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Publicado em 28 de março de 2026 às 16:10
A chefia da Polícia Civil do Espírito Santo determinou a abertura de apuração sobre o depoimento feito por um delegado no âmbito da Operação Turquia. No relato, o delegado, que não teve o nome revelado, teria declarado que um dos policiais investigados seria “o maior traficante de drogas do Estado”.>
A informação sobre a abertura de investigação foi dada pelo delegado-geral José Darcy Arruda, nas redes sociais, neste sábado (28). Na publicação, o chefe da PC diz ter sido informado, em entrevista para o Fantástico, da TV Globo, na sexta-feira (27), sobre o teor do depoimento do delegado. Em reportagem que será exibida nesse domingo (29), o programa vai abordar a acusação de que policiais civis do principal departamento de combate ao tráfico de drogas do Espírito Santo teriam se tornado os maiores traficantes do Estado (veja a chamada abaixo).>
Diante das informações, Arruda diz ter determinado a adoção imediata de medidas para esclarecer o caso. Segundo o delegado-geral, foi solicitado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) o acesso integral ao depoimento prestado pelo delegado às autoridades responsáveis pelo inquérito. >
Além disso, o chefe da PC afirma ter acionado a Corregedoria da Polícia Civil para apurar quais providências foram adotadas pelo delegado ao tomar conhecimento das suspeitas envolvendo o policial investigado por, supostamente, ser o "maior traficante do Estado".>
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"Cabe ressaltar que a operação em questão (Turquia), realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo (Ficco/ES) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco/MPES), contou com apoio da Corregedoria da Polícia Civil do Estado no cumprimento dos mandados de prisão dos envolvidos", destacou Arruda na publicação.>
As declarações do delegado estão relacionadas à Operação Turquia, que já teve duas fases realizadas. Na primeira, em novembro do ano passado, um policial civil foi preso e outros dois afastados por suspeita de desviar drogas apreendidas para traficantes que atuam na Ilha da Príncipe, em Vitória. Os três atuavam no Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc). Deflagrada pela Polícia Federal e pelo Gaeco, a ação ocorreu em Vitória, Vila Velha e Serra.>
Na segunda fase da operação, realizada no último dia 18, outro policial civil e mais cinco suspeitos foram presos. Segundo a Polícia Federal, o agente preso nessa ocasião é um dos que haviam sido afastados na primeira fase da ação. O nome dele não foi divulgado, mas a reportagem de A Gazeta apurou que se trata de Erildo Rosa Junior.>
As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, ocorrida em fevereiro de 2024. A partir do aprofundamento das apurações, foram identificados indícios de ligação entre o investigado e servidores públicos, evidenciando possível cooperação ilícita durante diligências policiais.>
Segundo a PF, parte das drogas apreendidas em operações oficiais estaria sendo desviada para a própria organização criminosa. Uma fração dos entorpecentes não era registrada nos boletins de ocorrência e, posteriormente, era repassada a intermediários ligados ao grupo.>
Ao todo, segundo divulgado pela colunista Vilmara Fernandes, oito pessoas foram denunciadas e se tornaram rés, incluindo o traficante que mantinha contato com os policiais. São elas:>
Veja o que disseram as defesas dos policiais presos e afastados em notas encaminhadas à colunista Vilmara Fernandes no último dia 16.>
A defesa de Eduardo Aznar Bichara é realizada pelo advogado Fábio Marçal. Ele discorda da decisão, assinalando que o afastamento das funções públicas representa um prejuízo irreversível para o seu cliente e para o Estado.>
“Entendemos a decisão como uma antecipação de pena, antes do processo penal ter evoluído em todas as suas etapas e sem nenhum tipo de manifestação da defesa. Não podemos concordar”.>
O advogado Rafael Almeida de Souza representa o policial Eduardo Tadeu. Ele informa que tomou conhecimento das medidas cautelares recentemente determinadas no curso da investigação conduzida pela Polícia Federal, que resultaram no afastamento funcional de alguns investigados.>
“Ressalta-se que a apuração ainda se encontra em andamento, com diligências investigativas pendentes, razão pela qual qualquer análise conclusiva neste momento mostra-se prematura. A defesa confia no regular andamento das investigações e reitera que todos os esclarecimentos necessários serão prestados no momento oportuno”, assinala.>
O advogado Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho faz a defesa do policial Alessandro. Relata que está reunindo provas necessárias para comprovar a inocência de seu cliente. “As provas contrárias ao meu cliente, desde o início desta investigação, são frágeis. Vamos comprovar que ele não tem relação e nem mesmo tangenciou os fatos investigados”.>
Em relação ao afastamento das funções, observa que desde que a operação foi realizada ele continuou exercendo suas funções e não surgiram fatos novos desde a decisão judicial anterior que justifiquem o afastamento determinado no início deste mês. “Entendemos a medida como desnecessária, mas a defesa confia no senso de justiça da magistrada", assinalou. >
A defesa de Erildo Rosa Júnior é realizada por Frederico Pozzatti de Souza. Sobre o afastamento de mais um policial, informa, por intermédio de nota, que a decisão é de 2 de março deste ano. “Causa certa estranheza, contudo, que tal informação seja divulgada neste momento como fato recente, quando a decisão judicial correspondente foi proferida em 2 de março de 2026, portanto há cerca de duas semanas”.>
Acrescenta que já requereu, em 5 de fevereiro, acesso à integralidade dos elementos da investigação, e que o pedido aguarda manifestação do Ministério Público. >
“Diante disso, qualquer narrativa construída a partir de fragmentos ou informações parciais não permite uma avaliação responsável dos fatos, razão pela qual a defesa aguarda o exame do requerimento já formulado para que seja franqueado o acesso completo ao material investigativo, condição indispensável para a adequada análise técnica do caso”, assinala.>
Os advogados dos demais réus não foram localizados, mas o espaço segue aberto à manifestação.>
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