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Policiais do departamento de narcóticos no ES são afastados suspeitos de tráfico

Policiais do departamento de narcóticos no ES são afastados suspeitos de tráfico

Segundo as investigações, os três policiais civis estariam desviando drogas apreendidas para facção que atua na Ilha do Príncipe, em Vitória

Publicado em 7 de novembro de 2025 às 07:48

 - Atualizado há 3 meses

Ação aconteceu na manhã desta sexta-feira (7)

Um policial civil foi preso e outros dois afastados suspeitos de desviar drogas apreendidas para traficantes que atuam na Ilha da Príncipe, em Vitória. Os três atuavam no Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) do Espírito Santo e foram alvos da Operação Turquia, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MPES) para cumprir os afastamentos e dois mandados de prisão temporária — um contra o PC e o outro para suspeito que não é servidor público, além de cinco mandados de busca e apreensão. A ação ocorreu em Vitória, Vila Velha e Serra.

Os nomes dos policiais civis não foram divulgados, mas A Gazeta apurou que Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha foi preso e que Erildo Rosa Junior e Eduardo Aznar Bichara foram afastados. O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol-ES) informou que está dando apoio jurídico aos policiais Erildo e Bichara. Já Cunha estaria com um advogado particular, o qual a reportagem tenta localizar. O espaço segue aberto para manifestação

Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram após a prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, em fevereiro de 2024. Posteriormente, com o aprofundamento das apurações, foram verificados fortes indícios de que o preso e os servidores públicos mantinham relação, indicando uma possível cooperação ilícita durante diligências policiais.

Os levantamentos apontaram que parte das drogas apreendidas em ações oficiais poderia estar sendo desviada para a própria organização criminosa. O esquema funcionava assim: uma fração do entorpecente não era registrada nos boletins de ocorrência e acabava sendo repassada a intermediários indicados pelo grupo.

Os suspeitos são investigados por tráfico de drogas, associação para o tráfico e participação em organização criminosa. No caso dos policiais, as condutas também indicam possível prática de peculato e corrupção passiva, assim como os traficantes podem ser enquadrados por corrupção ativa.

O nome da ação, “Turquia”, faz referência ao codinome “Turco”, utilizado pelo líder criminoso para se referir a um dos policiais investigados. A denominação simboliza a relação de proximidade estabelecida entre o servidor e o integrante da facção, evidenciada nas comunicações interceptadas ao longo da investigação.

O que diz a Polícia Civil

"A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) informa que, por meio da Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC), prestou apoio à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) em operação destinada ao cumprimento de mandados de busca e apreensão e um de prisão em desfavor de três Oficiais Investigadores de Polícia (OIP) lotados no Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc). O servidor detido foi encaminhado ao Alfa 10 (presídio de policiais civis). 

A PCES reforça que não compactua com qualquer prática ilícita e que todas as condutas de seus integrantes serão rigorosamente apuradas. A Corregedoria Geral instaurará os devidos procedimentos administrativos internos para verificar eventuais responsabilidades disciplinares dos servidores envolvidos."

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