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Advogada escapa da morte ao ter casa atingida por nove tiros no Sul do ES

Disparos contra a residência foram feitos na noite desta sexta-feira (09), em Iúna, Sul do Estado, e não houve feridos; profissional estava sendo ameaçada

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 10/04/2021 às 18h00
Atualizado em 10/04/2021 às 18h00
Atentado em casa de advogada em Iúna, Sul do ES
Atentado em casa de advogada em Iúna, Sul do ES. Crédito: Divulgação

A advogada Elzeni da Silva Oliveira, de 56 anos, escapou da morte na noite desta sexta-feira (09), após ter a sua casa alvejada por nove tiros, em Iúna, no Sul do Estado. Os disparos atingiram a varanda e a porta de vidro da sala do apartamento, ao lado do sofá onde ela, o marido e a neta de sete anos estavam deitados, assistindo a um filme.

“Foi tudo muito rápido e um grande desespero. Minha neta ficou apavorada. Só não morremos porque estávamos deitados no sofá, mas sinceramente, tive a sensação da morte. Achei que fosse morrer. Agora estou mais tranquila”, relatou.

Elzeni, que atua na área trabalhista, mora no Centro de Iúna. Sua casa fica a poucos metros da sede do Ministério Público do Estado (MPES) e ainda do Fórum de Justiça da cidade. Pouco antes do atentado, uma viatura da Polícia Militar estava estacionada na rua.

Após um dia tranquilo, ela e o marido decidiram assistir a um filme com a neta. “Pouco antes dos tiros, nos estávamos todos em pé. Não é hábito nosso deitarmos no sofá, mas foi isso que salvou nossas vidas”, disse.

Os disparos ocorreram por volta das 19 horas. Segundo testemunhas, dois homens com capacetes, em uma moto Bros 160, na cor preta, passaram quatro vezes na rua em frente ao apartamento da advogada. Eles só retornaram a última vez após a viatura deixar a rua. Foi quando o carona disparou nove vezes contra a residência e fugiram do local pela contramão da via.

DESESPERO E AMEAÇAS

Elzeni conta que a rua em frente a seu apartamento, que fica no segundo andar, é larga, o que permite que da via seja possível enxergar dentro da sua sala. “Provavelmente eles nos viram na sala. Se tivessem atirado minutos antes, estaríamos todos mortos”, conta.

Assim que os disparos cessaram, a família buscou abrigo no quarto. “Pelo barulho, achei que eles estavam dentro do apartamento”, contou Elzeni. Eles permaneceram no ambiente até que ela olhou por uma báscula que existe no quarto e percebeu que os vizinhos já estavam na rua e tinham acionado a polícia. “Meu marido desceu primeiro. Tive dificuldades para acalmar a minha neta”, relatou.

De acordo com Elzeni, o atentado tem relação com ações trabalhistas que moveu na Justiça estadual. “Não tenho nenhum problema  pessoal”, acrescentou. Sem revelar nomes, ela conta que já tinha sido ameaçada antes do atentado. A suspeita recai sobre supostos empresários que foram alvo das ações trabalhistas que tramitam há seis anos. “Mas recente houve decisões favoráveis a ação em segunda instância”, explicou.

OAB COBRA INVESTIGAÇÕES E PRISÕES

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Espírito Santo (OAB-ES), José Carlos Rizk, informa que ainda na manhã deste sábado (10), solicitou ao governador Renato Casagrande, e ao secretário de Segurança, Alexandre Ramalho, que o caso seja investigado, e que haja prisão de executores e mandantes.

“A suspeita é de que o atentado tenha sido motivado por uma ação trabalhista ajuizada pela advogada, que tenha feito com fosse ameaçada e culminado em fatos graves, que foram os disparos realizados contra a sua residência. A advocacia não vai se calar. Não existe este tipo de intimidação. Não podemos viver em um estado democrático de direito onde você tem direito a ajuizar uma ação trabalhista e ter, do outro lado, um empresário alvejando o advogado. Os fatos precisam ser devidamente apurados, e os executores, e mandantes, presos”, assinalou Rizk.

Atentado em casa de advogada em Iúna, Sul do ES
Sacada da casa da advogada foi atingida por nove disparos. Crédito: Divulgação

Ele confirmou que advogada vinha sendo ameaçada. “Ela já vinha sendo ameaçada. Infelizmente já acompanhei vários casos de advogados ameaçados, mas nunca se chegou a um atentado. As chances dela e da família terem sido mortos eram fortíssimas. Estamos em 2021, onde um processo judicial não pode terminar em bala”, assinalou.

De acordo com Rizk, a presidência nacional da OAB já manifestou o apoio e os conselheiros da Ordem, no Estado, estão avaliando a possibilidade de irem ao município de Iúna para realizarem um ato em apoio a advogada. “O que aconteceu foi um acinte a cidadania, aos direitos humanos. Em decorrência da pandemia, estamos avaliando como será possível viabilizar esta visita e o nosso apoio presencial a colega”, informou.

RESPOSTA DA PC E DA PM

Por nota, a Polícia Civil informou que a investigação já foi iniciada e que a residência da advogada estava sendo periciada. Confira a íntegra da nota:

“A Polícia Civil informa que o caso está sob investigação e diligências foram iniciadas assim que a PCES tomou conhecimento do fato. Na manhã deste sábado, uma equipe foi até o local do fato para levantamento de informações, a residência da vítima está sendo periciada e a advogada presta depoimento na Delegacia Regional de Venda Nova do Imigrante. Até o momento não há detidos e detalhes dos levantamentos não serão divulgados para preservar a investigação. A Polícia Civil destaca que a população tem um papel importante nas investigações e pode contribuir com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia 181, que também possui um site onde é possível anexar imagens e vídeos de ações criminosas, o disquedenuncia181.es.gov.br. O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas.”

A Polícia Militar, também por nota, informou que as buscas pelos executores do atentado foram realizadas na cidade, mas eles ainda não foram localizados. Veja a íntegra da nota:

“Na noite da última sexta-feira (09), policiais militares foram acionados para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo em via pública no Centro de Iúna. No local, os militares constataram várias perfurações no vidro da sacada da casa. A proprietária da residência disse aos policiais que no momento do fato estava na sala juntamente com o esposo e sua neta. Ainda de acordo com a moradora, populares teriam informado que os tiros tinham efetuados por dois indivíduos em uma moto, que fugiram após o fato. Buscas foram realizadas, mas ninguém foi encontrado.”

Iúna crime OAB-ES

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