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Delegado pede que órgãos de menina estuprada no ES ainda não sejam doados

Criança de 6 anos teve morte cerebral após ser estuprada e agredida em Ecoporanga. Pai autorizou doação, mas segundo o delegado Leonardo Forattini, exames são importantes para o inquérito

Colatina / Rede Gazeta
Publicado em 17/05/2021 às 19h48
Atualizado em 18/05/2021 às 11h40
Fachada do pronto-socorro do Hospital Infantil de Vitória
Fachada do pronto-socorro do Hospital Infantil de Vitória. Crédito: Murilo Cuzzuol

A menina de 6 anos que foi agredida e estuprada em Ecoporanga, no Noroeste do Espírito Santo, teve a morte cerebral confirmada, mas ainda pode esperar para ter os órgãos doados. O delegado que está à frente das investigações, Leonardo Forattini, pediu à Justiça que não autorize a doação dos órgãos da menina antes que ela faça os exames que vão apontar a causa da morte e comprovar o abuso sexual. O padrasto é suspeito do crime e está preso.

Segundo o delegado, esses exames são importantes para o inquérito e a falta dessas informações podem mudar o indiciamento do padrasto e também da mãe da criança. A situação ainda não foi definida. 

Segundo informações da TV Gazeta Noroeste, a menina teve a morte cerebral confirmada na tarde deste domingo (16). O pai autorizou a doação dos órgãos da criança. Até que a cirurgia de retirada dos órgãos seja feita, ela continua ligada a aparelhos no Hospital Infantil de Vitória.

Ela deu entrada em um hospital do município na última sexta-feira (14), foi encaminhada para Barra de São Francisco e depois para o Hospital Infantil em Vitória, devido ao grave estado de saúde. O padrasto, suspeito de ter cometido o crime, e a mãe dela foram presos.

Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) não passou informações sobre a situação da menina. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) informou que não pode dar informações sobre o caso por se tratar de um assunto envolvendo menor de idade.

De acordo com o Conselho Tutelar de Ecoporanga, o irmão mais velho da menina está em Vitória, acompanhando o pai. Dois outros irmãos, um menino de 8 anos e uma menina de 3 anos, filhos de outro pai, ficaram sob cuidados do genitor. A identidade da vítima, da mãe e do padrasto não foram reveladas para preservar as crianças.

PADRASTO E MÃE PRESOS

estupro
Padrasto, suspeito de ter estuprado a enteada, foi preso em matagal de Ecoporanga. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O homem foi preso na manhã deste domingo. Ele estava escondido no meio de um matagal na localidade de Córrego do Beirador, em Ecoporanga, quando foi localizado. Por meio de nota, a Polícia Militar informou que a prisão ocorreu após denúncias. Os militares encontraram o suspeito em um colchão escondido no meio de um mato. Ele foi encaminhado à 14ª Delegacia Regional de Barra de São Francisco, onde foi ouvido e encaminhado ao sistema prisional. Segundo a Sejus, o homem está detido no  Centro de Detenção Provisória de São Domingos do Norte.

A Polícia Civil afirmou que o homem tem passagem por violência doméstica contra os próprios pais e por envolvimento com drogas.

Padrasto que estuprou enteada preso em Ecoporanga
Homem estava no meio do mato em Ecoporanga. Crédito: Redes Socias

A mãe da menina foi presa ainda no hospital. A Polícia Civil afirmou que, em depoimento, a mulher confessou que as agressões contra a vítima ocorreram na quinta-feira (13), versão que coincide com os hematomas e lesões relatados pela equipe médica:

“A mãe também confessou que em data pretérita, não precisando o dia, a criança teria aparecido com a roupa cheia de sangue, mas não denunciou o estupro à polícia”, afirma o texto. A mulher foi levada para o Centro de Detenção Provisória de Colatina.

