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Caso Gabriela Chermont: "São 24 anos de sofrimento", diz mãe sobre julgamento

O caso tramita na Justiça há 24 anos e o julgamento foi adiado por nove vezes, a última no dia 28 de abril, em decorrência da pandemia do novo coronavírus

Vitória
Publicado em 10/11/2020 às 10h31
Atualizado em 10/11/2020 às 14h11
Eroteides Regattieri, mãe de Gabriela Chermont, concede entrevista
Eroteides Regattieri, mãe de Gabriela Chermont. Crédito: TV Gazeta

"Hoje eu honro a memória da minha filha". A frase, que revela o desejo de justiça, é de Eroteídes Chermont, mãe de Gabriela Chermont, que, após nove adiamentos verá, nesta terça-feira (10) o ex-namorado da filha, Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg, sentar no banco dos réus. O júri popular acontece no Fórum Criminal de Vitória, na Cidade Alta, 24 anos depois do crime.

"Confio na demonstração de magnitude e excelência do Ministério Público. Hoje eu honro a memória da minha filha. Tenho certeza que a justiça será feita. Espero que não haja nenhuma procrastinação mais. Foram 24 anos de sofrimento, um sofrimento eterno. Quem perde um filho jamais vai voltar a beijá-lo, jamais vai voltar a vê-lo. Uma mãe que tem um filho preso, ela vai beijá-lo e vai tê-lo de volta. Uma mãe que sepulta um filho, nunca mais vai tê-lo. Eu nunca mais vou ter a minha filha, então eu quero honrar a memória dela e quero que a justiça seja feita. Eu tenho convicção que a justiça será feita", afirmou Eroteídes, em entrevista à TV Gazeta.

Para a mãe, foram longos anos de espera pela solução do caso. Eroteídes diz não ter dúvidas de que a filha foi assassinada na madrugada de 21 de setembro de 1996 e que há provas suficientes do crime.

"Não tenho nenhuma dúvida do que aconteceu. Isso será comprovado pelos laudos, embora alguns laudos, por incompetência ou má-fé tenham sido desviados, ou mal feitos, mas têm os que comprovam a existência de um crime", disse a mãe.

 24 ANOS DE ESPERA

O caso tramita na Justiça há 24 anos e o julgamento foi adiado por nove vezes, a última no dia 28 de abril, em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

Gabriela Chermont morreu na madrugada de 21 de setembro de 1996
Gabriela Chermont morreu na madrugada de 21 de setembro de 1996. Crédito: Arquivo da família

As últimas movimentações no processo contaram com a juntada de uma manifestação por parte do Ministério Público Estadual (MPES), tratando da potencialização da cocaína com o uso de bebida alcoólica, mistura consumida por Luiz Cláudio, segundo exames e de uma resposta apresentada pela defesa do réu, alegando que o MP não teria cumprido prazo hábil para anexar o documento, impossibilitando a leitura pela defesa do acusado.

No entanto, em decisão do magistrado André Guasti Motta no domingo (8), entendeu-se que o Ministério Público respeitou a determinação de antecedência de 3 dias úteis, já que a manifestação foi juntada aos autos no último dia 4. Além disso, o magistrado entendeu que os documentos anexados pelo MP não tinham ligação direta com os fatos do processo, o que sequer necessitava que fossem submetidos à análise pela defesa.

O QUE DIZ A DEFESA DO RÉU

Procurada pela reportagem, a defesa do réu, desempenhada pelo advogado Raphael Câmara, afirmou que aguarda com serenidade o julgamento. "Estamos confiantes na absolvição do réu, porque todas as provas técnicas realizadas pela Polícia Civil indicam de forma assertiva e clara o suicídio da jovem", disse.

Na tarde desta terça (10), a defesa do réu enviou nota à reportagem de A Gazeta, reafirmando a inocência de Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg. Veja a nota na íntegra.

"Há depoimentos e laudos técnicos que apontam para o fato de que Gabriela Chermont cometeu suicídio. Essa é a tese da defesa no júri. Acreditamos que o julgamento após tantos anos vai acabar com o sofrimento na vida de duas famílias, trazendo a verdade. Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg é inocente e espera por esse julgamento há mais de duas décadas. E vai mostrar que o suicídio, na época um tema tratado como tabu, foi o real motivo da morte de Gabriela.

Laudo médico que consta dos autos aponta que a vítima morreu de politraumatismo, em consequência do impacto violento da queda do 12º andar do prédio, em movimento causado pela própria vítima.

Além disso, a perícia mostra que não houve luta corporal, nem vestígios de sangue no apartamento atestado pelo exame de DNA. A defesa acredita que a verdade vai ser restabelecida a partir deste júri."

RELEMBRE O CASO

Gabriela tinha 19 anos quando morreu, após cair do décimo segundo andar do Apart Hotel La Residence, um hotel na Mata da Praia, em Vitória, na madrugada de 21 de setembro de 1996. O ex-namorado da jovem, Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg, é acusado pelo crime de homicídio. A defesa do empresário, no entanto, alega que a vítima cometeu suicídio.

Segundo o processo, a jovem e o empresário, Luiz Claudio, teriam rompido o relacionamento e, por indicação de colegas de faculdade, ela teria passado a conhecer um outro rapaz. Em uma das situações em que teriam saído juntos, para um bar na Praia da Costa, amigos do ex-namorado teriam visto e contado para ele. Nesta situação, o denunciado pelo crime teria passado a fazer ligações telefônicas para Gabriela, até que teriam combinado um encontro na noite de 20 de setembro de 1996.

Testemunhas nos autos do processo relatam que o ex-casal se dirigiu a um bar em Jardim da Penha e que depois foram ao Apart Hotel, onde ficaram hospedados no apartamento de número 1.204. Luiz Claudio, a partir daí, afirma que os dois mantiveram relações sexuais, enquanto a defesa da família da vítima alega que não e que, em vez disso, teriam ocorrido diversas agressões, causando inclusive quebras de dentes e escoriações na lombar de Gabriela, desencadeando, por fim, no arrastamento e projeção da vítima pela sacada.

Um exame toxicológico realizado à época identificou que o comerciante teria feito uso de cocaína, ao contrário da alegação dele, no sentido de ter tomado apenas cerveja.

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