Ministério Público junto à assistência de acusação, contratada pela família da vítima, sustentou a impossibilidade de suicídio, haja vista que Gabriela nunca enfrentou depressão, tendo sido uma jovem feliz e cheia de amigos.

Além disso, a acusação apontou o uso de drogas como cocaína pelo réu, somado ao uso de álcool, o que pode ter contribuído para a ação violenta de Luiz Cláudio.

Já a defesa, sustentada pelo advogado Raphael Câmara, apontou a tese de suicídio pela vítima, que teria mantido um relacionamento saudável de quatro anos com Luiz Cláudio.

No entendimento do juri, Luiz Claudio Ferreira Sardenberg agrediu e jogou Gabriela Regattieri Chermont da sacada do 12º andar.  Questionado, o advogado do réu se limitou a afirmar que pretende recorrer da decisão.

"Três dias de muita luta. Conseguimos provar que, realmente, o réu é culpado. Ele matou Gabriela de forma fria, calculista, por motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vitima. Provamos que inúmeras lesões foram causadas antes da queda. Sardenberg, antes de matar Gabriela, ele a torturou. Motivo pelo qual o Conselho de Sentença reconheceu que ele bateu e, na sequência, jogou Gabriela", disse Cristiano Medina, advogado da família de Gabriela.

Segundo o advogado, o conjunto de provas havia sido produzido de forma unilateral, atendendo aos interesses da defesa. "Foi muito difícil. Inúmeras perícias levaram em consideração apenas a versão trazida pelo réu, mas felizmente conseguimos no decorrer dos três dias tirar das próprias testemunhas da defesa a possibilidade da tese acusatória. Os próprios peritos que vieram a pedido da defesa acabaram reconhecendo que existiam lesões de defesa na Gabriela e que ela sofreu antes de ser lançada para baixo. O réu fez uso de cocaína que foi potencializado pelo álcool. Eu esperava até um tempo maior de condenação, no mínimo uns 28 anos. Mas o julgamento foi muito bem conduzido e o réu deverá cumprir 2/5 de pena no regime fechado, depois mais 2/5 no semiaberto", explicou Cristiano Medina. 

Eroteides Chermont, mãe de Gabriela Chermont
Eroteides Chermont, mãe de Gabriela Chermont. Crédito: Carlos Alberto Silva

"Agora a vida continua. Honrei a memória da minha filha, agora que ela descanse em paz. Não tenho nada a comemorar. São duas mães sofrendo e duas famílias perdendo. Lamentavelmente, é a lei da ação e reação. Ele está tendo a reação adequada para a ação dele. Eu não tinha dúvida da condenação, nunca tive. Tanto que postergaram muito por isso, porque as provas eram muito evidentes. Senti muita tristeza ao longo desse tempo, inclusive por ele, por ter feito isso. E a perda da minha filha é irreparável", disse a mãe de Gabriela, Eroteides Regattieri.

Eroteides Regattieri

Mãe de Gabriela

"Para uma mãe que tem um filho preso, não é agradável. Mas ela vai tê-lo de volta, vai beijar, abraçar e penas podem ser diminuídas. Eu nunca mais vou beijar e abraçar minha filha. Está um pouco mais leve para ela. Foi muito duro para mim. Quem perde um filho tem que abrir o peito e arrancar o coração, é um mutilado. Ter que se habituar com a ausência é uma coisa muito dura, ainda mais da maneira como foi"

TRÊS DIAS DE JÚRI

Todas as 12 testemunhas do caso, entre pessoas convocadas pela defesa e pela acusação, foram ouvidas no júri, que começou na terça-feira (10) e terminou na noite desta quinta (12). A acusação diz que os depoimentos reforçaram a versão de que a jovem foi morta.

O réu Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg foi ouvido durante toda a manhã de quinta-feira (12) até por volta das 13h40, para responder perguntas dos seus advogados de defesa, da assistência de acusação, do Ministério Público e do magistrado que preside o júri.

Em seguida, sete jurados votaram para definir quanto a condenação do réu. O voto é secreto. Antes mesmo do juiz proferir a sentença, o advogado da família de Gabriela, Cristiano Medina, pediu que Luiz Cláudio saísse do julgamento preso.

O OUTRO LADO

O advogado Raphael Câmara, que faz a defesa do réu, reafirmou a inocência dele. "A defesa respeita a decisão do conselho de sentença e reconhece a grande repercussão dos fatos. Mas reitera que Luiz Cláudio é inocente, conforme afirmaram os peritos da Polícia Civil ao longo de duas décadas e em vários laudos científicos".

O CASO

Gabriela tinha 19 anos quando morreu, após cair do décimo segundo andar do Apart Hotel La Residence, um hotel na Mata da Praia, em Vitória, na madrugada de 21 de setembro de 1996. O ex-namorado da jovem, Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg, logo foi acusado pelo crime de homicídio. A defesa do empresário, no entanto, alegava que a vítima cometeu suicídio.

Segundo o processo, a jovem e o empresário Luiz Claudio teriam rompido o relacionamento e, por indicação de colegas de faculdade, ela teria passado a conhecer um outro rapaz. Em uma das situações em que teriam saído juntos, para um bar na Praia da Costa, amigos do ex-namorado teriam visto e contado para ele.

Gabriela Chermont morreu na madrugada de 21 de setembro de 1996
Gabriela Chermont morreu na madrugada de 21 de setembro de 1996. Crédito: Arquivo da família

Nessa situação, Luiz Cláudio teria passado a fazer ligações telefônicas para Gabriela, até que teriam combinado um encontro na noite de 20 de setembro de 1996. Testemunhas nos autos do processo relatam que o ex-casal se dirigiu a um bar em Jardim da Penha e que depois os dois foram ao Apart Hotel, onde ficaram hospedados no apartamento de número 1.204.

Luiz Claudio, a partir daí, afirma que os dois mantiveram relações sexuais, enquanto a defesa da família da vítima alega que não e que, em vez disso, teriam ocorrido diversas agressões, causando inclusive quebras de dentes e escoriações na lombar de Gabriela, desencadeando, por fim, no arrastamento e projeção da vítima pela sacada.

Um exame toxicológico realizado à época identificou que Luiz Claudio teria feito uso de cocaína, ao contrário da alegação dele, no sentido de ter tomado apenas cerveja.

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