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Frentista agredido por PM no ES: "Se fosse o contrário, eu estaria preso"

Joelcio Rodrigues dos Santos se frusta ao ver que sargento segue impune há nove meses, apesar de vídeo flagrante; por medo, vítima já mudou de casa e emprego

Publicado em 27/10/2020 às 20h31
Atualizado em 27/10/2020 às 21h06
Joelcio Rodrigues não sabe o nome do policial, porque ele estava sem a identificação na farda, no momento da agressão
Joelcio Rodrigues, na época das agressões, no posto da Praia de Itaparica, em Vila Velha. Crédito: Reprodução | TV Gazeta

Depois de ter uma arma apontada para si e ser agredido no rosto por um sargento da Polícia Militar, o frentista Joelcio Rodrigues dos Santos segue aguardando há nove meses – frustrado e revoltado – que o agressor seja punido de alguma forma. "Se fosse o contrário, eu já estaria preso", desabafou.

Dita durante uma entrevista para A Gazeta nesta terça-feira (27), a fala se deu no mesmo dia em que o sargento da PM Clemilson Silva de Freitas recebeu a quarta licença médica consecutiva, permanecendo afastado do trabalho até o final de dezembro, recebendo o salário normalmente – o que é previsto em lei.

Joelcio Rodrigues dos Santos

Frentista que foi vítima das agressões

"Ao lado de pessoas do bem, parece que a Justiça no Brasil age de forma muito lenta. Eu fui agredido em janeiro. Estamos em outubro, e até agora não tem nada resolvido"

Durante esse período, apenas o inquérito da Polícia Militar e a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) foram concluídos. No entanto, a primeira audiência do caso na Justiça está marcada para o final de novembro, e o Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) da PM ainda está em andamento.

Frentista Joelcio Rodrigues conseguiu fazer denúncia na Corregedoria da PM após quatro tentativas. Crédito: Larissa Avilez
Frentista Joelcio Rodrigues conseguiu fazer denúncia na Corregedoria da PM após quatro tentativas. Crédito: Larissa Avilez

Enquanto isso, o frentista acabou sendo transferido de posto de combustíveis e mudou de casa, seguindo conselhos de amigos, colegas de trabalho e familiares. Tudo por medo e em busca de mais segurança para ele, a esposa e as duas filhas do casal. "Não tem como saber o que se passa na cabeça dele (policial)", explicou Joelcio.

Joelcio Rodrigues dos Santos

Frentista que foi vítima das agressões

"É difícil até de falar. Eu tive que sair de um emprego que estava há três anos, para passar a ganhar menos. Já ele, que cometeu um erro grave desse, está recebendo normalmente. É revoltante. Eu é que tive que me adaptar"

Com o sentimento de mudança forçada, o frentista garante que preferia a vida de antes. "Eu trabalho mais longe, gasto mais combustível para chegar até lá e meu salário ficou menor. Deixei amigos de três anos no outro posto. Se pudesse escolher, teria permanecido por lá", revelou.

Porém, como não é possível mudar o passado, ele espera que "a Justiça seja feita" e que o policial "pague pelo erro que cometeu". "O que ele fez é muito grave. É um funcionário totalmente despreparado. Sabendo o que ele fez e que está impune, ele pode fazer até pior com outras pessoas. Ele não pode estar livre nas ruas", afirmou.

RELEMBRE O CASO: TRÊS CRIMES POR CAUSA DE "ATENDIMENTO RUIM"

Em 23 de janeiro deste ano, o frentista Joelcio Rodrigues dos Santos chegou de manhã para trabalhar em um posto de combustível localizado da Praia de Itaparica, em Vila Velha, e foi surpreendido pela presença do policial – que o esperava e teria voltado ao estabelecimento para tirar satisfações por causa de um atendimento "ruim" prestado na noite anterior.

Segundo a vítima, os xingamentos e as ameaças do sargento começaram depois do pedido para que ele e a mulher descessem da moto para que o abastecimento fosse feito. Ato que é de praxe do local, por motivos de segurança. “No outro dia, assim que bati o ponto, ele veio atrás, perguntou se eu lembrava dele e começou a me bater”, contou Joelcio, na época.

Devido à atitude condenável – principalmente por um policial –, o sargento Clemilson Silva de Freitas virou réu em um processo na Vara da Auditoria Militar e responde por três crimes: lesão leve, injúria real e ameaça. De acordo com o Código Penal Militar, todos são passíveis de detenção.

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