Padrasto que estuprou enteada preso em Ecoporanga
Padrasto, suspeito de ter estuprado a enteada, foi levado para a Delegacia de Ecoporanga. Crédito: Redes Sociais

O CASO

Na última sexta-feira (14), por volta das 2h40 da manhã, uma criança de 6 anos, acompanhada da mãe, deu entrada em um hospital de Ecoporanga, no Norte do Estado, com lesões pelo corpo e crises convulsivas. Devido ao grave estado de saúde, a menina foi encaminhada para Barra de São Francisco. No hospital do município, o médico suspeitou que ela tivesse sido vítima de abuso sexual. Posteriormente, ela foi levada ao Hospital Infantil de Vitória.

"MAIS COMUM DO QUE A GENTE IMAGINA" 

Após a publicação e repercussão das reportagens sobre a criança de 6 anos agredida e estuprada em Ecoporanga, o presidente da Comissão de Infância e Juventude do Instituto Brasileiro de Direito de Família no Espírito Santo (IBDFAM-ES), Raphael Câmara, enviou um vídeo à equipe de A Gazeta, afirmando que apenas 10% desses casos são levados à Justiça e ressaltou a importância de denunciar e desconfiar de pessoas muito próximas às crianças.

"Essa triste tragédia de Ecoporanga é muito mais comum do que a gente imagina. Apenas 10% desses casos são levados ao Poder Judiciário. A subnotificação de estupros e abuso sexual contra crianças e adolescentes é muito grande no Brasil. Esse caso de Ecoporanga retrata bem isso, porque essa criança já havia sido abusada anteriormente ao que indicam as investigações, então esse dia tão importante de memória às crianças abusadas e estupradas, a única dica e súplica é denuncie. Utilize o Disque 100, para que essas crianças sejam protegidas, e mais, desconfie das pessoas mais próximas, porque são elas, geralmente, os grandes criminosos, os verdadeiros estupradores", afirmou.

O QUE DIZ A POLÍCIA CIVIL

A reportagem de A Gazeta procurou a Polícia Civil, nesta segunda-feira (17), para saber qual é a situação atual na mãe da menina e por quais crimes o padrasto foi autuado.  Veja a resposta na íntegra. 

"A Polícia Civil informa que tomou conhecimento dos fatos na manhã dessa sexta-feira (14), após a criança dar entrada no hospital de Barra de São Francisco. Após diligências iniciais e oitivas, foi solicitado como medida cautelar, para o bom andamento das investigações, a prisão temporária da mãe e do padrasto da criança, ambos de 43 anos. Assim que o pedido foi deferido pelo Judiciário, a mãe foi detida, ainda, no hospital.

Em depoimento, a mãe da criança confessou que as agressões contra a vítima ocorreram na quinta-feira (13), versão que coincide com os hematomas e lesões relatados pela equipe médica. Segundo o delegado que está à frente das investigações, a mãe também confessou que em data pretérita, não precisando dia, a criança teria aparecido com a roupa cheia de sangue, mas não denunciou o estupro à polícia.

O padrasto, segundo as investigações, deixou a mãe e a criança no hospital, e fugiu logo em seguida. Durante a manhã desse domingo (16), policiais militares receberam uma denúncia anônima de que ele estava escondido na localidade do Córrego do Beirador, em Ecoporanga. No local, os militares encontraram o suspeito em um colchão escondido no meio de um mato.

O padrasto foi encaminhado à 14ª Delegacia Regional de Barra de São Francisco e em depoimento, ele negou os fatos e disse que somente teria repreendido a criança e não a agrediu.

Após prestar depoimento, a mãe foi encaminhada para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Colatina e, o padrasto foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Domingos do Norte. Os dois permanecem detidos à disposição da Justiça e da autoridade policial.

A prisão dos dois suspeitos foram efetuadas em cumprimento de mandado de prisão temporária e somente ao final das investigações a autoridade policial definirá por quais crimes ambos responderão.

As investigações sobre as agressões e sobre o estupro continuam em andamento na Delegacia Regional de Barra de São Francisco e para que a apuração seja preservada, nenhuma outra informação será divulgada. A assessoria da Polícia Civil não tem acesso ao estado clínico da criança."

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