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Chacina na Ilha: polícia prende um dos envolvidos na morte de jovens

A Força Tática deteve em Cariacica um dos cinco acusados do crime que tirou a vida de quatro  jovens e deixou dois feridos

Publicado em 02/10/2020 às 19h23
Atualizado em 03/10/2020 às 13h21
Adriano Emanoel de Oliveira Tavares, 22 anos, preso por envolvimento na Chacina da Ilha. Crédito: Rodrigo Gomes/TV Gazeta
Adriano Emanoel de Oliveira Tavares, 22 anos, preso por envolvimento na Chacina da Ilha. Crédito: Rodrigo Gomes/TV Gazeta

Um dos cinco suspeitos de participar da chacina de quatro jovens em uma ilha, na Baía de Vitória, foi preso no início da noite desta sexta-feira (02). A Polícia Civil confirmou que todos os suspeitos já foram identificados e que os mandados de prisão contra eles já foram expedidos.

O suspeito detido foi  identificado como Adriano Emanoel de Oliveira Tavares, vulgo "Da Bala" ou "Balinha", de 22 anos. Ele foi localizado pela Força Tática do 7º Batalhão da Polícia Militar, no bairro de Porto de Santana, Cariacica, e  levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Vitória, onde deverá prestar depoimento e, posteriormente, deverá ser levado para  exames no Departamento Médico Legal (DML). Contra o suspeito foi cumprido mandado de prisão pelo crime de homicídio qualificado.

O titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, delegado Marcelo Cavalcanti, afirmou que se trata de uma prisão importante, já que Adriano foi um dos autores dos disparos que vitimaram os jovens.

Quatro homens foram assassinados na Ilha do Américo, em Santo Antônio
Chacina na Ilha do Américo. Crédito: Fernando Madeira

"Tiramos um executor, ele estava no local do crime e efetuou disparos nas vítimas. Adriano é um jovem, de 22 anos, que possui passagem por tráfico de drogas e está diretamente envolvido no tráfico do Morro do Quiabo. A investigação está bem adiantada, tem pontos a serem fechados, mas já identificamos cinco autores, todos com mandado de prisão. Todos são da região do Morro do Quiabo e têm relação com o tráfico da região", disse.

O tenente Zuqui, da Polícia Militar, por sua vez, explicou que a polícia já sabia que Adriano estaria na região do Morro do Quiabo, em Cariacica, por ser integrante do tráfico de drogas local. A partir disso, uma equipe foi até o bairro e conseguiu localizar o suspeito.  O tenente afirmou ainda que, no momento da prisão, Adriano tentou fugir, mas foi alcançado pelos militares.

"Munido das informações do envolvimento dele no homicídio, fomos ao Morro do Quiabo, na região de Porto de Santana, onde ele fica. Conseguimos identificá-lo e realizamos a abordagem. Ele estava na rua e, ao perceber a chegada da guarnição, tentou fugir, mas a polícia conseguiu alcançá-lo. Fizemos contato com a Polícia Civil e confirmamos que se tratava do 'Balinha', que já estava sendo procurado", disse o tenente.

O CRIME

O crime aconteceu na noite de segunda-feira (28), na ilha Doutor Américo Oliveira, que fica na Baia de Vitória, próximo ao bairro Santo Antônio, em Vitória. Na outra margem, fica o bairro Porto de Santana, já em Cariacica. A ilha é um ponto usado por moradores das duas margens para diversão e passatempo.

No local estavam seis amigos que moravam em Santo Antônio e foram surpreendidos por bandidos, que chegaram de barco na região. Eles renderam e atiraram contra o grupo de jovens, sendo que quatro deles morrem, um conseguiu fugir e outro se fingiu de morto para escapar, já baleado.

Inicialmente, a linha de apuração já trata as mortes como o resultado de uma briga entre facções criminosas que atuam no Espírito Santo.

"Não tenho dúvidas de que cinco pessoas participaram do crime. As investigações apontam que os autores eram do tráfico do Morro do Quiabo, em Cariacica, e que possuem ligação com uma organização criminosa que atua na Grande Vitória. A princípio, consideramos que os assassinos acreditavam que esse grupo de amigos estivesse ligado ao PCV, mas mataram um monte de gente inocente", descreveu Marcelo Cavalcanti, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, na última terça-feira (29).

A sigla PCV, citada pelo delegado, é referente ao Primeiro Comando de Vitória, facção que tem sua base no Bairro da Penha, em Vitória, e ramificações em diversas cidades do Espírito Santo. A facção conta com força armada conhecida como Trem-Bala, criando ou tomando pontos de venda de drogas, além de manter relações comerciais de drogas com os traficantes aliados dessas localidades.

Já a organização criminosa em que o tráfico do Morro do Quiabo tem aliança, à qual o delegado se refere, seria a chamada Associação Família Capixaba (AFC). De acordo com fontes policiais ouvidas pela reportagem de A Gazeta, a Família Capixaba é, atualmente, uma facção criminosa que tenta fazer frente ao PCV e possui como base o bairro Mucuri, em Cariacica.

Perícia da Polícia Civil volta à Ilha do Américo, em Santo Antônio, em Vitória, local onde ocorreu a chacina que resultou na morte de quatro homens
Perícia da Polícia Civil volta à Ilha do Américo. Crédito: Fernando Madeira

INVESTIGAÇÕES

Para o delegado Marcelo Cavalcanti, os mortos não seriam o alvo exatamente, pois não teriam envolvimento com o Primeiro Comando de Vitória – que estaria na mira dos assassinos. "Eu não posso dizer que os mortos tinham envolvimento com o tráfico. Um deles tinha passagem por porte e outro por tráfico, mas não tenho elementos para dizer que estavam diretamente no tráfico", afirmou o delegado.

Os mortos foram identificados como sendo o marítimo Wesley Rodrigues de Souza, 29 anos, Yuri Carlos de Souza, 23, e Vitor da Silva Alves, 19, - corpos que permaneceram na ilha - e Pablo Ricardo Lima, 21, que chegou a ser levado para o pronto atendimento por um tio, mas já deu entrada sem vida. Um jovem que se fingiu de morto foi alvo de dois disparos nas costas e está internado. O outro foi baleado no pé. 

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