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Delegado da PC diz que policial investigado interferiu em operação para apreender fuzis no ES

Delegado da PC diz que policial investigado interferiu em operação para apreender fuzis no ES

O investigador da Polícia Civil do Espírito Santo Eduardo Tadeu, chegou a estar fora do Denarc; ainda assim atuou e interferiu para que uma operação do departamento para apreender armas ligadas a uma facção fosse enfraquecida

Mikaella Mozer

Repórter / [email protected]

Publicado em 30 de março de 2026 às 21:21

Em 2017, o policial civil Eduardo Tadeu, conhecido como Dudu, investigado por envolvimento no esquema de tráfico de drogas no Espírito Santo, chegou a ser afastado do Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc) da corporação. Mesmo assim, ele permaneceu interferindo nas investigações, entre elas, uma operação para apreensão de fuzis em Cariacica.

A informação foi obtida com exclusividade pela TV Gazeta, que teve acesso a depoimento de um delegado ao Ministério Público Estadual. Ele não será identificado por segurança. Durante fala ao MP, ele afirmou que Eduardo é o maior traficante do Estado.  

Eduardo foi preso em 18 de março na segunda fase da Operação Turquia II, assim como o policial civil Erildo Rosa. Outros três estão afastados e 15 policiais militares foram investigados e denunciados por envolvimento com o tráfico de drogas.

“O ‘Dudu’ descobriu, viu essa informação, por pessoas do próprio departamento de narcóticos que trabalhavam com ele, que devem ter passado. E nós tivemos que, quando a gente foi cumprir as buscas com Nuroc, ele já tinha ido lá com o pessoal da (delegacia) Patrimonial e atrapalhou toda a investigação. Ou seja, a gente chegou a localizar o buraco na casa onde os fuzis estavam enterrados, mas não conseguimos apreender nada”, contou o delegado.

O policial civil Eduardo Tadeu é investigado por tráfico de drogas
O policial civil Eduardo Tadeu, o Dudu, é investigado por tráfico de drogas Crédito: Reprodução | TV Gazeta

Segundo o que ele contou ao órgão estadual, os fuzis tinham sido enviados do Estado de São Paulo para território espírito-santense pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e estavam sendo monitorados há tempos.

Os objetos, de acordo com apuração da polícia na época, estariam sendo usados para manutenção do controle da associação criminosa na região contra o Primeiro Comando de Vitória (PCV).

Voltou a Denarc

Eduardo voltou à Denarc depois de um período afastado. A investigação do MP tenta identificar por qual motivo o então integrante do setor de combate ao tráfico de entorpecentes voltou a atuar, mesmo diante das denúncias.

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, em reportagem exibida na noite de domingo (29), o repórter Maurício Ferraz questionou o delegado-geral da PCES, Jose Darcy Arruda, por que um policial investigado por tráfico continuou na ativa no setor que deve combater o tipo de crime pelo qual ele é investigado.

Arruda respondeu que havia uma investigação interna, mas que o Gaeco e a Polícia Federal anteciparam as ações. A resposta não permaneceu a mesma durante a entrevista ao vivo à apresentadora do Boa Noite ES, Daniela Abreu.

“Na verdade, a Polícia Civil toma conhecimento desses fatos a partir das investigações que surgiram agora pelo Ministério Público, pela PF, com apoio da Corregedoria da PC. Consultamos a Corregedoria, e o Eduardo Tadeu respondeu a cinco Processos Administrativos Disciplinares (PADs) de 2017 a 2021 (que não são ligados à investigação). Não chegou essa informação. Não consta neste período nenhuma informação que o delegado traz em depoimento”, citou.

"Chefe"

A integração e hierarquia entre Eduardo e traficantes com ação no Espírito Santo ficaram explícitas em prints obtidos pelo MP durante apuração. A TV Gazeta teve acesso a algumas mensagens.  Em uma troca de mensagens entre Eduardo e um homem identificado como Yago, apontado como liderança do PCC, é possível ver um acerto de contas. Ele chega a chamar o policial de “chefe”.

Troca de mensagens entre o policial civil Eduardo Tadeu e o traficante Yago apontam ligação
Troca de mensagens entre o policial civil Eduardo Tadeu e o traficante Yago apontam ligação Crédito: Reprodução | Fantástico

Outros prints divulgados na matéria exibida no Fantástico mostram conversa em que outros traficantes negociam a compra de drogas. Um chega a oferecer um carro por “óleo”. O termo, no mundo da venda e compra de entorpecente, significa crack.

Já o traficante Richard, em depoimento ao MP, disse que Eduardo já lucrou mais de R$ 1 milhão.  “Toda a droga que já pegou, já vendeu, dá isso aí, 1 milhão e pouco", disse.

Segundo o delegado que depôs, Eduardo fazia muitas apreensões. “É porque assim, ele fazia muita apreensão de drogas, mas a um custo que não estou disposto a pagar. Aí cada colega faz a sua escolha”, citou.

A defesa de Eduardo Tadeu foi procurada, mas ainda não se manifestou. O advogado de Erildo Rosa afirmou que não existem elementos concretos que comprovem a participação de seu cliente em qualquer organização criminosa, seja para favorecer o grupo A ou B.

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