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Chacina em Vitória: polícia quer saber quem indicou que vítimas estavam na ilha

Para a Polícia Civil, grupo de cinco traficantes foi até a ilha Doutor Américo de Oliveira, na Baía de Vitória, com a informação de que rivais estariam lá quando, na verdade, era seis amigos de Santo Antônio

Publicado em 01/10/2020 às 22h01
Atualizado em 01/10/2020 às 23h31
Quatro homens foram assassinados na Ilha do Américo, em Santo Antônio
Chacina na Ilha do Américo. Crédito: Fernando Madeira

Polícia Civil já identificou e solicitou junto à Justiça a prisão de cinco traficantes suspeitos de executar quatro jovens e ferir mais dois na Ilha Doutor Américo de Oliveira, na Baia de Vitória, na região de Santo Antônio. Um dos pontos que ainda estão nebulosos na investigação é saber quem contou para os criminosos que os rapazes estavam naquele local. 

O delegado Marcelo Cavalcanti, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, disse que este ainda é um fato a ser esclarecido. "Sabemos quem recebeu o vídeo gravado antes do assassinato, que não foi quem deu ordem, apenas confirmou que as vítimas não eram quem o grupo procurava. Porém, nos intriga quem passou a informação de que um grupo – que eles acreditavam ser de rivais – estava na ilha", observou o delegado em entrevista na última quarta-feira (30).

Cavalcanti explica que o vídeo foi acompanhado de uma ligação para confirmar que aquele grupo de jovens estaria ou não envolvido com o tráfico de drogas de Santo Antônio que mantinha relação com o Primeiro Comando de Vitória (PCV).

No entanto, mesmo recebendo um retorno de que não eram as pessoas que procuravam, os traficantes atiraram contra o grupo de seis amigos, deixando quatro mortos e dois feridos. 

Desde segunda-feira (28), diligências estão sendo feita pela polícia, assim como depoimentos estão sendo colhidos para dar seguimento às investigações. 

O CASO 

A chacina de quatro jovens na Ilha Doutor Américo Oliveira, na Baia de Vitória, é o atual quebra-cabeça da Polícia Civil. Além de localizar os autores, a motivação do crime é outro ponto que deve ser desvendado pelos levantamentos policiais. Inicialmente, a linha de apuração já trata as mortes como o resultado de uma briga entre facções criminosas que atuam no Espírito Santo.

"Não tenho dúvidas de que cinco pessoas participaram do crime. As investigações apontam que os autores eram do tráfico do Morro do Quiabo, em Cariacica, e que possuem ligação com uma organização criminosa que atua na Grande Vitória. A princípio, consideramos que os assassinos acreditavam que esse grupo de amigos estivesse ligado ao PCV, mas mataram um monte de gente inocente", descreveu Marcelo Cavalcanti, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória.

A sigla PCV, citada pelo delegado, é referente ao Primeiro Comando de Vitória, facção que tem sua base no Bairro da Penha, em Vitória, e ramificações em diversas cidades do Espírito Santo. A facção conta com força armada conhecida como Trem-Bala, criando ou tomando pontos de venda de drogas, além de manter relações comerciais de drogas com os traficantes aliados dessas localidades.

Já a organização criminosa em que o tráfico do Morro do Quiabo tem aliança, à qual o delegado se refere, seria a chamada Associação Família Capixaba (AFC). De acordo com fontes policiais ouvidas pela reportagem de A Gazeta, a Família Capixaba é, atualmente, uma facção criminosa que tenta fazer frente ao PCV e possui como base o bairro Mucuri, em Cariacica.

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