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Caso Gabriela Chermont: encerrado o segundo dia de julgamento em Vitória

Todas as sete testemunhas da defesa foram ouvidas, entre elas a esposa e a mãe do réu. O julgamento deverá ser retomado na manhã desta quinta-feira (12). O caso aguarda desfecho há mais de duas décadas

Vitória
Publicado em 11/11/2020 às 23h08
Gabriela Chermont morreu na madrugada de 21 de setembro de 1996
Gabriela Chermont morreu na madrugada de 21 de setembro de 1996. Crédito: Arquivo da família

Iniciado na manhã de terça-feira (10), o júri popular que deverá condenar ou absolver o o réu Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg, acusado de matar a jovem Gabriela Chermont, entrou em seu segundo dia nesta quarta-feira (11), no Fórum Criminal de Vitória, na Cidade Alta. Todas as sete testemunhas da defesa foram ouvidas, entre elas a esposa e a mãe do réu. Encerrado por volta de 22h, o julgamento deverá ser retomado na manhã desta quinta-feira (12), às 9h30. 

O julgamento acontece após nove adiamentos e 24 anos de espera. Gabriela morreu após cair do décimo segundo andar de um hotel em Vitória, na madrugada de 21 de setembro de 1996. O ex-namorado da jovem, Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg, é acusado pelo crime de homicídio. A defesa do empresário, no entanto, alega que a vítima cometeu suicídio.

O júri popular acontece no Fórum Criminal de Vitória, na Cidade Alta. O caso, que tramita na Justiça há mais de duas décadas, foi adiado pela última vez no dia 28 de abril, em decorrência da pandemia do novo coronavírus. 

Nesta quarta-feira (11), dando continuidade à audiência, prestaram depoimentos pela manhã duas primeiras testemunhas trazidas pela defesa; a quinta e última testemunha da acusação, por volta das 13h; e em seguida as outras cinco testemunhas da defesa do réu. 

A previsão é de que o resultado do julgamento possa sair nesta quinta-feira (12), após o réu dar a sua versão sobre o caso e a fase de debates entre a defesa e a acusação iniciar. Sete jurados — quatro mulheres e três homens — foram sorteados para participar do júri popular e definir o destino do réu.

O PRIMEIRO DIA

A primeira testemunha ouvida foi a mãe de Gabriela, Eroteídes Chermont. "Hoje eu honro a memória da minha filha. Eu tenho certeza que a justiça será feita. Espero que não haja nenhuma mais procrastinação. São 24 anos de sofrimento", disse Eroteídes. 

Em seguida, foram ouvidas uma amiga da vítima, o delegado que presidiu o caso e um perito de São Paulo que avaliou os laudos feitos à época. A expectativa inicial era de que a quinta e última testemunha de acusação, um psiquiatra forense vindo de São Paulo, também fosse ouvido nesta terça-feira, mas o depoimento dele ficou para o dia seguinte. Por volta das 20h50 foi encerrado o primeiro dia de julgamento do caso.

DELEGADO RELATOU TER SOFRIDO PRESSÃO

O delegado que investigou o caso da morte da jovem Gabriela Chermont, Germano Henrique Pedrosa, disse, em depoimento dado no primeiro dia do julgamento nesta terça-feira (10), que sofreu pressão política com o avanço das investigações. A informação é do assistente de acusação, o advogado Cristiano Medina da Rocha, que representa a família da vítima no processo.

De acordo com o assistente de acusação, o delegado disse no depoimento que chegou a ser transferido para uma unidade do interior após se aprofundar no caso e que só tomou conhecimento da transferência quando chegou para trabalhar e soube que vários pertences pessoais já haviam sido retirados da delegacia.

"Em determinado dia, ele chegou na delegacia e tomou conhecimento de que havia sido transferido de delegacia, inclusive sem qualquer comunicação prévia. Disse que, em 35 anos de polícia, não viu nada parecido. Levaram os móveis dele, mesa, cadeira e armário para outra delegacia. Isso causou uma revolta muito grande dele, ele acabou indo falar com o governador na época, que não entendeu o porquê da transferência, e o governador o reconduziu imediatamente para a delegacia, possibilitando que ele continuasse as investigações", disse o advogado Cristiano Medina da Rocha.

NOTA DA DEFESA DO ACUSADO

Em nota, a defesa do Réu, feita pelo advogado Raphael Câmara, afirmou que há depoimentos e laudos técnicos que apontam para o fato de que Gabriela Chermont cometeu suicídio. Essa é a tese da defesa no júri. Confira na íntegra:

"Acreditamos que o julgamento após tantos anos vai acabar com o sofrimento na vida de duas famílias, trazendo a verdade. Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg é inocente e espera por esse julgamento há mais de duas décadas. E vai mostrar que o suicídio, na época um tema tratado como tabu, foi o real motivo da morte de Gabriela. A nota Laudo médico que consta dos autos aponta que a vítima morreu de politraumatismo, em consequência do impacto violento da queda do 12º andar do prédio, em movimento causado pela própria vítima. Além disso, a perícia mostra que não houve luta corporal, nem vestígios de sangue no apartamento atestado pelo exame de DNA. A defesa acredita que a verdade vai ser restabelecida a partir deste júri".

O CASO

Gabriela morreu após cair do décimo segundo andar do Apart Hotel La Residence, um hotel na Mata da Praia, em Vitória, na madrugada de 21 de setembro de 1996. O ex-namorado da jovem, Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg, é acusado pelo crime de homicídio. A defesa do empresário, no entanto, alega que a vítima cometeu suicídio. Segundo o processo, a jovem e o empresário, Luiz Claudio, teriam rompido o relacionamento e, por indicação de colegas de faculdade, ela teria passado a conhecer outro rapaz.

Em uma das situações em que teriam saído juntos, para um bar na Praia da Costa, amigos do ex-namorado teriam visto e contado para ele. Nesta situação, o denunciado pelo crime teria passado a fazer ligações telefônicas para Gabriela, até que teriam combinado um encontro na noite de 20 de setembro de 1996. Testemunhas nos autos do processo relatam que o ex-casal se dirigiu a um bar em Jardim da Penha e que depois foram ao Apart Hotel, onde ficaram hospedados no apartamento de número 1.204.

Luiz Claudio, a partir daí, afirma que os dois mantiveram relações sexuais, enquanto a defesa da família da vítima alega que não e que, em vez disso, teriam ocorrido diversas agressões, causando inclusive quebras de dentes e escoriações na lombar de Gabriela, desencadeando, por fim, no arrastamento e projeção da vítima pela sacada. Um exame toxicológico realizado à época identificou que o comerciante teria feito uso de cocaína, ao contrário da alegação dele, no sentido de ter tomado apenas cerveja.

Por nota, a defesa do réu afirmou que há depoimentos e laudos técnicos que apontam para o fato de que Gabriela Chermont cometeu suicídio.

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