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Ataque no Centro de Vitória: acusados do crime fazem parte de facção

As investigações da Polícia Civil apontam que os criminosos  integram o Trem Bala, braço armado do Primeiro Comando de Vitória (PCV)

Publicado em 22/10/2020 às 16h50
Atualizado em 22/10/2020 às 16h51
Thaian Silva, Felipe Orelha e Felipe Francis foram presos por suspeita de envolvimento em ataque no Centro
Thaian Silva, Felipe Orelha e Felipe Francis foram presos por suspeita de envolvimento em ataque no Centro. Crédito: Divulgação/Polícia Civil

As investigações da Polícia Civil apontam que os criminosos suspeitos de promoverem um ataque a um carro de aplicativo no Centro de Vitória no dia 4 de outubro e atirar contra rivais e moradores inocentes nos bairros Alagoano, na Ilha do Príncipe e Andorinhas, na Capital, integram o Primeiro Comando de Vitória (PCV).

Felipe dos Santos Dantas, o Orelha, de 20 anos, Thaian Silva, 25 anos  e Felipe de Souza Oliveira, o Felipe Francis, 27 anos, seriam membros do Trem Bala, braço armado da facção criminosa que opera o tráfico de drogas em diversos bairros da Grande Vitória.

Felipe Orelha foi preso pela Guarda Municipal de Vitória quando passava de carro na Avenida Fernando Ferrari, em Goiabeiras, na tarde dessa quarta-feira (21). Contra Orelha foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão por crimes de homicídios e um mandado de prisão preventiva expedido pela 1ª Vara Criminal de Serra.

No mesmo carro também estava Diego Carlos Kaiser Pinto, o Catatau, de 32 anos. Ficou constatado que ele fugiu do sistema prisional no dia 24 de abril. Contra ele, também foi cumprido mandado por homicídio e tráfico de drogas. Até o momento, não há indícios de participação de Catatau no ataque do Centro, segundo a Polícia Civil. 

Mais de 40 disparos foram realizados
Ataque a carro no Centro de Vitória deixou dois mortos. Crédito: Vitor Jubini

LIDERANÇA NO TRÁFICO

De acordo com a Polícia Civil, Felipe Orelha é o chefe do tráfico de drogas no bairro São Benedito. Ele, Thaian e Felipe Francis são apontados como os criminosos que participaram do ataque que resultou na morte de duas pessoas e deixou outras duas baleadas no início deste mês na Avenida Governador José Sette. 

Segundo a polícia, Felipe Francis alugou um veículo HB20 que transportou os comparsas no dia 4. Era ele quem conduzia o carro. Já Felipe Orelha estaria no banco do carona. Ele é o homem quem aparece em um vídeo atirando nas vítimas do lado de fora do veículo. Ainda segundo a polícia, Thaian estava no banco de trás e também teria atirado contra o Onix vermelho onde os alvos estavam. 

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória investiga se o grupo recebe ordens do sistema prisional para executar rivais e promover ações com foco na expansão da área de atuação do PCV. Como os trabalhos estão em curso, o titular da DHPP de Vitória, Marcelo Cavalcanti, alegou que não poderia revelar detalhes sobre a origem das ordens.

Marcelo Cavalcanti

Titular da DHPP de Vitória

"Essa organização traz para o grupo dela criminosos que integram o bairro que eles querem tomar. Dão armas, soldados e promovem essa guerra do tráfico pela expansão territorial. Com isso, ocorrem essas mortes. Para cada uma instauramos um inquérito e investigamos"

O QUE É O PCV

De acordo com a polícia, o PCV é liderado por Carlos Alberto Furtado da Silva, o Beto, que está preso na Penitenciária de Segurança Máxima II, em Viana. Mesmo detido, Beto lidera a organização que domina o Bairro da Penha.

Braço armado do PCV, o Trem Bala é formado por um grupo de bandidos da facção que usa o poder do fuzil para matar quem cria obstáculos a seus interesses, inclusive inocentes. Segundo investigações da polícia, o PCV começou a se instalar no Complexo da Penha, em 2010, sob as orientações de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa paulista.

A expansão é promovida pelo Trem Bala. Na ampliação das bocas de fumo, são eles os responsáveis pelos homicídios. Tomam o território, chamam os expulsos para trabalhar junto e, se estes não aceitam, os matam. Já o PCV é responsável pelo gerenciamento das drogas. O PCV compra as drogas e faz a distribuição no Estado, – incluindo para os morros –, e as vende.

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