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Publicado em 3 de março de 2026 às 17:56
- Atualizado há uma hora
Duas pessoas foram presas e uma mulher é investigada por participação em um esquema milionário de fraudes e lavagem de dinheiro por meio de cartões de alimentação, que os criminosos "compravam" de funcionários de empresas da Grande Vitória.>
A comercialização dos tíquetes, que é proibida por lei, não é uma prática nova. Em 2023, A Gazeta revelou que o comércio irregular ocorria livremente pelas ruas da Capital, com uma empresa, situada na Praia do Canto, chegando a espalhar anúncios pela cidade, com números de telefone para que os interessados entrassem em contato.>
Não há informação sobre ligação entre os dois casos. O novo esquema, promovido por uma organização criminosa, foi desarticulado pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), na última quinta-feira (26), mas a Operação “Onerado”, como foi chamada, foi divulgada apenas nesta terça (3). >
Segundo o chefe da Divisão de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Diccor) e titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), delegado Tarik Halabi Souki, os funcionários beneficiários entregavam os cartões para esse grupo criminoso, em troca de uma "antecipação" em dinheiro ou Pix. >
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Eles simulavam uma compra em empresas ‘laranjas’, inclusive de fora do Estado, ficavam com uma parte do valor, que era uma taxa de 20% a 40% do saldo, e devolviam o restante ao funcionário, que desejava ter o dinheiro em mãos para usar como quisesse.>
Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Delegacia Especializada de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), em endereços residenciais e comerciais localizados nos bairros Feu Rosa e Carapebus, na Serra, e em Goiabeiras, Vitória. >
Foram apreendidos 1.892 cartões de benefícios em nome de terceiros, quatro máquinas de cartão registradas em CNPJs de "laranjas", quatro aparelhos celulares, uma grande quantidade de documentação contábil (incluindo cheques e notas promissórias) e um carro de luxo.>
Segundo informações colhidas no momento da apreensão, apenas os cartões encontrados naquele dia teriam, juntos, um saldo aproximado de R$ 300 mil. A análise das cadernetas de contabilidade apreendidas ainda está em andamento, devido ao grande volume de material.>
Essa organização criminosa contava com a ajuda da funcionária do setor financeiro de uma empresa comum, que era responsável pela recarga dos tíquetes e desviava parte dos valores para o próprio cartão.>
“Ela fez contato com esse grupo criminoso, que fez todo esse caminho de fazer retirada, de ficar com uma parte, e de devolver outra (parte). O prejuízo [para a empresa de onde ela desviou o dinheiro da recarga] foi de cerca de R$ 200 mil”, destacou o chefe da Diccor.>
Essa soma foi desviada ao longo de 16 meses e cerca de R$ 50 mil acabaram nas mãos da organização criminosa, com a retenção dos outros R$ 150 mil pela própria funcionária.>
De acordo com o adjunto da Divisão de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Diccor), delegado Vinicius Landeira, a funcionária passou a ser investigada após a firma onde ela trabalhava perceber o desfalque.>
“A investigação avançou e chegou a um núcleo operacional, formado principalmente por um casal, mas que envolvia diversas outras pessoas realizando o mesmo tipo de transação. Também foi identificado que o grupo mantinha um ponto físico próximo a Goiabeiras, na Avenida Fernando Ferrari, em Vitória, onde as pessoas passavam os cartões na máquina com deságio alto, entre 30% e 40% (e recebiam a diferença).”>
Landeira explica que, além da simulação de compras, há indícios de que, no local, ocorria a clonagem dos cartões.>
“O que inicialmente parecia um sistema de agiotagem, uma antecipação de valores com cobrança elevada, revelou-se um esquema maior, com movimentações expressivas. Em determinados meses, o grupo chegou a movimentar quase um milhão de reais em cartões de diversos beneficiários”, frisou o delegado.>
Agora, o envolvimento de outras pessoas e empresas, inclusive de fora do Estado, está sob apuração. As máquinas de cartão utilizadas no esquema, por exemplo, estão vinculadas a CNPJs que ainda serão analisados, para verificar se são empresas reais ou constituídas em nome de laranjas.>
Ainda segundo a polícia, o casal preso e a funcionária confessaram, justificando não saber que suas ações configuravam crime.>
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