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Criança de 7 anos é abordada por PMs e pais são detidos na Serra

O casal e outros moradores dizem que policiais militares apontaram a arma para o menino durante abordagem. A criança estava com um celular

Publicado em 19/07/2021 às 08h27
Atualizado em 19/07/2021 às 21h37
Casal foi preso depois de questionar abordagem da polícia ao filho, de 7 anos
Casal foi detido depois de questionar abordagem da polícia ao filho, de 7 anos. Crédito: Reprodução / TV Gazeta

Um casal foi detido na noite desta sexta-feira (16) após questionar os policiais sobre a abordagem ao filho de 7 anos, no bairro Planalto Serrano, na Serra.

De acordo com moradores, o filho do casal estava na rua com um amigo quando os policiais passaram em uma viatura e abordaram a criança. O casal e outros moradores do bairro disseram que os policiais apontaram a arma para o menino durante a abordagem.

Ao presenciar a situação, a mãe do menino teria questionado os policiais. Logo depois, o pai do menino e marido da mulher saiu de casa para saber o que estava acontecendo.

Um vídeo mostra o momento da prisão do casal e é possível ouvir o choro da criança e os gritos dos moradores. Uma moradora, que estava na porta da igreja presenciou tudo e disse que a ação dos militares foi bastante agressiva.

Casal é detido por desacato após filho de 7 anos ser abordado por PMs na Serra

"A viatura não vinha correndo e, de repente, eles deram uma ré e entraram na rua da creche. Nesse momento, eles abordam uma criança de 7 anos, apontam uma arma, e tinha uma outra criança de uns 10 anos. Nesse momento, a mãe da criança de 7 anos chega perto da criança e grita, aonde a criança levanta a camisa e mãe pergunta 'gente, vocês estão ficando doidos?' Aí eles saem de dentro da viatura, com muita ignorância, já colocando a arma. Um deles pressiona a mãe da criança sobre a grade e diz que ela não deveria ter chamado os policiais de doidos", contou a moradora, em entrevista à TV Gazeta.

OBJETO ERA CELULAR

Segundo informações da PM, os policiais abordaram a criança porque acreditaram que ela estava armada. No entanto, o objeto na cintura do menino era um celular. 

A mãe da criança, uma dona de casa de 27 anos, disse que em nenhum momento desrespeitou os policiais. "Eu só perguntei se eles eram doidos de apontar uma arma para uma criança. Ele falou que era para nunca mais eu chamar um policial de doido, falou que era estudado para aquilo e que eu estava querendo ensinar ele a trabalhar", disse, em entrevista à TV Gazeta.

A mulher contou ainda que o marido chegou depois e tentou levá-la para casa, mas foi impedido pelos policias, jogado no chão, agredido e algemado.

"Meu esposo chegou depois me chamando, querendo me levar para casa. Me puxou, me abraçou e os policias me jogaram no chão junto com ele, algemaram a gente, pisaram nas costas do meu esposo", relatou.

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Mãe do menino de 7 anos

"Aqueles que deveriam guardar a gente, são os que humilham, os que querem pisar. Tratam a gente pior do que bicho"

O QUE DIZ A POLÍCIA MILITAR

Em nota, a Polícia Militar informou que o menino de 7 anos foi abordado porque parecia estar armado e que a dona de casa recebeu voz de prisão porque questionou a conduta dos policiais.

A nota diz ainda que o marido dela também recebeu voz de prisão porque tentou tirar a esposa do local e que foi necessário imobilizá-lo porque ele não obedeceu. Confira a nota da PM na íntegra:

"Durante o patrulhamento no bairro Planalto Serrano, na noite da última sexta-feira (16), policiais militares avistaram um garoto de pouca idade andando na rua segurando com uma das mãos um objeto que estava na sua cintura. Isso levou a suspeita da equipe e ele foi abordado, sendo constatado que se tratava de um menor de sete anos e que o objeto era um celular. Ele foi liberado e os militares retornaram ao policiamento. Porém, uma mulher questionou o motivo da abordagem ao menino. Foram explicados os motivos, no entanto ela questionou a conduta dos policiais e, por isso, recebeu voz de prisão.

Enquanto seguia para a viatura, um homem tentou tirar a mulher do local, puxando-a pelo braço. Devido ao fato, ele também recebeu voz de prisão, porém desobedeceu e um dos policiais teve que utilizar técnicas de imobilização para algemá-lo. No momento em que era imobilizado e algemado, a mulher se jogou no chão e abraçou o suspeito para tentar impedir a ação policial. Ela foi algemada devido ao fato.

O uso das algemas deu-se pelo receio de fuga e perigo à integridade física própria ou alheia, por parte dos detidos ou de terceiros. Além disso, populares aglomeraram-se próximo à viatura e poderiam tentar interferir o andamento da ocorrência. Foi necessário o uso de spray de pimenta para afastar as pessoas e houvesse o mínimo de segurança para dar encaminhamento à ocorrência.

Com o apoio de outra viatura, o homem e a mulher foram encaminhados para a Delegacia Regional do município. Eles disseram aos policiais que eram casados e pais do menino abordado.

Qualquer pessoa que se sinta prejudicada pela ação dos agentes de segurança, pode procurar a Corregedoria da Instituição, munida de provas para que haja a devida apuração dos fatos."

O QUE DIZ A POLÍCIA CIVIL

O caso foi registrado na Delegacia Regional da Serra. O homem e a mulher disseram que não foram ouvidos pelo delegado e só foram liberados após assinarem sem ler um documento feito pelos militares.

Primeiramente, a Polícia Civil informou por meio de nota que não tem como apurar os questionamentos, pois aos finais de semana a assessoria só tem acesso às ocorrências do plantão vigente.

No final da tarde desta segunda-feira (19), após ser novamente procurada pela reportagem, a PC enviou uma nova nota informando que "um homem de 34 anos e uma mulher de 27 anos foram conduzidos pela Polícia Militar à Delegacia Regional da Serra, na noite desta sexta-feira (16). Eles assinaram um termo circunstanciado (TC) por resistência e foram liberados após assumirem o compromisso de comparecer em juízo".

"Em relação a queixa dos conduzidos sobre o atendimento, a Polícia Civil esclarece que qualquer cidadão que se sinta prejudicado com o atendimento realizado, pode se encaminhar à Corregedoria e formalizar a denúncia, para que o caso seja analisado", finaliza a nota.

Com informações do G1/ES e de André Falcão, da TV Gazeta

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