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"Corregedoria desconhecia" interferência de policial em apreensão de fuzis, diz Arruda

"Corregedoria desconhecia" interferência de policial em apreensão de fuzis, diz Arruda

Eduardo Tadeu foi preso no âmbito da Operação Turquia, que apura um esquema envolvendo servidores públicos que desviavam drogas apreendidas em ações oficiais para uma organização criminosa que atua na Ilha do Príncipe, em Vitória

Publicado em 30 de março de 2026 às 21:31

Eduardo Tadeu, investigador do Denarc, é suspeito de liderar o esquema de desvio de drogas
Eduardo Tadeu, investigador do Denarc, é suspeito de liderar o esquema de desvio de drogas Crédito: Reprodução/TV Globo

O Comandante-Geral da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), José Darcy Arruda, afirmou, em entrevista exclusiva à TV Gazeta, No Boa Noite ES, que a Corregedoria da corporação não tinha conhecimento da interferência do policial Eduardo Tadeu, investigador do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), em uma operação da polícia para tentar apreender fuzis.

"O Dudu descobriu, viu essa informação por pessoas do próprio Denarc que trabalhavam com eles [...]. E quando a gente foi cumprir as buscas, ele já tinha ido lá com o pessoal da patrimonial e atrapalhou toda a investigação. A gente chegou a localizar o buraco na casa onde os fuzis estavam enterrados, mas não conseguimos apreender nada", contou um delegado ouvido pela força-tarefa da Polícia Federal e do Gaeco, do Ministério Público do ES.

Tadeu, que foi apontado como o "maior traficante do Espírito Santo", foi preso em 18 de março, na segunda fase da Operação Turquia, que apura um esquema envolvendo servidores públicos que desviavam drogas apreendidas em ações oficiais para uma organização criminosa que atua na Ilha do Príncipe, em Vitória. Ele é suspeito de chefiar o esquema.

O policial estava há mais de dez anos no Denarc e já havia sido afastado do departamento em 2017 por suspeitas de irregularidades, como mostram documentos obtidos com exclusividade pela TV Gazeta. Mesmo após denúncias e investigações, ele voltou a atuar na unidade de combate ao tráfico. Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), também continuou cometendo crimes.

Segundo Arruda, não houve afastamento, e sim uma transferência. Ressaltou ainda que Tadeu respondeu a cinco processos administrativos (PADs): por não comparecer em audiência judicial, guarda irregular de viaturas e material bélico, abuso de autoridade e violação de domicílio – "crimes pequenos", de acordo com o chefe da PCES.

“Não consta na Corregedoria, no período em que o delegado (que trouxe o caso à tona) esteve lá, nenhuma dessas informações que hoje ele traz em depoimento. Então agora a Corregedoria precisa saber dele o que ele fez, quando ele fala que houve uma interceptação, houve uma intromissão numa investigação que ele estava fazendo, com relação à apreensão de fuzis", salientou Arruda.

Ainda de acordo com o delegado-geral da PCES, a Corregedoria só tomou ciência do caso por meio da investigação iniciada pelo Gaeco, do Ministério Público, em 2024, após a prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, ocorrida em fevereiro daquele ano.

A partir do aprofundamento das apurações, foram identificados indícios de ligação entre o investigado e servidores públicos, evidenciando possível cooperação ilícita durante diligências policiais. Segundo a Polícia Federal, parte das drogas apreendidas em operações oficiais estaria sendo desviada para a própria organização criminosa. Uma fração dos entorpecentes não era registrada nos boletins de ocorrência e, posteriormente, era repassada a intermediários ligados ao grupo.

“Houve esse acordo. O Gaeco faria a parte criminal (da investigação) e a Polícia Civil faria a parte administrativa. Porém, não encontramos nada na Corregedoria que pudesse ensejar um PAD. (...) Se tivesse, esse policial já estaria preso há muito tempo", garantiu o delegado-geral.

Arruda destacou ainda que o caso é considerado gravíssimo e o rigor da lei será imposto para que todos os envolvidos sejam penalizados.

O outro lado

A Polícia Militar informou que 14 investigados estão presos preventivamente e afirmou que não concorda com condutas ilícitas de seus integrantes.

A defesa de Eduardo Tadeu informou que tomou conhecimento das medidas cautelares recentemente determinadas no curso da investigação conduzida pela Polícia Federal, que resultaram no afastamento funcional de alguns investigados.

Disse que a apuração ainda se encontra em andamento, com diligências investigativas pendentes, e reiterou que todos os esclarecimentos necessários serão prestados no momento oportuno.

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