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Advogado foge pela janela para escapar de prisão durante operação do MP

O advogado é investigado por participação em organização criminosa e conseguiu fugir. Na tarde da segunda-feira (19), o advogado do acusado se comprometeu em apresentá-lo

Operação Armistício
Equipe do Gaeco chega à sede do Ministério Público Estadual, em Vila Velha, com documentos aprendidos na Operação Armistício. Crédito: Carlos Alberto Silva

Um dos advogados alvos da “Operação Armistício” pulou a janela de casa para escapar de ser detido pelos policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na manhã de segunda-feira (19), em Vitória.

Segundo informações do Ministério Público, quando a equipe chegou à casa do advogado Alzemir Rosa Miranda, por volta das 6h30, na Praia do Suá, em Vitória, chegou a ser atendida por ele por uma das janelas da residência. Ao informar que se tratava de cumprimento de busca e apreensão, o advogado correu para o interior da casa.

Um dos militares que participava da operação tentou entrar na residência para alcançar o suspeito, porém, devido a materiais de obras que estavam no quintal, não conseguiu chegar a tempo de impedir a fuga do investigado.

O advogado conseguiu escapar pulando uma janela da casa. Foi feito pedido de apoio à Polícia Militar via Ciodes-190, mas nem assim Alzemir foi localizado. A esposa dele, após a chegada de advogados, permitiu que a equipe do Gaeco entrasse na casa e revistasse o local, mesmo possuindo mandando de busca e apreensão. Foram apreendidos documentos diversos, anotações e “catuques”, agendas, pen drive, HD externo, um CPU e cinco telefones.

O material foi levado para a sede do Gaeco, em Vila Velha. Durante a tarde, os advogados de Alzemir procuraram o Ministério Público com a intenção de apresentá-lo e se comprometeram a levá-lo ao presídio para receber a tornozeleira eletrônica, dando cumprimento à prisão domiciliar prevista no mandado de prisão expedido pela Justiça.

A reportagem de A Gazeta entrou em contato com o advogado de defesa de Alzemir, mas as chamadas não foram atendidas.

OPERAÇÃO

A operação realizada pelo Gaeco, na segunda-feira (19), teve como objetivo cumprir 37 mandados de prisão, sendo que 9 eram contra advogados do Espírito Santo, sob a acusação de participarem de uma organização criminosa que atua em todo o Estado em crimes que vão desde o tráfico de drogas e armas até homicídios e queima de ônibus. 

Segundo levantamentos do Ministério Publico, os advogados eram a ponte entre as lideranças da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) presas e os principais criminosos que são voz de comando do grupo, mas ainda estão foragidos. 

O leva e traz de recados era feito por meio de bilhetes escritos à mão, bloco de notas no celular, mensagens de áudio e até videochamadas com o celular próprio de advogados. 

Os recados eram chamados pela organização criminosa de "catuques". No conteúdo dessas mensagens estavam desde ordem ou permissão para assassinatos e queima de ônibus até contabilidades do tráfico de drogas e armas.

Em um desses levantamentos, há uma chamada de vídeo entre Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, 29 anos, atualmente o único líder do PCV ainda em liberdade, e Carlos Alberto Furtado, o Beto, um dos comandantes do PCV preso. O aparelho usado para a videoconferência seria da advogada Chayene Evelyn Carvalho Moraes, segundo as apurações do Ministério Público.

Na lista dos advogados que o Gaeco investiga estão ainda: Márcia Borlini Marim Sanches, Lina Demoner Medani Tristão, Lucas Depolo Muniz, Chayene Evelyn Carvalho de Moraes, Emanuella Carlette Sobreira, Paloma Maroto Gasiglia, Joyce da Silva Borot, Alzemir Rosa Miranda Ramos e Thelma Barcellos Bernardes. 

O Ministério Público solicitou pedido de prisão preventiva de reclusão contra todos eles, entendendo que "os advogados se valiam indevidamente das prerrogativas que possuem para repassar os recados". No entanto, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva, com cumprimento de medida cautelar diversa da prisão, neste caso uso de tornozeleira. Foram cumpridos seis mandados durante a operação, no início da manhã.  Também foram apreendidos computadores, pastas, celulares e quaisquer objetos que poderiam servir para o repasse de recados.

Outros dois advogados se apresentaram e um mandando ainda não havia sido cumprido até às 18 horas de terça-feira (20).

VANTAGENS

A investigação teve início em 2019 e provocou o pedido de prisão de 37 pessoas, dos 39 investigados. Entre os 37 mandados, estão os 9 dos advogados e também outros cinco presos capixabas que são apontados como lideranças do PCV.

Em pouco mais de um ano, a liderança Carlos Alberto Furtado teve 89 advogados diferentes, recebendo 378 visitas, quase uma visita por dia, por exemplo. Para o Ministério Público, isso significa que muitos profissionais que fazem as visitas não têm vinculação com os processos judiciais dos envolvidos, ou seja, não exercem a função advocatícia.

Os cinco foram transferidos para um presídio federal, fora do Espírito Santo, exatamente na tentativa de desarticular as negociações e planejamento da organização criminosa. Na lista dos mandados, também há um para Fernando Pimenta, o Marujo, que segue foragido e também é procurado pelas forças de segurança do Rio de Janeiro.

Sobre as vantagens que advogados recebiam em troca de realizarem os "catuques", o Ministério Público informou que ainda não tem registro de negociações de valores. No entanto, é certo que o pagamento não surgia apenas dos clientes, mas sim da facção como um todo, uma vez que o vai e vem de recados mantinha a engrenagem do tráfico de drogas funcionando, assim como os lucros e crimes provenientes deles.

Sobre os 37 mandados de prisão, o MP não repassou o balanço de quantas pessoas foram presas ao todo, mas informou que a próxima fase será ouvir os advogados e demais detidos nesta segunda-feira (19), analisar o material apreendido e concluir as investigações, realizando os indiciamentos adequados.

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